Carlos Pimentel

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos e especialista em Gestão Pública Municipal. Edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br).

Na coluna anterior, comentei que a infraestrutura de transportes – rodovias, ferrovias, portos... – representam para um país o mesmo que os músculos para um atleta. E afirmei que, além de não ter músculos para competir no mercado internacional – continua patinando no rodapé das estatísticas internacionais -, o Brasil também não tem cérebro, para repensar seu posicionamento no mercado internacional.

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Algo está profundamente errado lá pelos lados de Brasília. Só na construção de uma ferrovia, entre Açailândia (Maranhão) e Vila do Conde (Pará), o governo estima investir R$ 3,1 bilhões, e isso já considerando que nos negócios governamentais um tijolo sai pelo preço de uma casa. Mas os empresários querem mais, batem o pé e exigem no mínimo R$ 4,5 bilhões. E o governo, sabe-se lá por quê refém do jogo empresarial, está "recalculando" os valores. Vai ter de calcular muito para aumentar os valores em 50% sem dar na vista, com a população mais atenta ao que acontece nos meandros do poder. Afinal, a diferença de valores, só nessa obra, daria para construir umas 150 mil casas populares no Nordeste, mesmo com preços inflacionados... fazer sumir uma cidade inteira dá trabalho...

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Foto: Arquivo PortogenteBrasil pouco aproveitou as oportunidades que surgiram para melhorar o setor logístico

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Comentei na coluna passada de modo geral sobre os inúmeros custos invisíveis, pelos quais pagamos, todos enfeixados genericamente sob o título de Custo Brasil. São custos derivados de malversação de recursos, mau gerenciamento de projetos, inação, abandono de obras, manutenção insuficiente, burocracia, mil e um buracos por onde escoa a riqueza nacional e a nossa capacidade de competir no mercado internacional.

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O leitor que pacientemente acompanha estas colunas deve ter notado que constantemente alerto para despesas que todos pagam, sem qualquer benefício em troca. É muito dinheiro jogado fora, sem retorno para quem paga, nem para o Brasil. Pelo contrário, encarece absurdamente produtos e serviços e introduz novas distorções na economia.

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