A expressão "aumentar a garrafa, mas não o gargalo", usada durante as reuniões nos últimos dias, em Santos, com o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Antonio Henrique Pinheiro Silveira, define bem o problema. Da mesma forma como é o gargalo que limita a quantidade do que pode entrar ou sair de uma garrafa, nos acessos ao porto existem gargalos históricos, que não desaparecem apenas aumentando-se o tamanho da garrafa. E é o que o governo federal está tentando fazer para esta safra, depois do caos registrado no ano passado. Ainda mais que terá de escoar 10% mais que na temporada anterior, segundo as previsões federais para o setor.

A ideia até que é boa, procurando racionalizar o fluxo, para que o gargalo não seja obstruído e o escoamento seja o mais contínuo e regular possível. Vai ajudar. Mas não pode ficar só nisso, pois o gargalo precisa ser alargado com a máxima urgência. As necessidades logísticas não são uísque, que quanto mais ficar no tonel, melhor. Pelo contrário, o tempo faz com que azedem rapidamente, e o prejuízo com a demora só vai crescendo.

Denúncia é de novembro de 2012. Desde então, os números só pioraram

O ministro explicou que o governo montou um plano para organizar primeiro o acesso dos navios ao porto de Santos e em seguida controlar o sequenciamento do fluxo terrestre (caminhões e trens), informatizado (dentro da meta "porto sem papel").

A base desse controle será um sistema já implantado na Codesp. Todos os terminais de cargas tiveram mapeadas suas capacidades operacionais (estacionamento de veículos e cargas, velocidade operacional etc.), definindo-se a capacidade máxima de cada um na recepção diária de veículos. Assim, sabe-se o máximo de veículos que cada terminal pode receber por dia, e os terminais farão o agendamento das viagens dos caminhões considerando esse limite, com até sete dias de antecedência.

Com base nesse agendamento, o sistema monitorará as viagens desde as origens da carga, com postos de controle nas rodovias e apoio da Polícia Rodoviária e outros órgãos, que verificarão se os veículos estão dentro do cronograma. Todos os veículos com cargas para o porto deverão passar pelos pátios reguladores (na Baixada Santista, o Ecopátio e o Rodopark).

Serão tomadas várias providências para desestimular qualquer tentativa de acesso não agendado ao porto, estando previsto inclusive um controle no alto da Serra do Mar, para impedir a descida pelo sistema Anchieta-Imigrantes: "As pessoas verão que trafegar sem o agendamento será mais problema que solução", disse o ministro, explicando que sua vinda à região era justamente para definir este sistema de trabalho com os municípios no entorno do porto.

Foto: José Mário Alves/PMC

Prefeita de Cubatão debateu com o ministro e o presidente da Codesp o caos viário

Este colunista acompanhou a explicação lembrando a história do Garrincha com o técnico de futebol Feola, que apresentava em 1958 uma brilhante tática para vencer o jogo: "Falta só combinar com os russos".

No caso, os veículos de passeio, que a cada final de semana ou feriado – especialmente se prolongado – entopem as estradas, disputando espaço e preferência de pista com os caminhões.

Faltou combinar também com São Pedro, que costuma mandar chuvas intensas, alagando tudo (com uma importante ajuda do governo estadual, que há 30 anos não limpa os rios da região, agravando o problema). Faltou combinar com a população, que cada vez mais fecha as estradas para protestar por qualquer razão – e este poderá ser um bom motivo para alguns fechamentos de rodovias nos próximos meses.

Faltou ainda combinar com os bandidos, que já não se contentam mais em assaltar motoristas presos no congestionamento: já estão atacando veículos em movimento mesmo, e ai do motorista que não parar na hora – talvez pare para sempre.

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