Basta de criancice. Vocês, donos de empresas que não nasceram ontem, sabem muito bem o que estão fazendo. Assumam as suas responsabilidades. Não fiquem botando a culpa em quem não a tem. Há momentos em que a paciência acaba. Querem multa, querem protestos à sua porta? Querem que suas empresas sejam fechadas? Não se importam com os prejuízos? Não reclamem depois.

Não invoquem o argumento de que suas atividades são imprescindíveis para a economia do Brasil, que por isso estão acima da lei e da ordem. Não estão. Se são tão superiores a tudo como se julgam, então que o sejam de fato. Mostrem grandeza de atitude, em vez do que estão fazendo.

Vocês estão fazendo pouco caso do cidadão que paga seus impostos (vocês pagam?), que tem compromissos a cumprir (vocês cumprem os seus?), que precisa às vezes de atendimento urgente de uma ambulância, dos bombeiros (vocês não estão livres disso, lembrem!). Vocês estão prejudicando a imagem do Brasil no exterior - imagem que tantos lutaram para construir, para melhorar. Com a sua irresponsabilidade, estão pondo por terra um trabalho enorme, de muita gente.

Quer dizer que Mato Grosso é o culpado? Ou será talvez o rei Momo?

Suas desculpas não ficam bem, nem na boca de uma criança. Cresçam, se querem aparecer.

Primeiro, disseram que a culpa pelos congestionamentos é do grande número de caminhões. Considerei como uma piada de mau gosto. De humor negro. No máximo, um comentário infeliz de algum inconsciente. Ora, se não houvesse grande número de veículos, decerto não haveria congestionamento, alguém imagina o contrário? Isso é trocar efeito por causa, truque barato de oratória.

Seria um fato isolado, uma desculpa inventada na hora por quem não tinha boas desculpas a dar. Registre-se e esqueça-se. Se tivesse crescido mentalmente, tal empresa pediria desculpas, em vez de oferecê-las tão ridículas.

Mas agora ouço outra empresa, pilhada em flagrante com uma fila infindável à porta, empilhando desculpas ainda mais infantis. Primeiro, que o acúmulo de caminhões se deu em razão dos feriados de carnaval. Chamem o Arlequim! Prendam o rei Momo! Pois o agendamento das chegadas dos caminhões ao porto não foi justamente para evitar isso? Por que a empresa não fez o que tinha de fazer? Se tivesse agido corretamente, o congestionamento não existiria, o Carnaval não seria desculpa. A festa consta do calendário humano há tempos imemoriais, não foi nenhuma surpresa. Com ou sem ordem para agendar, a empresa tinha que incluir os feriados em suas previsões. Pagou o mico de passar por irresponsável.

Em seguida, a mesma irresponsável veio didaticamente explicar que "outro problema são as más condições das estradas de Mato Grosso". 'Cumequié'? Não sabe que o Carnaval acabou, está querendo continuar com a folia? As más condições nas estradas mato-grossenses, como em todo o país, podem atrasar a chegada dos veículos ao porto, não adiantá-la (ou será que as estradas ficaram tão lisinhas que, deslizando, o caminhão não consegue frear e chega mais rápido ao destino?) Ora, entre Mato Grosso e o porto de Santos tem todo o estado de São Paulo. Não há em tanta extensão de terras espaço para manter os caminhões, de forma a organizar a fila de chegada ao porto, como ficou decidido em janeiro e implantado em fevereiro?

O que era criancice, nos primeiros dias, virou deboche, cinismo. É tratar como imbecis a população e as instituições. Eu não aceito esse tratamento.

Sejamos claros: as empresas querem o transporte das cargas até seus terminais, mas não querem pagar o real custo, pois isso reduz ligeiramente seus lucros. Então, jogam os problemas nas costas dos outros. Das cidades, que ficam paralisadas. Dos caminhoneiros, que ficam com seus veículos parados 30 horas ou mais, sem o mínimo de infraestrutura para um tratamento humano a todos eles (ou eles não precisam se alimentar, dormir, não têm outras necessidades pessoais). Culpadas são as vítimas, por existirem...

Sem considerar que esses trabalhadores não recebem pelo tempo parado à disposição das empresas, em detrimento da vida familiar e de outros afazeres, ou mesmo do direito de manter seus veículos circulando no transporte de outras cargas, tentando fazer este país funcionar.

Está aí uma sugestão para complementar o agendamento: um fiscal controlar a chegada dos caminhões, e fazer que as empresas paguem – bem - aos motoristas pelo tempo perdido desde então até a liberação dos veículos. Independentemente das multas – que precisam ser mais eficazes, para serem respeitadas.

Por não terem investido em pátios reguladores e estacionamentos, que são parte intrínseca de seu negócio – esperavam que o governo, ou nós todos, pagássemos para que elas fizessem o favor de ter lucro -, agora as empresas moralmente nanicas dão desculpas ridículas.

Imagem: Facebook/Sadao Nakai

Resumo da ópera, numa rede social; o público começou a cobrar

Em certas horas, o governo está errado. Há problemas nas estradas. Há falta de fiscalização. Há estruturas que deviam estar prontas e nem começaram a ser feitas. Mas, há momentos em que é a iniciativa privada que merece um puxão de orelhas bem dado. Para que, se ainda lhe restam brios, assuma os erros, peça desculpas ao Brasil e comece a agir como adulta. Ou pensam tais empresas que é fazendo beicinho e cara de choro que vão conquistar espaço no mercado internacional?

O puxão de orelhas é para seu próprio bem. Parem de dar tiros nos pés, com "economias" ridículas nas suas infraestruturas, que resultam em prejuízos muito maiores, ou com desculpas ainda mais ridículas, que só depõem contra seu nome e prejudicam toda a classe empresarial brasileira, aqui e no mundo inteiro.

Pensam mesmo que o mundo não sabe das suas traquinagens, dos seus desaforos? Acham que episódios assim vão emoldurar os seus "balanços sociais", que em todo o mundo são cada vez mais exigidos antes da assinatura de contratos comerciais? Ouviram falar de uma tal de Internet, que nada esquece e tudo comenta?

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