Enquanto os atarantados governantes tentam descobrir o que querem os brasileiros ("não é só os R$ 0,20 a mais na passagem de ônibus"...), e estes revolucionam o país com seus protestos, seria útil analisar soluções para o falso dilema entre reduzir custo e manter qualidade. Esqueçamos toda a cantilena do "sacrifício" que o governante precisa fazer cortando outros investimentos de infraestrutura (mesmo porque a população sabe que na prática não é verdade), e vamos às propostas:

1) Existe uma planilha de cálculo do valor da tarifa de ônibus elaborada pelo Geipot em 1996. Que seja revista onde for necessário e popularizada, junto com os dados de cada município, para que os atores sociais possam conferir os dados. Sejam criadas formas de o público aferir números como o total de passageiros transportados, o cumprimento do número de viagens etc., para termos total transparência nas informações.

Foto: Metro

Brasileiros pedem mais conforto no caro transporte público do País

2) As frotas podem ser municipais/metropolitanas ou particulares. O passe livre elimina custos com cobradores/vendedores de passes, sem desemprego: o setor precisa dobrar de tamanho, para atender à demanda atual por mobilidade. Lógico que a população pagará, via impostos, mas muito menos, pois não arcará com impressão de passes ou emissão de cartões eletrônicos e serviços administrativos afins. Elimina-se ainda toda a burocracia relativa a vale-transporte e passe escolar e reduz-se a manutenção urbana pela ampliação do transporte público.

3) Uso de veículos de melhor durabilidade (bonde elétrico dura 120 anos, ônibus dura cinco. Entre esses extremos há muitas opções), com alguma padronização para simplificar a manutenção. Treinamento e relações humanas reduzem custos operacionais (desgaste por direção indevida, às vezes proposital). Garantia de manutenção preventiva permanente, e de peças de reposição para as frotas não serem sucateadas.

4) Um PAC da mobilidade urbana, para implantação de sistemas modernos, mas já acompanhado de modelos de projetos para uso pelos gestores municipais, em vez de esperar que eles formatem esses projetos – que é a grande falha nos PACs.

5) Os transportes interurbanos intrarregionais devem seguir modelo semelhante, e para os de longo alcance deve ser definido – via competição – um patamar de eficiência administrativa e operacional. Hoje, boa parte do dinheiro das passagens some por entre os dedos de empresários incapazes de gerenciar o próprio negócio, mesmo com todos os truques que usam para encarecer artificialmente o transporte.

Lógico que muitos não gostarão e lutarão para manter o status quo, mas essa é uma questão para a sociedade resolver. Lógico também que os mesmos de sempre inventarão mil desculpas para não estancar o rio de dinheiro que corre entre empresas e agentes públicos. Mas, se o Brasil acordou, continue acordado para impedir as manobras. Com honestidade (sei: é difícil!), é possível ter ótimo transporte público, sem aumentar impostos, sem tarifa e mantendo todos os outros investimentos. As pessoas não imaginam o tamanho do desperdício de recursos que há no setor, mas já sentiram que ele é grande e pode ser evitado.

Fugi aos temas de navegação e logística só aparentemente, pois isto influi muito no "Custo Brasil", encarecendo os produtos exportados e reduzindo a competitividade que o Brasil pode ter no mercado internacional. Muito mais do que parece, aliás.

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