Principal objetivo é criar um elo com a organização e as comunidades que são atendidas. Pesquisa inédita da ONG Riovoluntário, em parceria com o Grupo de Estudos, Fundações e Empresas (Gife) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) identificou o perfil do voluntariado corporativo no Brasil. O estudo mostra como os programas são conduzidos, elencando metas, modelos de ação, motivação, públicos atingidos, estratégias, funcionários e avaliação. Segundo o levantamento "Perfil do Voluntariado Empresarial no Brasil", 51% das empresas entrevistadas consideram seus programas bem-sucedidos, revelando um entusiasmo que explica porque essa atividade tem crescido entre as corporações brasileiras.
No maior acidente aéreo ocorrido no Brasil, um Airbus A-320 da TAM que vinha de Porto Alegre com 176 pessoas a bordo perdeu o controle ontem na pista principal do Aeroporto de Congonhas após o pouso. Sem conseguir controlar a aeronave, o comandante ainda tentou arremeter o Airbus, mas o avião acabou atravessando a Avenida Washington Luís, passou sobre os carros e bateu entre o primeiro e segundo andar de um depósito de cargas da TAM, do outro lado da avenida. Havia informações, ainda não confirmadas, de vítimas entre pessoas que moravam ou passavam pelo local na hora do acidente.Até 1 hora de hoje não havia notícias de sobreviventes no Airbus. Oficialmente, 14 pessoas ficaram feridas e foram socorridas em hospitais. À noite, a TAM divulgou uma lista preliminar, com o nome de 11 mortos - incluindo seis funcionários da companhia. Segundo a Aeronáutica, só hoje pela manhã, após uma vistoria na pista, se decidirá se o Aeroporto de Congonhas será liberado para pousos e decolagens - embora companhias como a TAM continuassem a vender normalmente passagens ontem.O acidente foi o terceiro ocorrido em Congonhas em apenas 48 horas. Anteontem, um avião modelo ATR-42, da empresa Pantanal, derrapou na pista principal e parou na grama. Horas depois, um avião da TAM teve problemas semelhantes ao pousar, mas conseguiu arremeter.Especialistas apontam a falta de drenagem na pista como a provável causa para os três acidentes. O de ontem ocorreu 17 dias depois de a pista principal ter sido reaberta, mesmo sem as ranhuras transversais, o grooving, que facilitam a drenagem. Assim, a chuva das últimas 48 horas pode ter sido determinante. O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, cancelou compromissos e criou um gabinete de emergência. O governador de São Paulo, José Serra, defendeu o fechamento do aeroporto “pelo tempo que for necessário para a investigação”. Hoje, pelo menos até o meio-dia, a CET manterá uma série de bloqueios de trânsito na região.
Foram alguns segundos. O piloto do Airbus A-320 recebeu da Torre do Controle de Aproximação do Aeroporto de Congonhas a informação de que a pista estava escorregadia e molhada. Às 18h46, o avião da TAM com 176 pessoas a bordo tocou o solo pela primeira vez. Tudo parecia bem, e a torre disparou um aviso ao avião seguinte, que aguardava a vez para pousar. Mas, logo depois, os controladores de vôo ouviram gritos da cabine: “Vira! Vira! Vira!” Era um sinal de que algo estava errado. O Airbus não conseguiu pousar na pista principal e tentou arremeter. Ele atravessou a Avenida Washington Luís, bateu entre o primeiro e o segundo andar de um prédio e explodiu. O incêndio consumiu o Airbus, o edifício - um depósito de cargas da TAM - e um posto de gasolina vizinho. Todos os que estavam no avião morreram. Até a 1 h de hoje, 32 corpos haviam sido resgatados - 25 fora do avião e 7 na cauda do Airbus. Os bombeiros socorreram 14 feridos no solo.Cerca de 1h30 antes do maior acidente da história da aviação brasileira, a Torre de Congonhas havia pedido à Infraero que medisse a lâmina d’água na pista. Recebeu a informação de que ela “estava operacional”, o que a manteve aberta. O vôo JJ 3054 havia saído de Porto Alegre às 17h16. O Airbus aproximou-se do aeroporto sobrevoando o bairro do Jabaquara. Os controladores de vôo ouviram as últimas palavras da tripulação na cabine do Airbus e as relataram ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. O maior acidente da história da aviação brasileira foi uma tragédia anunciada, dizem especialistas em segurança de vôo. Eles apontam como possível vilão a falta de drenagem na pista do aeroporto - anteontem, dois aviões tiveram problemas na pista. Para a Aeronáutica, uma aquaplanagem do avião é uma das causas possíveis do acidente - a outra seria um problema nos freios do Airbus. A Infraero, responsável pelo aeroporto, informou não descartar um erro do piloto ao tocar a pista.Não há marca de pneu na pista ou na grama ao redor, o que indica que o piloto não freou. Ele tentou arremeter, mas a força que ele conseguiu extrair do motor foi insuficiente para decolar. No momento do choque, o Airbus estava aproximadamente a 180 km/h - velocidade típica de quem tenta arremeter. Os Bombeiros mobilizaram 150 homens e 50 viaturas e 2 helicópteros para controlar o fogo. A energia elétrica na região foi cortada. A área do aeroporto foi isolada pela polícia. A Defesa Civil interditou 27 imóveis. O aeroporto fechou. Mesmo assim, a TAM continuava a vender passagens para vôos que sairiam às 7 horas de hoje de Congonhas. A Polícia Civil e a Aeronáutica abriram investigações sobre o caso. Peritos iam verificar se havia material hospitalar radioativo no prédio atingido pelo avião.O acidente ocorreu 17 dias depois de a pista principal do aeroporto ter sido reaberta - ela ficou fechada 45 dias para reforma - mesmo sem as ranhuras transversais, o chamado grooving, que só seria feito no fim do mês. O grooving é um dos itens que compõem a drenagem da pista e só pode ser feito um mês após o concreto ficar pronto.O acidente com o Airbus foi o terceiro em Congonhas em 48 horas. Anteontem, também chovia em São Paulo. Às 12h43, um avião ATR-42, da Pantanal derrapou na pista principal e foi parar na grama. Outro incidente ocorreu às 17h40. Um Fokker-100 da TAM tentou pousar e quase saiu da pista. A LISTAOs nomes confirmados a bordo do vôo JJ 3054 até o início da madrugada são:Akio iwasakiAndrea Rota SieczkowskiAndrei François MelloCarlos Gilberto ZanottoCassio Vieira Servulo da CunhaClove Mendonça JuniorRicardo Kiey Santos (funcionário da TAM)Marcel Cassal Vicentim (funcionário da TAM)Michelle Silveira Unterberger (funcionário da TAM)Vinicius Costa Coelho (funcionário da TAM)Fabiola Ko Freitag (funcionário da TAM)A empresa informou que está com seu Programa de Assistência às Vítimas e Familiares ativado desde os primeiros momentos após o acidente e disponibilizou um número de chamadas gratuitas voltado para o atendimento aos familiares dos passageiros e tripulantes deste vôo: 0800-117900.
Segundos depois da explosão, cerca de 50 funcionários da TAM Express só pensaram em uma coisa: resgatar os colegas que estavam no prédio em chamas. Os gritos eram de colegas de trabalho. Ubiratan, Michele, Valdinei, Rivaldo, todos conhecidos por seus nomes de guerra. Duas pessoas pularam do segundo andar, em desespero. Outros, em pânico, imploravam para sair dali. Uma porta dos fundos foi arrombada pelo grupo de resgate improvisado. Muitos dos que estavam no térreo escaparam naquele momento. “Havia muita gritaria e correria, e não podíamos fazer muita coisa”, relata Luiz Ribeiro, auxiliar de cargas da TAM Express. Um dos gritos veio de Bira, que parecia estar preso em algum lugar dentro do prédio. Roberto Tressorras foi um dos que avistaram o colega debaixo de uma parede que tinha caído. “Ele falou comigo debaixo dos escombros. Juntamos umas 50 pessoas, tiramos primeiro um senhor que estava em óbito e depois o Bira”, afirma. Nesse momento, os bombeiros tinham acabado de chegar. “Não dava para pensar em nada, só salvar nossos colegas. Mas o fogo estava muito forte, não tínhamos extintores e não deu para salvar mais ninguém”, lembra Tressorras, que tarde da noite ainda permanecia com os colegas na Rua Barão de Suruí, na parte de trás do prédio. “Tiramos o Bira e vimos que ele estava com muitas escoriações, sem força, sangrava muito. Foi terrível”, acrescenta Ribeiro. Ao telefone, o auxiliar de cargas afirmava, a conhecidos, que estava bem, apenas cheirando a querosene e a fumaça do incêndio. Ribeiro estava indo jantar, quando ouviu a explosão. “Parecia quando alguém joga muito álcool de uma vez numa churrasqueira acesa.”Enquanto os bombeiros combatiam o incêndio, os funcionários recebiam informações por rádios de comunicação interna. Uma delas: um grupo ainda se encontrava preso dentro de um elevador, pedindo socorro. Mais tarde, eles ainda esperavam para saber se aquelas pessoas foram resgatadas. As informações eram confusas. ARREMETIDAEntre os relatos dramáticos, alguns davam pistas sobre a anatomia da tragédia. Um funcionário de manutenção da TAM diz ter visto o exato momento em que o avião acidentado pousava na pista e o piloto, provavelmente temendo não ser capaz de parar no espaço disponível, tentou arremeter. “Vi quando ele tentou desarmar o reverso e arremeter”, disse o funcionário, que pediu para não ser identificado, referindo-se ao dispositivo da turbina que inverte a direção do jato. Sem conseguir ganhar altitude, a aeronave atingiu o prédio da TAM Express, relatou o funcionário. Ele estimou que o Airbus 320 estava numa velocidade superior a 150 quilômetros por hora - alta demais para uma pista que, em sua avaliação, estava em condições precárias. “A semana inteira os pilotos reclamaram da pista escorregadia, disseram que um acidente grave seria inevitável. O acidente da Pantanal foi um aviso”. As condições da pista da Avenida Washington Luiz indicavam que o choque com o prédio foi praticamente direto. Os postes e a mureta de concreto que separam os dois sentidos da pista dos automóveis estavam intactos. Apesar dos relatos de motoristas que diziam ter escapado por pouco da aeronave, bombeiros e funcionários da TAM Express acreditavam que o avião atingiu basicamente o prédio, sem se arrastar pelo solo. Naquele ponto, a pista de Congonhas está muitos metros acima do leito dos carros.Para evitar aglomeração e facilitar o trabalho de resgate, a Polícia Militar evacuou toda a área do acidente e isolou a área do aeroporto até o viaduto sobre a Avenida dos Bandeirantes. A avenida foi interditada logo após o acidente, mas isso não impediu a chegada de centenas de curiosos ao local. Enquanto equipes de resgate, médicos, legistas e bombeiros trabalhavam, policiais militares se encarregavam de conter com cordões de isolamento os populares que chegavam a pé. FRASESRobson Caetano da Silva,Motorista da TAM Express“Ouvi um estrondo e uma das paredes começou a desabar. Vi gente em pânico, se jogando no chão, correndo para um lado e para o outro”“Tinha muita gente lá dentro. As chamas já estavam quase atingindo o 3.º andar quando vi duas pessoas se jogaremlá de cima. Foi terrível” Paulo ZaniFuncionário da TAM que escapou do prédio, em relato a seu sobrinho“Foi tudo muito rápido. O prédio encheu de fumaça. Tinha muita gente lá dentro. Precisei quebrar a janela para escapar”Luiz RibeiroAuxiliar de cargas da TAM Express“Havia muita gritaria e correria, e não podíamos fazer muita coisa (...) Parecia quando alguém joga muito álcool de uma vez numa churrasqueira acesa”
O problema do acúmulo de água na pista do Aeroporto de Congonhas causou um susto aos passageiros do vôo JJ 3949 da TAM, que fazia a ponte aérea Rio-São Paulo anteontem à noite. Tudo transcorria normalmente, até o momento em que o avião estava prestes a pousar em Congonhas, às 19h10. “De repente, a uns 20 metros de altitude, o piloto arremeteu. Já era possível ver a pista”, disse um dos passageiros, o advogado Jorge Henrique Guedes, de 53 anos. Segundo ele, a aeronave só pousou às 19h38 e, somente 15 minutos depois da manobra inesperada, o piloto informou no sistema de som do avião que havia desistido de pousar por conta do excesso de água na pista. “Ele também avisou que outro avião estava na pista, esperando autorização para decolar.” A decisão de arremeter por questões de segurança cabe ao comandante do avião.O advogado disse que houve inquietação entre os passageiros, mas sem pânico. Ele contou que ainda conseguiu ver, no primeiro procedimento de pouso, o avião da empresa aérea Pantanal que havia derrapado na pista horas antes. Apesar da seqüência de acidentes e do susto por que passou, Guedes disse que não vai deixar de andar de avião. “Fica sempre um receio, mas a necessidade do trabalho fala mais alto.”Guedes disse que o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, estava entre os passageiros do vôo, que havia saído do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, por volta das 18h30. O dirigente foi procurado pelo Estado, mas não retornou as ligações ontem à noite. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a TAM limitou-se a dizer que não houve registros de arremetida em seus vôos na segunda-feira.GROOVINGO acidente com o Airbus A-320 da TAM foi causado pela falta de ranhuras transversais na pista principal do Aeroporto de Congonhas, reaberta em 29 de junho. A afirmação é do agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho. As ranhuras - chamadas de grooving e necessárias para o escoamento de água - só podem ser feitas no concreto da pista um mês depois de ela ficar pronta. Isso porque é necessário que o concreto se consolide para as máquinas executarem o serviço. Sem isso, a água pode empoçar e causar aquaplanagem.“Era de se esperar que isso ocorresse”, disse Camacho. “A solução agora é enterrar os mortos.” O sindicalista também culpou a “ganância das empresas e a incompetência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)” pelo acidente. “Sempre defendemos que o aeroporto deveria fechar enquanto a reforma não fosse concluída, mas ninguém quer abrir mão dos lucros.”Camacho afirmou, ainda, que a pista deveria ter concreto poroso na lateral para que, em caso de derrapagem, o avião fosse detido pelo concreto, que afundaria, reduzindo as conseqüências do acidente. Mas isso, disse ele, nem sequer foi analisado pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). “As pessoas morreram gratuitamente.”O diretor de Segurança de Vôos do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, Ronaldo Jenkins, disse que não é possível culpar a pista pelo acidente. “Não dá para dizer que isso (o acidente) seja algo previsível. Vamos esperar as investigações para tirar alguma conclusão.” Ele ressaltou, porém, que a TAM tem a obrigação de prestar toda a assistência aos familiares das vítimas. O Estado apurou que a empreiteira OAS, uma das responsáveis pela obra, só se manifestaria após a divulgação da filmagem do pouso, pela Infraero. O presidente da Federação dos Trabalhadores da Aviação Civil, Celso Klaf, também diz que é cedo para culpar a pista de Congonhas. “O avião pode ter tido problemas com freio”, disse. “Já houve centenas de pousos sem problemas desde que a pista foi reaberta.”“Quantas centenas de pessoas têm de morrer para que o governo tome providências e acabe com os problemas da aviação?”, questionou o consultor de transporte aéreo Paulo Roberto Sampaio. “A pista estava uma indecência para a operação em pista molhada.” Segundo o consultor, a Infraero não poderia liberar a pista sem fazer o grooving. “O presidente (José Carlos Pereira) liberou (a pista) dia 29 porque no dia 1º de julho começava a temporada de férias, quando o movimento é maior.”PILOTOSPilotos ouvidos ontem pelo Estado criticaram a falta do grooving. “O avião ‘vazou’ a pista por falta de aderência do concreto com a roda da aeronave”, disse um piloto acostumado a operar em Congonhas. Outro piloto disse que a aeronave deslizou justamente pela ausência das ranhuras de escoamento d’água. “Sem a borracha dos pneus na pista, não há aderência. É como se um carro de corrida fizesse a curva fora do traçado dos outros carros. Provavelmente vai escapar.”Uma hipótese com peso menor, mas que não deve ser desprezada, é levantada por outros dois pilotos. Para eles, o avião pode ter perdido o sistema hidráulico, o que o fez ficar sem os freios. “Sem o sistema hidráulico, perde-se o sistema Antiski, que é igual ao freio ABS de um carro de passeio”, explicou um comandante. “Há 99% de chances de que, no pouso, o piloto tenha tocado o avião na divisória do primeiro com o segundo terço da pista, que está sem borracha, sem grooving e molhada. Com isso, não teria havido tempo para parar ou mesmo para arremeter”, afirmou outro piloto.