Carlos Pimentel

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos e especialista em Gestão Pública Municipal. Edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br).

Basta de criancice. Vocês, donos de empresas que não nasceram ontem, sabem muito bem o que estão fazendo. Assumam as suas responsabilidades. Não fiquem botando a culpa em quem não a tem. Há momentos em que a paciência acaba. Querem multa, querem protestos à sua porta? Querem que suas empresas sejam fechadas? Não se importam com os prejuízos? Não reclamem depois.

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Você que investe na educação de seus filhos muitas vezes uma pequena fortuna, privando-se de fazer o passeio dos seus sonhos ou comprar aquele carro tão cobiçado, não sabe se esse investimento terá retorno. Mas tem uma expectativa razoável de que haja um resultado ótimo, na forma de uma descendência sadia e com mais oportunidades de conquistar as oportunidades que a vida oferece, não é?

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Digo isso para lembrar que temos exemplos quase infinitos de como a imprevidência e a falta de planejamento levam aos desastres anunciados, e basta observar os erros latentes na realidade presente para adivinhar, sem mágicas ou vidências mediúnicas, os desastres que nos esperam. Nada a ver com pessimismo, aliás: como é tradição no país, as tragédias anunciadas nunca são evitadas.

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"Pelo programa oficial, a rainha deveria [ir] ao Posto de Monta do Jóquei Clube ao meio-dia, mas houve um atraso de 25 minutos, pois demorou-se a trocar de roupa". Para o leitor conferir: está lá na Folha de São Paulo de 9/11/1968, página 9. Nessa visita a São Paulo da rainha Elizabeth II da Inglaterra, não foi só ela a quebrar a afamada pontualidade britânica. Na mesma página, outro atraso inglês: dez minutos, na chegada do avião da Royal Air Force ao Rio de Janeiro, com o casal real. O príncipe consorte Philip também sofreu vários azares, por conta de trânsito engarrafado e carros quebrados: 40 minutos de atraso numa coletiva de imprensa, na residência do cônsul geral Harry Holmes, para ficar só num exemplo.

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Nas redes sociais, internautas indignados criticam a discrepância entre as penalidades para o político corrupto que rouba o país (máximo de 15 anos de reclusão em regime semiaberto) e a que está sendo proposta para o jovem que faça um protesto durante a Copa da Fifa (será tratado como terrorista, com 15 a 30 anos de reclusão em regime fechado). A classe política perde a noção do perigo e não nota que, depois dos fatos de junho de 2013, nova temporada de ativismo civil está sendo armada pela população de paciência esgotada.

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