Domingo, 01 Março 2026
Opinião | Paulo Schiff
Engenheiro portuário e jornalista. Apresentador do ISFM News na ISFM - 100,7 e na ISTV. No YouTube, radio_isfm.
Paulo Shiff

O ano de 2026 parece trazer um horizonte colorido para o Porto de Santos. Um arco-íris.

Pelo menos duas promessas antigas, e postergadas até o ponto de serem olhadas como sonhos impossíveis, dão sinais de concretização. Sinais concretos de concretização, poderia escrever um articulista mais distraído.

A ligação seca entre Santos e Guarujá deve ter contrato de execução assinado ainda neste mês de janeiro. O leilão da concessão foi vencido no ano passado pelo grupo português Mota-Engil.

O túnel submerso no mar, primeiro no Brasil, vai reduzir o trajeto de caminhões que carregam ou descarregam na margem esquerda do Porto, eliminar o trânsito de balsas transversal ao de navios no canal do estuário e facilitar um projeto futuro de rodovia / ferrovia que ligue o porto às regiões produtoras, com início no Rodoanel e chegada na margem esquerda por Guarujá ou pela área continental de Santos.

Um efeito colateral é a integração definitiva da Região Metropolitana da Baixada Santista porque o túnel tem previsão de espaço para o VLT que já liga São Vicente a Santos e pode alcançar, depois dele, Guarujá e Bertioga.

O custo da obra está em torno de R$ 6 bilhões e a conclusão prevista para 2031. O primeiro esboço desse projeto tem quase 100 anos: é da década de 20 do século passado.

Menos espetaculoso, menos postergado (13 anos) e mais próximo de operar é o Tecon 10 Santos. O leilão pode acontecer, se não houver mais nenhum entrave "burrocrático", em março.

Em funcionamento pleno, esse terminal vai ampliar a capacidade de movimentação de contêineres de Santos de cerca de 5,5 milhões de TEUs por ano para mais de 9 milhões e colocar o porto entre os 20 maiores do mundo (o critério de medição é pelo número de contêineres movimentados).

O Porto de Santos está chegando na saturação em contêineres e já tem perdido cargas pela demora na implantação desse terminal. Essa questão fica equacionada pelo leilão e pela concessão, porque o início de operação é imediato ainda que a capacidade plena possa demorar até 3-4 anos para ser implantada gradativamente

O aprofundamento do canal para 16 metros e a unificação das linhas ferroviárias internas, inclusive com a instalação de uma pera na margem direita já estão em andamento.

Esse metro a mais na profundidade vai permitir o recebimento de navios Panamax (até 366 m) e New Panamax (até 400 m) sem a necessidade de aguardar maré alta para entrada e saída.

E a operação ferroviária pelo consórcio que uniu as três gigantes (VLI, Rumo e MRS) já vai dando resultado. Nestes 3 últimos anos, a participação do modal ferroviário subiu de 30 para 35% do total de cargas movimentadas em Santos, parcela já bastante significativa para um porto que tem granéis como soja, milho e açúcar no topo das tonelagens.

2026 traz essa realidade. Talvez traga também o encaminhamento de outras obras com potencial de equacionar definitivamente o acesso das cargas a Santos: o Ferroanel e a terceira pista da Imigrantes ou a tal ligação Rodoanel-Margem Esquerda. Mas aí só com bola de cristal.

Por enquanto, também só com bola de cristal para saber se Anderson Pomini começa março na presidência da Autoridade Portuária. Ele pode estar de mudança para Brasília com endereço ainda incerto: mais perto do Ministério da Justiça do que do de Portos e Aeroportos.

Paulo Schiff
Engenheiro portuário e jornalista. Apresentador do ISFM News na ISFM - 100,7 e na ISTV. No YouTube, radio_isfm.
 
Curta, comente e compartilhe!
Pin It
0
0
0
s2sdefault
powered by social2s

topo oms2

Deixe sua opinião! Comente!