Terça, 24 Fevereiro 2026
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), 3ª maior produtora de aço do País entre as empresas de capital nacional, está prestes a fechar a compra da Companhia de Fomento Mineral (CFM), uma mineradora de médio porte com reservas localizadas no Quadrilátero Ferrífero (MG). Segundo fontes, o valor do negócio pode alcançar US$ 400 milhões. A CSN não se pronunciou.Se concretizado, o negócio será mais um passo da CSN rumo ao fortalecimento dos ativos de mineração da companhia. A empresa já anunciou que pretende abrigar todas as empresas ligada à mineração em uma empresa que será listada em bolsa. A meta da direção da CSN é abrir parte do capital da mineradora ainda neste semestre. O objetivo é aumentar o valor de mercado do grupo, que atualmente é de US$ 15,6 bilhões.Além de Casa de Pedra, uma mina com reservas provadas de 1,6 bilhão de toneladas, a empresa de mineração da CSN será formada ainda pela participação na operadora ferroviária MRS Logística, pelo Porto de Itaguaí, no Rio, e pela Nacional de Minérios S.A. (Namisa), uma trading exportadora de minério de ferro. É a Namisa, aliás, a empresa para a qual a CFM negociava parte da produção. A Namisa compra minério de pequenas e médias mineradoras do Quadrilátero Ferrífero para exportação através da logística da CSN. A meta este ano é exportar 7 milhões de toneladas por Itaguaí.Hoje, a CSN não pode exportar minério de ferro sem antes ofertar o mesmo volume à Vale do Rio Doce. O direito de preferência em Casa de Pedra garante à Vale o direito de adquirir todo o excedente de minério produzido pela CSN na mina.O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a Vale opte entre manter o direito de preferência da mina Casa de Pedra ou vender uma mineradora, a Ferteco. O cumprimento da decisão está suspenso por força de uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ).CORRIDAA compra da CFM, se efetivada, será o terceiro negócio envolvendo mineradoras de médio porte em Minas Gerais. A MMX Minas Rio Mineração, em parceria com a multinacional Anglo American, comprou por US$ 274 milhões a AVG Mineração de Minas Gerais. Aliás, CFM e AVG possuem ativos que estavam acomodados no grupo Itaminas no passado. A britânica London Mining vai investir US$ 130 milhões na expansão da produção de minério de ferro da Minas Itatiaiuçu, localizada na região de Serra Azul, a 70 quilômetros de Belo Horizonte.A corrida em Minas Gerais por ativos de mineração nunca esteve tão aquecida. A demanda mundial por minério de ferro reativou o movimento de consolidação de empresas de mineração em Minas Gerais. ’’Há vários ativos em negociação. Há muito anúncio de consolidações nos próximos meses em Minas’’, diz um negociador que acompanha algumas das transações em curso no Estado.

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Um avião Airbus A320 da TAM com 176 pessoas a bordo (170 entre passageiros e funcionários da TAM e seis tripulantes), que decolou de Porto Alegre, perdeu o controle durante a manobra de descida no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no início da noite de ontem, atravessou a avenida Washington Luís, bateu contra um posto de gasolina e depósito da TAM Express, do lado oposto do aeroporto, e causou um incêndio de grandes proporções.

Até as 21h30min, a companhia aérea não havia divulgado a lista de passageiros que estavam no vôo JJ 3054 que decolou da Capital gaúcha às 17h16min e teve o pouso autorizado para as 18h50min. Também não havia confirmação do número de vítimas do acidente. Além dos passageiros e tripulação, o acidente também feriu os funcionários do posto e do edifício da TAM Express.

Por volta das 20h, a companhia divulgou um comunicado confirmando o acidente. A empresa ativou um Programa de Assistência às Vítimas e Familiares e disponibilizou um número de telefone (0800 117900) para atendimento aos familiares dos passageiros e tripulantes. A Infraero suspendeu todos os pousos e decolagens no terminal paulistano.

O analista de suporte técnico de informática da Varig Levi Lourenço estava saindo do trabalho quando ouviu o barulho do avião caindo. Como não conseguiu ver o acidente, pensou se tratar de um teste de turbina, como ocorre normalmente no prédio em que trabalha. Segundo Levi, o avião da TAM tentou aterrissar na pista principal do aeroporto, derrapou e atravessou a avenida Washington Luís, próxima à rua Otávio Tarquínio. "Como não conseguiu pousar, o avião atingiu o prédio do serviço de carga da TAM, a TAM Express", informou.

Um funcionário do aeroporto disse que a aeronave chegou a tocar o solo, mas tentou arremeter, sem sucesso.

Pista principal acaba de ser reformada

A pista principal do aeroporto de Congonhas, em que o Airbus da TAM, que fazia o vôo JJ 3054, sofreu um acidente durante a manobra de pouso, acaba de ser reformada. As obras foram concluídas no final do mês passado e a pista voltou a ser utilizada no dia 30 de junho.

A liberação para pousos e decolagens, no entanto, ocorreu sem que fosse feito o grooving (ranhuras para dar mais aderência aos pneus dos aviões e facilitar o escoamento da água). A ausência do grooving na pista auxiliar de Congonhas - a única disponível com a reforma da pista principal - foi uma das críticas feitas em maio deste ano por Uébio José da Silva, do Sindicato dos Aeroviários, para justificar a predileção de pilotos em não pousar em Congonhas.

Segundo o superintendente-regional da Infraero, Edgard Brandão Júnior, o grooving não poderia ter sido feito logo após a liberação da pista, pois é necessário um período de cura (tratamento) do pavimento. Esse trabalho deverá ter início ainda neste mês e será feito durante as madrugadas para não atrapalhar as operações de pousos e decolagens na pista. O prazo de término é de 60 dias. Apesar de não contar com o grooving, segundo Brandão Júnior, a infra-estrutura da pista passou com folga em testes de declive - inclinação da pista para possibilitar o escoamento da água - e aderência.

Entre o final do ano passado e o começo deste, Congonhas registrou casos de derrapagens de aeronaves devido ao mau estado de conservação de suas pistas. No final de fevereiro, a pista auxiliar entrou em reforma. Durante este período, a pista principal era fechada sempre que chovia forte, pois seu estado ainda era ruim. Os trabalhos na recuperação da pista auxiliar duraram cerca de 70 dias. O aeroporto de Congonhas é o mais movimentado do Brasil, com mais de 500 vôos diários.

Obras

A reforma das pistas auxiliar e principal começou em fevereiro e terminou no final de junho. Custou cerca de R$ 20 milhões.

Aeronave da Pantanal derrapou segunda-feira

Um dia antes do acidente com o vôo JJ 3054 da TAM, uma outra aeronave já havia derrapado na pista principal do aeroporto de Congonhas. Um avião modelo ATR-42, da empresa Pantanal, derrapou durante o pouso e foi parar na grama. O incidente ocorreu às 12h43min e interrompeu as operações na pista principal até as 13h02min.

A aeronave, um turboélice, saiu às 10h30min de Araçatuba, a 530 quilômetros da capital, e deveria ter feito escala em Bauru, mas não fez. O vôo levava 21 passageiros, que não ficaram feridos na derrapagem.O incidente ocorreu no primeiro dia de chuva constante em São Paulo após a entrega da reforma da pista principal do aeroporto de Congonhas, na zona Sul da capital paulista.

Lula convoca ministros para reunião de emergência

Assim que soube do acidente com o avião da TAM, logo que as primeiras imagens da tragédia surgiram na tevê, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou um "gabinete de crise’’’’ com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais), Franklin Martins (Comunicação Social) e Waldir Pires (Defesa). O próprio Pires havia acabado de sair de uma audiência com Lula quando as primeiras notícias chegaram a Brasília. O presidente já estava em seus despachos finais do dia quando soube da queda do vôo 3054, que fazia a rota de Porto Alegre a São Paulo.

Lula enviou o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ao aeroporto de Congonhas, mas o primeiro representante da cúpula do governo federal levaria quase duas horas para chegar ao local da tragédia. Saito estava sobrevoando São José dos Campos, no interior de São Paulo, quando Lula conseguiu falar com ele. Principal informante do Palácio sobre o acidente, Saito só conseguiria chegar ao local por volta das 21h. O avião atingiu o prédio da TAM Express pouco antes das 19h.

O brigadeiro teve de voar até o Campo de Marte, na zona Norte de São Paulo. Depois, Saito teria de se deslocar por terra até Congonhas, que fica na zona Sul. Mesmo com batedores, enfrentou problemas no deslocamento, porque o trânsito em toda a cidade estava um caos, pelo fechamento de algumas das principais avenidas, que ficam próximas ao aeroporto.

É o segundo acidente de grandes proporções que o governo Lula tem de enfrentar em menos de um ano. A queda do Boeing da Gol, no final de setembro do ano passado, deixou 154 mortos e deflagrou a maior crise da aviação civil na história do País.

Desde então, controladores de vôo se amotinaram, várias derrapagens aconteceram nas pistas de Congonhas e passageiros enfrentaram caos nos saguões de aeroportos de todo o Brasil.

Familiares de possíveis vítimas causam tumulto no Salgado Filho

Os familiares de prováveis passageiros do vôo 3054 da TAM causaram tumulto ontem no aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. A causa foi a dificuldade na busca por informações do acidente. Até as 21h15min, tanto a Infraero quanto a TAM não tinham divulgado a lista com os nomes dos passageiros. Os cerca de 40 familiares presentes no saguão do aeroporto entraram em atrito com funcionários da companhia e da Infraero e a Brigada Militar foi chamada a intervir.

Um dos familiares mais exaltados era o corretor de imóveis Luís Alberto Moisés, que buscava informações sobre a nora. Por volta das 21h, ele tentou invadir o balcão de check-in da companhia em busca de informações, mas foi contido pela Brigada Militar, que formou uma barreira humana no saguão.

O superintendente-regional da Infraero, Nilo Reinehe, reuniu os familiares para dar explicações, mas foi agredido, pois não acrescentou nada de novo para quem esperava notícias. "Não tenho a lista de passageiros. Quem divulga os nomes é a TAM", afirmou. Os funcionários da companhia, por sua vez, informaram que o sistema de busca da companhia está bloqueado e que a lista dos passageiros seria liberada por São Paulo.

A policial civil Roseli Rodrigues, que buscava informações sobre seu sobrinho Rodrigo Prado de Almeida, reclamava da falta de informações. "O número 0800 que a companhia forneceu não funciona e ninguém nos dá informações, nem no balcão de check-in, nem da Infraero", criticou.

Governo do Estado monta grupo
de apoio para prestar assistência

A governadora Yeda Crusius determinou ao chefe da Casa Militar, coronel Dalmo dos Santos Nascimento, que monte um grupo de apoio no aeroporto Salgado Filho para prestar a assistência que for necessária à Infraero e aos familiares de vítimas do acidente ocorrido próximo ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com o avião da TAM que partiu de Porto Alegre no final da tarde de ontem. O grupo que prestará atendimento no aeroporto Salgado Filho será composto por integrantes da Defesa Civil do Estado.

Acidente é o pior da aviação brasileira

No pior acidente da história da aviação brasileira, um avião da TAM com 176 pessoas a bordo proveniente de Porto Alegre caiu ontem ao lado do aeroporto de Congonhas quando tentava pousar, as 18h50min, sob chuva em São Paulo. Além dos passageiros e tripulantes a bordo, foram atingidos no desastre um número não-conhecido de funcionários da TAM que trabalhavam no galpão da empresa. Pelo menos 13 vítimas teriam sido socorridas até às 22h do lado de fora da aeronave, sendo que outras três pessoas foram encontradas mortas. Alguns funcionários do depósito, onde trabalhariam cerca de cem pessoas, pularam pelas janelas para escapar das chamas. "Tem aí uns 200 mortos’’’’, declarou o coronel Manuel Antonio da Silva Araujo, comandante do Corpo de Bombeiros.

O acidente é mais um marco trágico na atual crise no setor aéreo brasileiro que se arrasta por quase um ano, com rebeliões de controladores de vôo e medidas lentas e desencontradas do governo para contornar o caos que se instalou nos aeroportos.
Até hoje, o pior desastre aéreo brasileiro deu-se com a colisão em pleno ar de um Boeing 737-800 da Gol contra a asa de um jato executivo Legacy, em 29 de setembro do ano passado. Após a colisão, o vôo Gol 1907 caiu em área vizinha ao Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, matando 154 tripulantes e passageiros. Os tripulantes do Legacy nada sofreram.

Piores catástrofes

As três que tiveram o maior número de mortes

setembro de 2006 - Boeing da Gol cai em Mato Grosso, após colidir com um jato Legacy, e os 154 passageiros a bordo do avião morrem

junho de 1982 - O Boeing 727-200 da Vasp se choca contra uma montanha da Serra de Aratanha, a 30 quilômetros de Fortaleza, causando a morte de 137 pessoas

outubro de 1996 - Um Fokker-100 da TAM nas proximidades do aeroporto de Congonhas cai e deixa 99 pessoas mortas
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As centrais sindicais brasileiras, já faz algum tempo, lutam contra o processo de terceirização no mundo do trabalho. Com a evidência de que este é um processo consolidado, as entidades sindicais partem agora para a tentativa de representar os trabalhadores desse segmento e regulamentá-lo a seu modo. A Força Sindical vai fazer campanha nas negociações dos acordos coletivos para ampliação dos benefícios aos terceirizados e a CUT alinhavou um projeto de lei que regulamenta o setor.

"A idéia é, a partir de experiências bem sucedidas como o da Construção Civil em São Paulo, onde algumas cláusulas do acordo coletivo da categoria foram estendidas para os terceirizados, fazer o mesmo em outros setores, como têxtil, por exemplo. A luta é para que o acordo coletivo da categoria preponderante valha para os terceirizados", explicou João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário-geral da Força Sindical.

A Força justifica a ação como uma forma de fortalecer as categorias e o movimento sindical. Segundo Juruna, os sindicatos estão perdendo sua base de representação. "Muitos desses trabalhadores abandonam seus sindicatos. Eles ficam fragmentados", contou.

O avanço nesta seara, porém, não é inédito. Os sindicatos têm conseguido em casos localizados incluir em seus acordos coletivos a extensão de alguns itens para os terceirizados. Os metalúrgicos ligados à CUT em São Paulo, por exemplo, já negociam a Participação de Lucros e Resultados (PLR) para os terceirizados. Os Químicos incluíram em sua pauta de Campanha Salarial de 2006 a ampliação de benefícios, mas não tiveram sucesso. "Esse ano vamos repetir a dose e insistir nos mesmos pontos", disse Sérgio Luiz Leite, secretário-geral da Federação dos Químicos e primeiro-secretário da Força.

De acordo com pesquisa setorial 2006/2007, a terceirização no País conta com a participação de 27.655 empresas; só em São Paulo são 7.582. O Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo (Sindeprestem), rebate a pecha de propagar o trabalho precário. "As Centrais criticam a eficácia das terceirizadas porque estão perdendo espaço, ou seja poder. Hoje elas já têm poder político e com a edição da MP para regulamentá-las, vão ganhar também poder econômico", disse Ermínio Alves de Lima Neto, vice-presidente da entidade. "Elas perderam e o processo de terceirização venceu. Mas concordamos que é saudável discutir as questões dos benefícios, mas ela envolve custo do produto", explicou Neto. "O setor tem problemas como todos os outros, inclusive, os sindicatos. Não aceitamos a tentativa de transformar o segmento em algo ’’desumano’’. Precarização é a informalidade. Nós formalizamos empregos", disse.

Na semana passada, o deputado Vicentinho (PT-SP) apresentou o Projeto de Lei 1621, que regulamenta a terceirização. O PL foi formatado a partir de proposta da CUT , que pretende com isto restringir os processos que levam à terceirização e à precarização.

As centrais sindicais brasileiras se renderam à terceirização no mundo do trabalho. As entidades sindicais partem agora para a tentativa de representar os trabalhadores desse segmento e regulamentá-lo a seu modo.

Fonte: DCI - 18 JUL 07
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“Essa proposta atual do governo federal é a reiteração do que foi proposto pela equipe econômica de Bresser Pereira e, em nível estadual, por nós”, compara o ex-secretário de Administração de Pernambuco, Maurício Romão. Em Pernambuco, algumas mudanças já foram implementadas e cabe ao atual governo dar continuidade a elas ou refazer a reforma criada com a Lei Complementar nº 49, de janeiro de 2003. Tal como as fundações previstas pelo atual governo, o Estado queria transformar autarquias e fundações em agências executivas, que têm maior liberdade e flexibilidade na contratação de pessoal, pagamento de pessoal, na realização de contratos e tomada de decisões.

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O Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu pediu ontem o ’’embargo total e imediato’’ das carnes brasileiras na Europa. Em uma sessão dedicada ao produto do Brasil, o presidente do comitê, o inglês Neil Paraish, estimou que a maioria dos deputados se declarou favorável ao embargo e, portanto, a medida precisava ser aplicada.A Comissão Européia - braço executivo do bloco - afirmou que enviará novas missões de veterinários para avaliar as condições fitossanitárias da carne brasileira nos próximos meses, mas se recusou a aceitar a idéia de impor, por enquanto, o embargo pedido pelos deputados. ’’Não tomaremos uma decisão com base no Parlamento, mas sim nas evidências e nos fatos’’, disse um funcionário de alto escalão da Comissão.O Parlamento não tem poder de impor sanções ou embargos, mas a decisão de ontem tem ’’um importante impacto político’’, segundo avaliação da Comissão. Durante a sessão, considerada tensa por alguns, deputados e lobistas ligados aos produtores da Europa, apresentaram as conclusões de uma investigação em que tentam provar que as condições da carne bovina brasileira são inadequadas.Mostrando até fotos de um fazendeiro aplicando hormônios ilegais em um animal no Brasil, os produtores tentaram impressionar os deputados. Na Irlanda e Escócia, a questão virou assunto de Estado. ’’A Comissão Européia não pode mais ignorar o assunto diante do pedido do presidente do comitê’’, afirmou Padraig Walshe, presidente da Associação Irlandesa de Produtores de Carne. Autoridades da Comissão terão de comparecer ao Parlamento para se explicar nas próximas semanas.Apesar do recado político, o departamento de veterinários da Comissão, único com poder de impor um embargo, mantém sua posição de defesa da carne brasileira. Para eles, as informações prestadas aos deputados pelos produtores são ’’incorretas’’, ’’ falsas’’ e ’’enganosas’’.A rejeição ficou explícita em uma correspondência entre o comissário de Saúde do Consumidor da Europa, Markos Kyprianou, e a comissária agrícola do bloco, Mariann Fischer Boel. Bruxelas, porém, deixa claro que, se até o fim do ano o Brasil não implementar novas recomendações, um embargo poderia ser avaliado. ’’As alegações no relatório (dos produtores) são baseadas em uma interpretação incorreta das exigências na importação de carne’’, afirmou Philip Tod, porta-voz da Comissão para assuntos de saúde do consumidor.Para ele, não se justifica nenhuma ação imediata contra o Brasil. A Comissão ainda criticou os lobistas por não esclarecerem quais fazendas visitaram para realizar a investigação e alertou que as conclusões foram tiradas de visitas a Estados que já estão sob embargo: Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Para completar, os veterinários acusam os lobistas de terem preparado a investigação sem ter ido a laboratórios, frigoríficos ou órgãos de certificação no Brasil.Na Comissão, o lobby está sendo visto como um recurso utilizado pelos produtores que vêm sofrendo com o incremento cada vez maior das exportações brasileiras.Segundo a campanha liderada pelos produtores, as acusações envolvem a falta de um sistema que possa rastrear e identificar origem do gado. ’’A maioria das fazendas visitadas não tem sistema de rastreabilidade’’, afirma a investigação, publicada após uma missão realizada em maio, que indica o perigo da febre aftosa. Em algumas fazendas visitadas, os irlandeses apontam que os registros haviam sido cortados das orelhas do gado para impedir a identificação. Outra acusação é a de que produtores apenas colocam as identificações poucos dias antes de vender o gado, permitindo obter um preço maior.IDENTIFICAÇÃOA Comissão Européia, porém, rebateu os argumentos dos deputados, alegando que não há de fato uma exigência de que todo o gado no País seja identificado. O critério vale apenas para aqueles que serão exportados.A segunda acusação dos produtores refere-se à falta de controle no Brasil em relação à movimentação do gado de um local livre de aftosa e de outro onde não há garantias fitossanitárias. Segundo a investigação, a movimentação entre as fronteiras é ’’ generalizada’’.Um dos exemplos é o transporte de gado entre o Paraná - região embargada - e o Rio Grande do Sul, um dos principais exportadores ao mercado europeu. Os produtores europeus acusam os exportadores gaúchos de comprar gado do Paraná para exportar diante da falta de produto no Estado. ’’O controle está sendo impossível’’, argumenta a investigação.Mais uma vez, a Comissão Européia rebateu as críticas. Para os veterinários, o transporte de gado pode ocorrer. Segundo eles, não há problema no comércio entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, já que, para uma carne ser exportada, o gado precisa estar em uma zona livre de aftosa por 90 dias antes do abate do animal.A Comissão tomou para si a responsabilidade de defender o Brasil, algo raro. Segundo os veterinários, o controle de movimento do gado é praticado em todo o País e está sendo fundamental para impedir que a aftosa se alastre para outros Estados.

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