Alessandro Atanes

Jornalista e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Servidor público de Cubatão, atua na assessoria de imprensa da prefeitura do município.

Foi pela temática, o 11 de setembro de 2001, que aproximei obras tão distintas como “El mal de Montano” (2002), de Enrique Vila-Matas, e “Edoardo, o Ele de Nós” (2007), de Flávio Viegas Amoreira no artigo da semana passada. Nos dois romances – ainda que “Edoardo...” possa ser considerado uma novela – acompanhamos como a data afeta narradores e personagens. Hoje, guiado pela leitura das aulas de Roland Barthes sobre “A Preparação do romance”, retomo os dois livros por outro ponto em comum: ambos debruçam-se sobre o fazer literário e a própria Literatura.

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Quase lá no meio do “Grande Sertão: Veredas” (pg. 116 da edição comemorativa da Nova Fronteira), Riobaldo, a voz que ouvimos ao ler o clássico romance de João Guimarães Rosa que é sempre direcionada a um interlocutor a quem sempre se refere. Nesse trecho lembra de quando era menino moço e foi com a mãe ao porto do Rio-de-Janeiro, Bahia abaixo, já perto do Santuário do Santo Senhor Bom-Jesus da Lapa, onde o jovem de 14 anos, recuperado de uma enfermidade, pagaria promessa feita pela mãe ao pedir esmola na praça para encomendar uma missa. Assim, a coluna passa por mais uma descrição de cena portuária, ainda que de um porto humilde, na sublime prosa de Rosa:

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II A paisagem na poesiaO mistério do mar e a distinção da montanha. Por isso, retomo aqui o poeta peruano Javier Heraud (1942-1963), que tenho traduzido aos poucos neste Porto Literário. Na parte 4 de seu longo poema dedicado ao outono, “À espera do outono”, Heraud usa os dois elementos para descrever a expectativa pela chegada da estação:

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Em seus diálogos com Osvaldo Ferrari, gravados em 1984 para a Rádio Municipal de Buenos Aires, o escritor argentino Jorge Luis Borges de artes plásticas e lembrava como o inglês William Turner (1775-1851, Cores e luzes de Turner) foi o primeiro pintor a dar importância à paisagem:

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Após dois ensaios sobre o livro “O mal de Montano”, do espanhol Enrique Vila-Matas (Portos literários no Porto Literário e Inflamado de literatura), no qual o tema é a literatura como doença (o mal de Montano) que faz a experiência pessoal de cada personagem acessível apenas pela intermediação da literatura, não poderia deixar de retomar um dos casos clínicos mais conhecidos do mal de Montano, o do escritor argentino Jorge Luis Borges [foto], que, dizem, vivia apenas para a literatura.

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