Terça, 24 Fevereiro 2026
O recém-empossado subsecretário de Desenvolvimento Portuário, Fabrizio Pierdomenico, tinha tanta liberdade com os operadores do Porto de Santos que mal deixou a diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e logo inaugurou uma empresa de consultoria portuária. O foco era detectar investimentos e negócios para as empresas do setor. São justamente essas companhias que têm interesse nas decisões da Secretaria Especial de Portos, órgão ao qual Pierdomenico está subordinado.Nos quase dez meses em que ficou à frente da consultoria, ele pôde ser visto em festas e restaurantes com empresários e executivos, distribuindo cartões e oferecendo seus serviços. Segundo fontes, um deles é Delvan Monteiro, um “consultor”da Santos Brasil, o maior terminal do Porto de Santos.Desde fevereiro deste ano, Pierdomenico é réu em um processo na Justiça Federal sobre suposto favorecimento à Santos Brasil, empresa ligada ao banco Opportunity, de Daniel Dantas. De acordo com o processo, a que o Estado teve acesso, ele teria beneficiado a companhia enquanto era diretor comercial e de Desenvolvimento da Codesp, que administra o porto. Pierdomenico foi nomeado para a diretoria do órgão em 2003, como cota do PT.A Fabrizio Pierdomenico Consultoria Portuária foi fundada pelo ex-diretor comercial da Codesp assim que ele saiu do cargo, em setembro do ano passado. Montou a empresa no 1º andar de um prédio comercial, no tradicional bairro do Gonzaga, em Santos.Após receber o convite para o cargo de subsecretário, Pierdomenico retirou o seu nome do quadro societário da empresa. Em seguida, enviou o contrato social para a Secretaria Especial de Portos, que o encaminhou para a Casa Civil. Segundo Pierdomenico, a consultoria manteve os outros dois sócios.A reportagem do Estado esteve no local e pôde verificar que a placa com o nome da empresa de Pierdomenico continua no hall de entrada do prédio e na porta do escritório. Uma funcionária afirmou que o nome da consultoria havia mudado para Agência Porto.Ao ser questionada, em um primeiro contato telefônico, a secretária da empresa afirmou que se tratava da Pierdomenico Consultoria. Mas, em seguida, corrigiu: “É da Agência Porto. É que mudou o nome.” Mais tarde, em novo contato, ela foi mais direta ao ser indagada sobre o ex-diretor da Codesp. “Ele agora fica em Brasília, na Secretaria de Portos. Não é mais sócio da empresa porque ele trabalha para o governo e não pode ser sócio de empresa privada”, disse ela, com um texto ensaiado.Segundo fontes ouvidas pelo Estado, apesar de ter sido nomeado para o cargo de subsecretário, Pierdomenico continuou freqüentando o escritório. Por meio da empresa, ele manteve contato com os principais agentes portuários do País. No final do ano passado, por exemplo, esteve na festa de confraternização da Tecondi, uma das maiores operadoras do Porto de Santos.Há suspeitas de que a consultoria de Pierdomenico teria prestado serviços para a Santos Brasil. Por meio de nota, a empresa afirmou “não existir qualquer contrato entre ela e Fabrizio Pierdomenico”.A NOMEAÇÃOA nomeação de Pierdomenico foi conturbada desde o início. Chegou a ser publicada no Diário Oficial da União por duas vezes.Na edição de 3 de junho, o D.O. traz a exoneração de Carlos Alberto La Selva do cargo de subsecretário de Planejamento e Desenvolvimento Portuário da Secretaria Especial de Portos e a nomeação de Pierdomenico para a função. Na edição do dia seguinte, portaria assinada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cancela a exoneração de La Selva e a nomeação de Pierdomenico.O cancelamento ocorreu porque a publicação foi feita em data errada. Embora a mudança estivesse definida pelo ministro da Secretaria de Portos, Pedro Brito, não poderia ter ocorrido na ocasião porque La Selva estava em viagem internacional.

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Para minimizar as perdas com a desaceleração do mercado norte-americano e obter ganhos com o aquecimento da economia brasileira, vários franqueadores de países como Estados Unidos miram o mercado nacional como um dos principais em planos de expansão entre países emergentes. A idéia é explorar regiões com maior poder aquisitivo, de olho no rastro da alta renda. Assim, redes como Mail Boxes Etc., EDS, Coldstone e Right At Home, buscam parceiros brasileiros interessados em desenvolver máster franquias ou parcerias regionais. No ramo de alimentação fora de casa surgem para explorar o potencial brasileiro bandeiras como as hamburguerias Carl’’s Jr. e Wendy’’s, além da La Salsa (de comida mexicana) e a Cold Stone (rede de sorveterias).Na área de prestação de serviços, há focos diversos, como a Handyman, de manutenção e reparos, a Crestcom, de treinamentos para empresas, além da Right At Home, de cuidados em casa e acompanhamento a pessoas idosas. Com exceção da Handyman, que exige investimento em furgão e ferramentas, as outras duas têm em comum o baixo custo de investimento, pois não necessitam de unidade física para começar a operar. A Crestcom procura parceiros com US$ 75 mil para investir dentro de um acordo de 12 anos, e com US$ 500 mil para interessados em desenvolver áreas."Um dos mercados em que a Handyman mais cresce é a China, pois é um mercado que começa a exigir mais qualificação na prestação de serviços", diz William Edwards, executivo-chefe da consultoria norte-americana EGS, especializada em internacionalização de franquias, responsável por redes como La Salsa, Mr. Handyman, Planet Beach, do ramo de estética, e Signs Now, de sinalização comercial. Esta última mira oportunidades na expansão do varejo e, obviamente, do próprio mercado de franquias.ExpansãoHá dois anos no Brasil, a Mail Boxes Etc. também está de olho na expansão das suas operações. A rede mira na expansão das pequenas e médias empresas no País e planeja ampliar seu alcance por meio de parceiros regionais, seguindo o modelo que adotou no México. A expectativa é chegar a 300 lojas em dez anos e ter de 25 a 30 lojas até o fim de 2009.A franquia começou em 1980, nos Estados Unidos e conta com quase 6 mil lojas no mundo. "Estamos entre as 15 maiores franquias em nível mundial, somos a número 11 no mundo, segundo o ranking de 2008 da Enterpreuner 2008 (publicação norte-americana especializada em empreendedorismo). Temos mais de 80% do mercado no que fazemos no Estados Unidos", garante Kevin May, presidente da Mail Boxes Etc e sócio da empresa para a América Latina, além de presidente da BME Brasil. Nos EUA, as principais concorrentes são Packmail e Postnet. Só a Postnet está no Brasil, mas tem poucas lojas.O maior mercado da rede são os EUA, onde há mais de 4 mil lojas. Outros grandes mercados são Itália, Canadá e Alemanha. No México, a empresa começou a operar em 2003 e atualmente abre 10 a 15 lojas por ano lá e soma 40 lojas abertas. A expansão por franquias começou em 1993, na Colômbia. Em 2003, a rede comprou os direitos para o México e em 2005 os direitos para entrar no Brasil e no Paraguai.Em 2006, montaram uma loja piloto na Vila Olímpia, em São Paulo. Atualmente são 9 franquias outorgadas no Brasil, com 4 operações em funcionamento: três paulistas (capital, Barueri e Campinas) e uma em São Luis (MA). A franquia tem parceiro para desenvolver quatro áreas no estado de São Paulo e outro para quatro estados do Nordeste."Nosso foco é, em até 24 meses, conseguir representantes de área para todo o País. No Estado de São Paulo, temos quatro regiões. No Sul, teremos uma área por estado. O número de regiões vai depender da concentração do comércio da região. Já temos 16 áreas no Brasil e cada área pode dar apoio a 25, 30 lojas" No primeiro semestre deste ano, a rede fechou contrato com outro multifranqueado em São Paulo, que comprou licenças para abrir 4 lojas. Uma delas será na região da Berrini, zona sul de São Paulo. "As licenças já estão pagas, mas ele abrirá uma unidade por ano", diz."A vantagem de ter um representante de área é que temos todo o know-how, fazemos o treinamento e capacitação. Mas um representante de área será mais adequado para dar apoio aos franqueados da sua região. Ele tem de operar uma unidade piloto, que é o modelo para atrair outros franqueados. Ele participa de um treinamento teórico, depois ele volta para uma unidade piloto do representante de área. Ele também ajuda na inauguração da loja do franqueado."O investimento para o ponto é de R$ 250 a 300 mil por unidade, o que inclui operação por dez anos e capital de giro. Outra alternativa é ser representante de área: abrir lojas e trabalhar com a marca para desenvolver a rede. A licença custa R$ 350 mil, em média. O representante tem participação de 40% nas taxas de franquia, que é R$ 62 mil e tem 2% dos royalties, que totalizam 6%, sendo 1% vai para a Mail Box Etc EUA; 2%, para os representantes de área e 3% para a Mail Box Etc Brasil.

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A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nomeou como número 2 da Secretaria Especial de Portos, ligada à Presidência da República, um integrante do PT acusado de favorecer a Santos Brasil, empresa controlada pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas.

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Em relação à polêmica neo-privatização portuária engendrada pelo Governo Lula - portos privativos autorizados a movimentar cargas de terceiros - a ser feita por um anunciado decreto presidencial, o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, esclareceu que “tudo vai depender do plano de outorga do governo”. Bom, se tudo vai depender desse plano, ele será algo muito importante. A pergunta é: qual é o plano?

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Questões relacionadas com as mudanças de clima ainda são tratadas no Brasil como temas de meio ambiente. A realidade é que os efeitos das mudanças climáticas começam a repercutir fortemente na geoeconomia e na geopolítica mundial e terão grande impacto sobre a política internacional e sobre muitos aspectos sociais e populacionais. Mais cedo do que se pensa, as conseqüências do aquecimento serão encaradas como questão de segurança nacional.O risco de um cenário de tensões crescentes, em diferentes regiões do mundo, pode ser explicado, em especial, por três elementos:A emergência da China com poucos recursos agrícolas, minerais e energéticos para atender a suas crescentes necessidades de gás, de petróleo, da quase totalidade dos minerais, de madeira e de produtos agrícolas e alimentícios.Países com instituições fracas ou com governos autoritários (Congo Brazzaville, Libéria, Serra Leoa, Sudão, Iraque, Irã e por exemplo) estão se beneficiando de um crescente fluxo de investimentos e da venda de seus recursos naturais (sobretudo minérios, petróleo e gás) a preços cada vez mais altos, o que poderá aumentar a instabilidade global.O aumento das tensões em razão dos múltiplos efeitos da mudança de clima global sobre a disponibilidade de recursos naturais e produtos alimentícios.É evidente que não se deve exagerar o risco real, a curto prazo, de conflitos para assegurar os recursos naturais indispensáveis à sobrevivência de grandes massas populacionais. Não se podem, no entanto, ignorar o problema e sua importância, já que a escassez desses produtos sempre interage com outros fatores, como a ecologia, a política, a economia e elementos institucionais.O impacto maior até aqui tem sido causado, entre outros fatores, pela alta dos preços dos recursos energéticos e dos minerais, pela crescente escassez de água e pelo aparecimento do fenômeno de deslocamento populacional.As conseqüências da mudança de clima, nos próximos anos, poderão ter um efeito cumulativo sobre os já graves problemas de escassez de alimentos. Distúrbios em vários países relacionados com o aumento dos preços dos alimentos são um terrível prenúncio do que poderá ocorrer no futuro.Estudos recentes, realizados pelo Centro de Análise Naval dos EUA (A ameaça da mudança do clima e segurança nacional) e pelo Serviço de Monitoramento das Geleiras no Mundo, da Universidade de Zurique, analisam os riscos que as rápidas mudanças climáticas, devidas ao aquecimento global, colocam para a estabilidade internacional e para a segurança nacional de todos os países.A falta d’água ou seu excesso (tanto pelo aumento do nível do mar quanto pela escassez derivada do derretimento das geleiras), a queda da produção agrícola e o potencial impacto sobre a produção de alimentos, o uso dos recursos naturais, a utilização do petróleo e do gás como armas políticas e a disseminação das pandemias (ameaça de doenças com extensão global) são algumas das áreas que poderão ser fontes de tensão ou de conflitos no médio e no longo prazos.A maior parte das geleiras que alimentam rios e reservatórios de água está se desfazendo de forma acelerada, podendo acarretar no futuro o desaparecimento de rios, com efeitos sobre o fornecimento de água potável e a utilização da sua força em hidrelétricas.A fonte de alguns dos maiores rios asiáticos, como o Indo, o Ganges, o Mekong, Yang-Tsé e o Rio Amarelo são as camadas de gelo do Himalaia. Se essas geleiras continuarem a derreter, o fornecimento de água de grande parte da Ásia, tão densamente povoada, vai se reduzir drasticamente. O mesmo ocorre com os países andinos que recebem água das Cordilheiras dos Andes, como é o caso do Peru e da Bolívia.O aumento do nível do mar, em conseqüência do degelo na região ártica, como mostra recente relatório do Centro de Informação sobre Neve e Gelo da Universidade do Colorado, pode causar o declínio das florestas, além de afetar cidades costeiras, países e ilhas oceânicas. Estes fatos podem acarretar movimentação populacional (como foi o caso do Furacão Katrina, em New Orleans, e do tsunami, na Indonésia), criando problemas econômicos e sociais de grande magnitude.Regiões que já sofrem escassez de água, como Kuwait, Jordânia, Israel, Ruanda, Somália e Argélia, podem ser confrontadas com a necessidade de buscá-la de qualquer maneira, na medida em que as mudanças no clima agravem a situação. Provocada pelo aquecimento global, a desertificação de áreas hoje produtoras de alimentos (o Brasil poderá ser um desses países afetados) e o aparecimento de novas regiões de produção agrícola (como a Sibéria) hão de alterar a geopolítica da agricultura mundial.Em relatório de 2005, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estudou o efeito das mudanças globais de clima sobre a saúde. A OMS chama a atenção para o risco potencial da disseminação de doenças derivadas das alterações climáticas, com efeitos importantes sobre as condições sanitárias em importantes concentrações populacionais. Trata-se de prever quando, como e onde deverão ocorrer os maiores impactos. O referido relatório levanta uma série de preocupações sobre a disseminação de doenças como a dengue, a malária e a salmonela.O debate sobre o papel da competição pelos recursos naturais nas relações internacionais ainda passa ao largo de nossas preocupações, pela posição privilegiada que desfruta o Brasil. Nem por isso deve ser dada menor importância ao problema, uma vez que poderá afetar-nos diretamente. A repercussão no exterior da devastação da floresta amazônica e os problemas energéticos que estão ocorrendo hoje na América do Sul sugerem a necessidade de nos posicionarmos para encarar essa nova realidade. Rubens Barbosa, consultor de negócios, é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp

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