Ah, o infinito mar oceano! Talvez para o poeta, mas não para quem dele depende e sabe que seus recursos são bem finitos, a começar pela sua capacidade de regeneração após desastres ambientais. Para alguns, uma latinha aqui, um saquinho acolá, não parecem nada diante da vastidão aquática a perder de vista, mas diversas organizações já têm mostrado que o problema pode assumir contornos muito graves em certos locais. Afinal, lembra o Instituto EcoFaxina, são 7 milhões de toneladas de lixo caindo no mar a cada ano, matando no mesmo período cerca de 100 mil mamíferos marinhos e tartarugas marinhas e mais de um milhão de aves aquáticas...

Se os primeiros navegadores ibéricos tinham a enfrentar apenas os sargaços que deram nome a uma área marítima na América Central, os modernos navegantes encontram todo tipo de destroços prejudicando a navegação. Em algumas áreas, levados pelas correntezas, formam verdadeiros lixões marítimos, cada vez maiores (embora não claramente visíveis como alguns imaginam, por serem formados de partículas muito pequenas, como na chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico). Em todo o planeta, materiais de lenta degradação e poluentes matam a vida marinha, tal como aconteceu nos rios Tâmisa (antes da custosa recuperação) e Tietê (que raros lembram ainda ter sido piscoso e ótimo para esportes náuticos).

Os países ditos desenvolvidos tentam lidar com seu lixo da pior forma: despachando-o para outros lugares do planeta onde não haja tanta resistência a se tornarem latas de lixo do mundo. Aconteceu várias vezes no Brasil: contêineres lotados de lixo foram encontrados nos portos brasileiros, prontos para certos destinos no interior nacional – e tiveram de ser recambiados à origem. Também existe ampla legislação internacional contra a contaminação marinha e tratando das formas corretas para descarte do lixo de bordo: o problema é flagrar os porcalhões.

Ainda bem que um passageiro registrou, e o nome da MSC é que vai ficar sujo

Os navios de cruzeiros marítimos que circulam pelas costas nacionais não parecem ser primores de higiene, a julgar pelos seguidos casos de contaminação alimentar, que resultam em doença e morte de passageiros e tripulantes. O problema chegou a ser tão grave, no auge da temporada anterior de cruzeiros, que as empresas foram enquadradas pelas autoridades.

Mas, no caso do descarte de lixo e líquidos em alto mar, a fiscalização é mais difícil, e é preciso provar o fato para aplicar a punição. Por isso mesmo, é importante que as normas sejam rígidas e as punições severas, para que não compense a ninguém arriscar-se na contravenção. Pelo visto nas últimas denúncias, o rigor não tem sido suficiente, que o diga a MSC.

Mais que punir, é preciso também conscientizar. Primeiro, que junto com o lixo internacional chegam seres vivos não comuns no Brasil e que por isso não encontram predadores naturais que controlem sua população. Esta é uma das causas da chamada bioinvasão. Vários casos de desastres ambientais foram registrados (como o das algas tóxicas na Baía de Todos os Santos), até como decorrência do descarte indevido da água de lastro dos navios em águas brasileiras. E segundo, que remover os poluentes e detritos do mar é difícil, às vezes quase impossível. Por exemplo, mesmo nas áreas de concentração de lixo, coar a água do mar pode retirar dela, junto com o lixo, os micro-organismos nativos, que são a base da cadeia de alimentação de outras espécies. Em outras palavras, pode matar a vida marinha, como explica o site globalgarbage.org.

A MSC e suas congêneres deveriam ter instruções severas a bordo dos navios, mas parece que para algumas empresas o importante é faturar tanto quanto possível, e descartar corretamente o lixo tem um custo... que aliás já está embutido no valor das passagens e dos fretes, não é favor nenhum agir corretamente...

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