Num país mais preocupado com os estádios (perdão, arenas) de futebol, passam até despercebidos outros fatos tratados com menos importância pelos meios de comunicação. Entre eles, a constatação de que as organizações criminosas continuam tomando a dianteira no quesito tecnologia.

Ficou no passado o tempo em que telefones celulares eram levados para dentro dos presídios por pessoas que tentavam burlar as revistas íntimas e talvez os detectores de metais. A nova moda são os drones, originalmente chamados de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs).

Muitos só ouviram falar deles por causa das operações estadunidenses no Paquistão, ou por que certa livraria pretende em breve começar a entregar seus produtos na casa dos compradores usando uma esquadrilha de drones (e as transportadoras que sejam rápidas para correr atrás do prejuízo, ou perderão mais esta fatia do mercado!).

Foto: Wikipédia
hermes drone
Hermes 450 da FAB, um drone militar nacional

No Brasil, o primeiro voo com drone ocorreu em 1983, com um protótipo a jato construído pela antiga Companhia Brasileira de Tratores (CBT). Treze anos depois, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), de Campinas, iniciou o Projeto Aurora, com dirigíveis, que se tornou referência internacional. Mais recente é o Projeto Araras, com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Mas, toda essa tecnologia nacional ainda está em experiências bem restritas de agropecuária e vigilância de fronteiras (sempre dificultadas pela notória falta de apoio a pesquisas, tanto pelo governo como pelo empresariado), enquanto, mais uma vez, importamos equipamentos que poderiam ser produzidos aqui e inclusive exportados.

Foto: Embrapa Instrumentação Agropecuária
araras logistica
Sistema de Telemetria e Telecomandos do Projeto Araras

Ou seja, além de perdermos novos mercados, gastamos divisas e não nos preparamos para usar comercialmente os novos produtos tecnológicos.

Aliás, mesmo as empresas que trabalham com logística não estão preparadas para lidar com as consequências positivas ou negativas dessa tecnologia, considerando o quanto os drones vão em poucos anos influenciar a logística dos transportes: quem vai querer trafegar com mercadorias sensíveis e caras por estradas esburacadas e sem segurança, se puder entregá-las por via aérea com o mesmo custo – ou menor?

Sonho ou pesadelo, a tecnologia dos drones ainda é vista como algo para um futuro distante. Mas, basta lembrar que em nossos presídios, onde não se consegue sequer instalar bloqueadores de sinal de telefonia celular, a ousadia tecnológica das organizações criminosas vem dando baile nas autoridades: drones já estão descarregando encomendas de drogas e celulares nas prisões, e a única tecnologia de que a Polícia paulista dispõe é uma saraivada de tiros para tentar abater tais aparelhos em pleno voo...

Verdade: em Campina Grande (PB), a polícia testou um drone para vigilância de um presídio. Mas também é verdade que no mesmo local os detentos inventaram com garrafas PET um traje para fuga através de cercas eletrificadas...

Enfim: a tecnologia dos drones já está disponível até para as crianças. Você mesmo pode comprar um drone básico, misto de quadricóptero com avião, em 12 prestações de R$ 17,90. E é só o começo do que vem por aí... Quem está preparado?

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