Editorial | Coluna Dia a Dia
Com tradição centenária em sustentabilidade energética, operando desde 10/10/1910 a única usina hidrelétrica do mundo pertencente a uma instalação portuária, o porto de Santos pode e precisa dar mais um importante passo em sua história.
É mais do que necessário definir caminhos para garantir a energia que chegará às tomadas dos supernavios que já demandam o cais santista. E um dos desafios passa pela entrega dessa energia num futuro porto ‘offshore’, ou seja, relativamente longe da praia.
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A resposta a esse desafio pode estar no uivo dos ventos oceânicos, que em alto mar não terão morros atrapalhando sua passagem e poderão ser usados para movimentar usinas eólicas. As quais ajudarão a movimentar as cargas e os navios que demandarão essas instalações, livres de restrições de calado e com reduzido custo operacional. E com muito mais segurança, se comparados com os riscos de verdadeiras bombas flutuantes, como são os navios transportadores de gás liquefeito sob pressão.
Não tem este espaço o objetivo de ensinar o vigário a rezar missa, ou qualquer outro profissional a bem executar suas funções. Mas oferece, nos vínculos de aprofundamento da leitura, alguns bons argumentos para que se pense rápido e se viabilize técnica e economicamente o que é aqui proposto. E para que os embarcadores e profissionais de Logística percebam e apliquem no porto de Santos o que, só para ficarmos no território nacional, já está sendo estudado e feito em todo o litoral entre o Oiapoque e o Chuí.
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Santos começou a pensar numa usina hidrelétrica em 1906, há exatos 120 anos, e precisou de apenas quatro para inaugurar Itatinga, incluindo uma vila operária, acessos, equipamentos, linhas de transmissão etc.
Outros tempos, claro, em que decisão tomada geralmente era tarefa executada (precisamos realmente explicar essa comparação?).
Hoje, quando já se consolida o entendimento internacional de que é necessário reduzir ou eliminar todas as fontes de poluição, especialmente a atmosférica (ignorem o que diz o presidente alaranjado de mente fossilizada: pessoas comuns já ultrapassaram esse nível mental), o maior porto atlântico sulamericano de carga geral pode tirar novos truques da manga do paletó.
Talvez um desses truques seja a instalação de uma usina eólica no mar para suprir as necessidades de uma instalação ‘offshore’. Mas também pode ser que seus estudos sugiram usar a energia solar, que também é gratuita. Ou, quem sabe, a força do mar seja a sua aliada preferida, não apenas na forma figurativa, mas como real fonte de energia? Não importa, desde que se mostre a melhor alternativa para o caso específico do porto santista.
Voltaremos ao assunto, com novos detalhes. Por agora, a proposta é que o leitor comece a analisar possibilidades e vantagens, formular cenários e planos para concretizá-los, buscar aliados que ajudem na realização.
Santos, como velho lobo do mar que é, acumulou muita experiência em seus 480 anos recém-completados. Que este antigo marinheiro use tais conhecimentos cosmopolitas e sua força transformadora para bem navegar pelas novas tendências, já bem visíveis no horizonte.
Para que não tenha de uivar de tristeza pela oportunidade passageira – enquanto o vento lhe recorda que “o mundo inteiro é um terrível álbum de recordações a provar que ela existiu e que eu a perdi!” (Emily Brontë, ‘Wuthering Heights’).
Itatinga colocou Santos na vanguarda da energia sustentável, há mais de um século
Foto: Museu do Porto de Santos/CDS-Codesp e Acervo ‘Novo Milênio’
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