Carlos Pimentel

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos e especialista em Gestão Pública Municipal. Edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br).

Os capitalistas sabem gerir dinheiro, mas não sabem fazê-lo. E perdem muito dinheiro por desprezarem justamente a parte do capital mais importante em seus negócios, aquela que não passa pelas contas do banco. Não me refiro ao "caixa 2", mas aos recursos humanos, à experiência acumulada de "saber fazer".

Na próxima segunda-feira, 14 de julho, terminada a Copa do Mundo, começa em Fortaleza, no Ceará, uma nova reunião dos BRICS. Talvez o leitor se pergunte: e daí? Afinal, a sigla tem estado esquecida nos últimos anos, período em que os países que compõem esse acrônimo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se voltaram para o enfrentamento de seus próprios (e antigos) problemas internos e perderam, talvez, sua grande oportunidade de protagonizar a virada econômica num mundo em crise.

O Brasil quer fazer muito, e até tem dinheiro sobrando para fazer. O problema é que faltam projetos adequados e gestores competentes para encaminhar tanto a tramitação burocrática como as obras propriamente ditas. Resultado?

"Brasil está na contramão do mundo, afirma presidente da Fiesp", informa-se. Só não inverto os termos porque dona Dilma ainda não se pronunciou. Então, teríamos talvez "Fiesp está na contramão do mundo, afirma presidente do Brasil".

Existem pelo menos dois Brasis: o que dá certo e o que se pendura nele, sugando suas energias quase até esgotá-lo. Não é nenhuma novidade, já em agosto de 1983 uma antológica série de reportagens do extinto Jornal da Tarde/OESP ("A República Socialista Soviética do Brasil") mostrava esse Brasil que prospera.