O Brasil quer fazer muito, e até tem dinheiro sobrando para fazer. O problema é que faltam projetos adequados e gestores competentes para encaminhar tanto a tramitação burocrática como as obras propriamente ditas. Resultado?

O resultado foi visto em Santos/SP no dia 26 de junho, quando a presidente Dilma chegou à cidade (de helicóptero) para anunciar uma liberação de verbas do PAC Mobilidade Urbana. A incompetência dos organizadores da cerimônia resultou num congestionamento monstruoso, que paralisou não apenas a cidade, mas toda a região.

Durante grande parte do dia, fecharam as vias principais, não deixando qualquer alternativa de trânsito para ônibus, veículos de emergência, muito menos para os particulares. As pessoas tiveram que desprogramar compromissos, cancelar viagens interurbanas perder o dia de trabalho e ficar em casa, pois era impossível cruzar o centro urbano de Santos.


Verbas existem. Falta mobilidade... e falta gestão...

Tem razão a presidente ao reclamar que faltam projetos. As cidades e as regiões não têm projetos a apresentar, como se nunca tivessem estudado um assunto que tanto aflige os cidadãos. E nem se deve cogitar em projetos metropolitanos, pois cidades governadas por diferentes partidos não se conversam, não alcançam a necessária integração para organizar um projeto em comum.

O máximo que o governo federal consegue é, na maioria dos casos, distribuir verbas para que o assunto seja estudado. Provavelmente, pelas mesmas autoridades que organizaram o trânsito santista.

Santos, neste 26 de junho, foi apenas um exemplo do que acontece em todo o país. No transporte rodoviário de cargas, a legislação que protege os motoristas de caminhão deixa de ser cumprida, com os horários de trabalho e descanso, porque não interessa às empresas instalar os pontos de parada e o governo finge não ver que o poder econômico é que está ditando as regras, pois é mais barato contratar gente que trabalha dezenas de horas seguidas com um "rebite", do que cumprir a lei como em outros países.

Foto: A Tribuna On-line

Muitos veículos ficaram engarrafados nas vias do Centro de Santos

No transporte ferroviário, há exemplos fantásticos de incompetência empresarial bancados pelo Governo Brasileiro, ou seja, por todos nós. Não esqueço da ferrovia que passaria por dentro de uma igreja em Custódia/PE, nem as exigências feitas por empresários para arriscarem seu capital num empreendimento desses (ironia pura: o risco é zero, o seguro é pleno, o lucro é total e o capital é do governo, entram apenas com a assinatura no papel e o bolso para guardar o dinheiro. E ainda querem mais!).

Da fazenda ao porto, deveriam existir armazéns. Como eles não existem, a carga é armazenada em caminhões e vagões, imobilizando esses equipamentos. Forma jeitosa de transferir os custos para os ombros dos outros, mesmo que depois todos paguemos por isso.

Nos portos, há um ano temos uma nova legislação que ainda não disse a que veio. Os enormes investimentos projetados não aconteceram até agora, por infinitos motivos que apenas escondem a incapacidade de gestão de governantes e empresários, de que se aproveita a ganância de certos políticos.

Para fechar o ciclo, o que aconteceu em Santos com a mobilidade urbana no dia 26 de junho é parecido com o que aconteceu recentemente em Barcarena, no Pará, onde o tráfego pesado foi direcionado para um porto sem que os acessos urbanos fossem ajustados para atendê-lo, criando enormes problemas com o caos resultante.

De novo a Santos: é o mesmo caos que a Baixada Santista suportou por meses seguidos, em vários períodos de safra agrícola, e que foi resolvido sem gasto algum, com uma simples medida aqui preconizada: o agendamento da chegada dos veículos. Ou seja: planejamento e gestão.

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