Domingo, 08 Fevereiro 2026

Editorial | Coluna Dia a Dia

Uma draga operando é como uma construção organizada (John Huston)

Foi acertada a contratação da holandesa Van Oord, pela Autoridade Portuária de Santos, para dragar o acesso ao principal porto do hemisfério sul, o de Santos, por um período de um ano. Trata-se de uma empresa de qualidade e referência mundial. Dragagem é um serviço essencial para manter a profundidade do porto. Por sua especificidade e custo elevado, a sua contratação como solução é complexa e atípica.

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Imagem gerada por IA

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No último dia 21/01, foi aditado o contrato celebrado com a Van Oord Serviços de Operações Marítimas Ltda. para dragagem de manutenção nos trechos 1, 2, 3 e 4 do canal de acesso, bacias de evolução, áreas de acesso aos berços e nos berços de atracação do Porto de Santos. O valor global é de R$ 153.285.689,49 (cento e cinquenta e três milhões, duzentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e oitenta e nove reais e quarenta e nove centavos) sendo R$ 140.706.526,06, relativos ao reajuste atualmente aplicado.

Ainda não foi atingida no Porto de Santos de hoje, a escala contínua de dragagem – como era a manutenção da profundidade do canal interno, na administração da Companhia Docas de Santos – CDS. Um dos temas imperativos quando se debate o projeto STS10, um terminal de contêineres de projeção global. Tendo em vista que, enquanto não houver suficiente profundidade de água para a navegação, não ocorre competitividade econômica.

Além de um tema técnico singular, dragagem é política pública estruturante. Ela é condição de competitividade, não favor administrativo. Por isso, estabelecer a melhor situação para receber navios de diferentes calados é básico para o Porto de Santos ser competitivo no cenário internacional. Sem dragagem regular e previsível, o porto perde escala e atratividade para grandes armadores. Ou seja: reduz sua eficiência logística.

Oportuno também lembrar os princípios frequentemente exaltados pelo engenheiro Luiz Alberto Costa Franco, cuja brilhante carreira profissional foi dedicada à competitividade do Porto de Santos, especialmente debatendo a dragagem nos grandes encontros técnicos. Na sua visão: “por tantas razões, a dragagem do Porto de Santos deve ser planejada, contínua, competitiva, transparente e juridicamente segura; e sobretudo, tratada como infraestrutura estratégica nacional; não como um contrato circunstancial”.

Portanto, como se deduz, dragagem não pode ser refém de ciclos políticos. Pois o canal de acesso não muda a cada eleição. Quando a dragagem fica subordinada às trocas de diretoria ou mudanças ministeriais, o porto perde previsibilidade. Sumariamente, a dragagem deve ser blindada de descontinuidades políticas, com contratos e governanças estáveis. Cenários exigentes de Autoridade Portuária com competência para planejar, induzir concorrências e coordenar estratégias portuárias.

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Por incrível que pareça, o custo do atraso é invisível, mas gigantesco. A falta de dragagem reflete no frete mais caro, na perda de escala de navios maiores, na ineficiência logística de toda a cadeia. Estamos falando do futuro que bate à porta: dos Big Ships, em que a tecnologia com competência é parte fundamental para a produtividade e sucesso do Porto de Santos.

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*O Dia a Dia é a opinião do Portogente

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