Alessandro Atanes

Jornalista e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Servidor público de Cubatão, atua na assessoria de imprensa da prefeitura do município.

Nas últimas semanas tenho escrito sobre livros publicados nos últimos 20 anos nos quais o testemunho e o relato pessoal recebem camadas de fabulação e ficção e como isso vem ocorrendo em temas trágicos da história recente, como a ascensão do nazismo ou as ditaduras latino-americanas. No mais diferentes entre si, identifiquei essa forma de escrita em já consagrados autores como W.G. Sebald, Roberto Bolaño e Gonçalo M. Tarares ou novos nomes como Marcelo Ariel e Rodrigo Naranjo. Seus livros têm uma linhagem.

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Nas últimas colunas apresentei algumas leituras de autores que se utilizam dos relatos da memória para tecer poemas, narrativas, contos e romances e como esta literatura (de natureza ficcional em grande parte) dão perspectiva para a reflexão sobre a experiência recente de tragédias sociais como Vila Socó (Marcelo Ariel), das ditaduras latino-americanas (Roberto Bolaño e Rodrigo Naranjo) ou, duas gerações antes, o destino forçado de emigrantes que se afastavam ou fugiam da ascensão do nazismo (W.G. Sebald).

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II A junta militar por dentroOutro autor que li sobre o mesmo prisma foi o chileno Roberto Bolaño. É algo que vale para muito de sua obra, mas referi-me principalmente ao romances “Noturno do Chile” no texto “História e literatura em Bolaño” (aqui), primeira obra sua publicada no Brasil, em 2004, um ano após sua morte. Seu narrador é um crítico literário e poeta que, ao fim da vida, narra o começo de sua carreira na década de 70 quando, após o golpe, forma-se como padre e, após alguns serviços intelectuais para a Opus Dei, acaba dando aulas de marxismo para a junta militar.

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As narrativas de testemunho em primeira pessoa – como “Memórias do cárcere” (Graciliano Ramos) ou “O que é isso, companheiro?” (Fernando Gabeira) – são entranhadas pela memória dos fatos vividos pelo narrador, são verdadeiros documentos históricos e na Argentina têm até valor como prova testemunhal nos julgamentos de torturadores.

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O autor alemão W.G. Sebald (1944-2001) tem sido publicado no Brasil no últimos anos e atraído a atenção de críticos e leitores. O efeito da união de fotografias antigas ao longo das narrativas de “Os Emigrantes”, por exemplo, promove um efeito de verossimilhança, de verdade, até, que põe o leitor em contato direto com uma vida, ainda que fictícia.

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