O escritor chileno Rodrigo Naranjo esteve em Santos na última quinta-feira (09), quando lançou no Sesc Santos “Apartados” (2011, edição bilíngue espanhol/português), livro de relatos que, como apresentou o escritor Ademir Demarchi, “suspende as fronteiras entre os gêneros”, rompendo os limites entre ensaio e ficção.

Porto Literário se debruçará sobre os textos com o tempo; hoje, no calor da hora, a coluna se debruçará sobre alguns aspectos da realização do livro, cuja produção traça um mapa literário da América Latina.

Naranjo conta que começou a escrever o material quando morava em New Hampshire, Estados Unidos, trabalho que se estendeu pelo México, em sua temporada por lá, e foi concluído já de volta a Santiago, no Chile, onde dá aulas de Filosofia.

A edição começou a ser pensada quando, em 2008, Naranjo encontra em Buenos Aires o poeta catarinense Cristiano Moreira, que inicia a tradução do material para o português. Ao longo do tempo, o brasileiro convida para o esforço de tradução Miguel Rodriguez, peruano radicado no Brasil desde a adolescência.

Ao time se une o ilustrador argentino Jorge Opazo, responsável pela capa e pelas ilustrações que abrem os 12 textos do livro.

Até a parte editorial é dividida: “Apartados”, palavra espanhola e portuguesa ao mesmo tempo, é uma coedição entre a editora brasileira Papa Terra e a argentina www.edicioneslacebra.com.ar, de Buenos Aires, sendo impresso também no país vizinho. Aqui no Brasil, Naranjo e Moreira têm viajado entre cidades dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina apresentando o livro aos leitores brasileiros.

Para o público portuário, a coluna chega ao fim com a transcrição de um belo trecho do relato “El faro / O Farol”, na versão em português de Cristiano Moreira:

O Farol ilumina exercendo este ofício da inocência que é também advertência para que ninguém se aproxime muito das margens porque o costão é de pedras pontiagudas e afiadas. Há redemoinhos onde o melhor navegante se afogaria. O farol é o sinal e a advertência da noite e do dia. Dizer na claridade o que é da escuridão, seria uma violação. No claro, uma impertinência. O Farol é um pacto, um portal entre a noite e o dia. Um umbral para a noite e uma tumba ou um segredo para o dia. Um sepulcro para aqueles que não conseguem vê-lo. Uma candeia esperando amainar a tormenta. É uma alegria ver como o Farol vai tingindo as ondas excitadas e em repouso que se mantém como dobradiças sob o céu liso.

Esse farol acabou no Porto de Santos.

Referência
Rodrigo Naranjo. Apartados. Tradução Cristiano Moreira e Miguel A. S. Rodriguez. Edição bilíngue. Navegantes / Buenos Aires: Papa Terra / Ediciones La Cebra, 2011.

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