O ministro da Agricultura da Rússia, Alexey Gordeev, esteve no último sábado, 22 de novembro, no Brasil e visitou a Unidade da Standard em Cubatão/SP. A intenção era visitar uma unidade de exportação no Brasil e a Standard foi escolhida por reunir todos os procedimentos que são necessários em um entreposto.A Unidade da Standard é preparada para prestação de serviços logísticos voltados ao mercado de exportação de produtos frigorificados e possui terminal com 400 tomadas reefers e espaço para 400 contêineres Dry, armazém frigorificado para 15mil posições paletes com todos os regimes de temperatura, dois túneis de congelamento com capacidade de congelamento para 100tons/dia. Além de ser habilitada como REDEX. Na visita, o ministro russo e a comitiva que o acompanhava foram recebidos pelo presidente da Standard, José Luis Demeterco e a equipe do VIGIAGRO, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil. Foi possível verificar as ações de recebimento de transporte, conferência, armazenagem e procedimentos de exportação como é feito no dia-a-dia dos embarques frigoríficos para a Rússia. A equipe da Standard e os técnicos do VIGIAGRO realizaram uma operação de descarga e vistoria na presença do ministro da Rússia para apresentar este processo. “A primeira impressão é de grande esforço e maior controle para garantir a qualidade e segurança da mercadoria” disse o ministro Alexey Gordeev que aprovou toda a estrutura da Standard. “Esta é a figura que os entrepostos devem seguir para buscar sempre reduzir os prejuízos dos exportadores” completa Gordeev.O Secretário de Defesa Agropecuária do Brasil, Inácio Kroetz, também se posicionou sobre a visita: “Foi uma ótima escolha, pois este entreposto reúne tudo que é preciso entre procedimentos e estrutura”, afirma Dr. Inácio.“Estamos em Cubatão há apenas um ano e já ampliamos nossa capacidade no terminal e armazém, por isto acreditamos no potencial da unidade e principalmente nas exportações para a Rússia. Esta importante visita nos mostra que estamos no caminho certo”, finaliza Demeterco, presidente da Standard.A política de cotas de importação de carnes pela Rússia nunca esteve tão em pauta no Brasil. Produtores brasileiros já pediram ao presidente Lula para que ele defenda o estabelecimento de cotas globais nas conversas que terá com o presidente russo Dmitri Medvedev, que chega hoje ao país em visita oficial.
O Tesouro vai cobrar taxa mais elevada de juros pelo capital - 8% nos primeiros anos - do que impôs a dúzias de outros bancos que têm tomado empréstimos do governo dentro do pacote de auxílio de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso no mês passado. Além dos recursos, o Citigroup contará com um arranjo extremamente incomum, no qual o governo aceita lastrear cerca de US$ 300 bilhões de seus ativos, incluídos letras hipotecárias, entre outros itens.
A falta de uma legislação própria para regular o mercado de derivativos foi uma das causas da crise financeira norte-americana. Mais: a melhor saída é deixar as grandes montadoras americanas (Chrysler, GM e Ford) falirem. A opinião é de Alex Raskolnikov, professor de direito na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos e acadêmico titular da Associação Tributária das Américas (ATA). Raskolnikov palestra hoje na Capital durante o I Simpósio da ATA, que acontece na escola da Ajuris. Nascido na Rússia, ele formou-se em engenharia química em 1988, ainda durante a era soviética, e emigrou para os Estados Unidos aos 23 anos. Nesta entrevista para o Jornal do Comércio, o professor fala sobre os derivativos e analisa como os norte-americanos deverão enfrentar a nova situação econômica.Jornal do Comércio - Por que o senhor considera os derivativos um problema para a economia? Alex Raskolnikov - Por que não existem regras de taxação para lidar com estes instrumentos financeiros. Esta falha na regulação, que lhes dá vantagens fiscais, fez com que houvesse um incentivo para investir em derivativos. Se você pudesse escolher entre um contrato regular e um contrato derivativo, você faria um derivativo e reduziria seus impostos. Por isso, ao menos nos Estados Unidos, eles contribuíram para o surgimento desta crise financeira. Por isso agora existe interesse em criar regras para regulá-los.
Os mais de 2,3 mil trabalhadores da fábrica da General Motors em Gravataí mal retornam ao trabalho no dia 1 de dezembro e já se despedem para nova temporada de férias coletivas compulsórias. O Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí recebeu, na sexta-feira passada, comunicado de que os empregados da fábrica permanecerão em casa entre 8 de dezembro e 4 de janeiro de 2009. A medida, que atinge também a unidade de São Caetano do Sul, foi confirmada ontem pela montadora. O uso desse expediente, além de licença remunerada e day-off (folga compensada do banco de horas), atinge sistemistas da GM e empresas situadas na Região Metropolitana de Porto Alegre e algumas regiões do Interior que fornecedoras de autopeças. Sindicatos também registram ampliação de demissões em indústrias de componentes na Grande Porto Alegre.
A indústria está costurando um acordo com os bancos para tentar uma solução que evite uma onda de ações judiciais contra empresas que fizeram contratos com derivativos. Para evitar que se repita no Brasil o que aconteceu nos derivativos nos Estados Unidos - um dos principais causadores da atual crise global - a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou, ontem, que vai procurar nos próximos dias a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para negociar uma solução para o problema. Essa situação poderia prejudicar não apenas as empresas, mas toda a economia, que poderia ser abalada por perdas significativas, em caso de condenações.Os valores envolvidos ainda não são conhecidos, mas sabe-se que são volumes consideráveis se levarmos em conta as perdas já anunciadas por Aracruz e Sadia, que somaram, respectivamente, US$ 2 bilhões e R$ 554 milhões."Não há ainda dados confiáveis que nos permitam antever qual é o tamanho da crise em derivativos, mas os empresários sabiam dessa possível variação", disse o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Fábio Ulhôa Coelho, que participou do encontro do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp. No entendimento dele, a crise já era anunciada e, por isso, o empresário não poderia ter "ignorado" as diversas análises antes do caos econômico.Dezenas de associadas de médio e grande porte da Fiesp já vinham procurando a direção da Fiesp porque tiveram problemas com operações com derivativos cambiais. Por isso, a federação reuniu especialistas que, após mais de duas horas de reunião fechada, chegaram à conclusão de que o melhor a ser feito é sentar à mesa com os bancos, antes de enfrentar os tribunais."O melhor caminho é a negociação. Bancos e empresários serão convidados à conciliação. Tentaremos uma aproximação com a Febraban. Por hora, o melhor é negociação", disse o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Sydney Sanches, que presidiu o encontro.Segundo ele, a Fiesp coloca à disposição dos associados a Câmara de Mediação e Conciliação da federação para que exista o debate, antes de partir para uma arbitragem ou para a via judicial. "Não vamos entrar no terreno da legalidade, mas ficar apenas no da negociação", disse Sanches. Para ele, é importante às instituições bancárias estabelecer uma negociação, já que isso evitaria contratos com inadimplentes. "Tenho certeza de que os bancos vão ter interesse em que as empresas sejam adimpletes", aposta o ministro.DesconfiançaAs perdas em contratos de derivativos faz com que os bancos tenham receio de oferecer créditos a essas empresas. É o que acredita o ex-diretor do Banco Central, Emilio Garofalo Filho, que participou do debate de ontem como convidado especial. Para ele, os bancos precisam sentir segurança em oferecer créditos novamente."Na medida em que se dimensionar o prejuízo das empresas, até o câmbio vai se estabilizar", aposta. "Quando os empresários conseguirem um acordo razoável com os bancos, câmbio e crédito voltam a fluir e haverá redução da volatilidade", afirmou Garofalo Filho.Na opinião dele, a negociação com as instituições bancárias, no entanto, deve ser imediata. "Negociar não é uma figura de retórica para ser feita a longo prazo, mas sim o mais rápido possível", disse. E o ex-diretor do Banco Central alfinetou o setor de exportação: "O exportador está numa situação curiosa. Ele ficou quatro anos pedindo pelo amor de Deus, ou pelo amor do governo, para que a taxa subisse. Agora que ela subiu, ele não consegue se aproveitar disso".O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, que não pôde comparecer ao encontro de ontem, chegou a anunciar que a idéia é criar uma espécie de Plano Brady privado, inspirado no acordo em 1989 que renovou a dívida externa de países em desenvolvimento afetados por uma crise de crédito e liquidez por meio da troca da dívida por bônus, com descontos, garantias, juros mais baixos e prazos mais longos. "Manter essa situação numa condição de litígio é prejudicial às empresas e aos bancos", disse Fonseca, que também não revelou número de empresas envolvidas em perdas com contratos de derivativos.