Hora extra. Atende por esse nome o “clima quente” instaurado na Cia. Docas de Santos, Codesp, a Autoridade Portuária do maior porto da América Latina. A nova diretoria da empresa, empossada no dia 12 de setembro, que mal esquentou a cadeira e gastou a primeira carga de caneta, baixou uma resolução administrativa cortando a hora extra de todo mundo. A medida está rendendo muito bafafá. Para o presidente do Sindicato da Administração Portuária, Everandy Cirino dos Santos, o corte da hora extra é o “bode na sala”, que “está desviando a nossa atenção de assuntos mais importantes”. Um desses assuntos, segundo Cirino, é o Plano de Cargos e Salários.
Uma professora chegou a tirar licença-médica de seis dias por causa de alergia respiratória. “Sentia a garganta seca e tosse freqüente. Um dia perdi a voz e tive que me afastar da sala de aula”, conta Glauciene Lira, que ensina história. O diagnóstico foi alergia respiratória. A educadora está tomando medicamentos, mas ainda apresenta os sintomas quando está na escola, localizada na vila naval.
Peritos da Aeronáutica encarregados de investigar a queda do Learjet que deixou oito mortos no domingo já têm fortes indícios de que uma pane numa das turbinas do jato esteja entre as causas do maior acidente da história do Campo de Marte, zona norte. A análise visual dos motores indica que um deles estava quase sem potência na hora do choque com imóveis da Rua Bernardino de Sena, Casa Verde. Mesmo que a pane se confirme, fontes militares ouvidas pelo Estado advertiram que é certo que outros fatores contribuíram para a tragédia.O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a diferença no estado das turbinas. Uma ficou quase preservada, com parte da carenagem acoplada, e a outra, bastante danificada. Além disso, o spinner - cone de metal - de um motor estava amassado, ao contrário do observado no outro propulsor.“Quando a turbina está girando e há uma colisão em vôo, o spinner age como uma broca de furadeira”, explica um oficial da Força Aérea Brasileira que pilota jatos da família Learjet. “Se um amassou, é sinal de que estava em baixa rotação.”O depoimento de testemunhas - que dizem não ter ouvido mais o barulho dos motores após a decolagem - e o fato de as turbinas terem sido achadas em pontos distantes do terreno reforçam as suspeitas dos investigadores. A turbina com o spinner amassado foi localizada pelos bombeiros no domingo. A outra estava debaixo de uma grande quantidade de escombros e só foi resgatada ontem pela manhã. Os destroços estão sendo levados para o Parque de Materiais da Aeronáutica, em um galpão vizinho ao Campo de Marte.O que ainda intriga os peritos é o fato de os pilotos terem perdido o controle do Learjet. Ao decolarem do Campo de Marte, jatos devem sempre virar à esquerda para não interferir nas rotas com destino ao Aeroporto de Cumbica. Inexplicavelmente, o Learjet foi para o lado oposto. Ainda que uma das turbinas tenha parado, dizem pilotos e especialistas em aviação civil, comandantes são treinados para evitar a queda. “O Learjet é extremamente ágil e veloz. Mesmo sem um dos motores, é possível continuar voando”, disse o militar.Uma das linhas de investigação do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa) será justamente o treinamento da tripulação. Por lei, pilotos de jatos executivos devem treinar situações de emergência em simuladores uma vez por ano. Como não há simuladores de Learjet disponíveis no País, eles têm de ir para os Estados Unidos. “Isso encarece demais o treinamento e pode levar tanto o piloto quanto a empresa a burlar as normas”, alertou o oficial.Sócio da Reali Táxi Aéreo, operadora do avião, Ricardo Breim Gobbetti afirmou que o piloto do Learjet, Paulo Roberto Montezuma Firmino, tinha todos os certificados exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Ele veio de outra empresa de táxi aéreo, era um piloto muito experiente.”Outra hipótese que será apurada pelos peritos é o eventual acúmulo de água nos tanques de combustível do jato. Embora o querosene de aviação seja puro, é comum que o vapor de água se deposite no fundo dos tanques. Para evitar isso, mecânicos costumam drenar tanques antes da primeira decolagem do dia. “Embora o Learjet tivesse feito outros vôos naquele dia, ainda é cedo para descartar essa possibilidade”, avalia o diretor-executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano da Costa. Ele explica que, se a água nos tanques entrar nos motores, as turbinas param de funcionar. O Seripa deve começar hoje a degravação da caixa-preta de voz do Learjet.
Um adolescente que fugiu de uma blitz no Jardim São Jorge, em Interlagos, acabou levando os policiais militares do 22º Batalhão ao centro de distribuição de cocaína, crack e maconha do Primeiro Comando da Capital (PCC) na zona sul de São Paulo. Ao todo, 170 quilos de cocaína, 6,9 mil pedras de crack e 10 quilos de maconha foram apreendidos. Os PMs prenderam cinco acusados de pertencerem à facção.Os PMs faziam uma blitz quando um jovem fugiu para uma viela. Ele bateu em um portão, mas, com a aproximação dos policiais, correu. O dono da casa abriu o portão e foi abordado pelos PMs. “O cheiro de maconha era muito forte e resolvemos entrar”, disse o sargento Edmilson Martins. No local foram detidos Wilson José da Silva, de 42 anos, Agnaldo Bastos, de 24, Edson Rodrigues da Silva, de 22, Luis Ricardo dos Santos, de 22, e Gerson da Silva, de 21. Todo foram levados ao Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).
A livre circulação de mercadorias dentro do Mercosul, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2009, está para ser adiada pela segunda vez. Em consultas, ainda informais, negociadores argentinos já sondaram a equipe diplomática brasileira acerca do assunto. Querem prorrogar por mais um ano a vigência das listas de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Em princípio, o governo brasileiro não vê restrições ao adiamento. "Ainda não veio o pedido formal, mas tivemos uma consulta. Eles alegam que ainda não estão prontos para o fim das listas de exceções e pediram mais um ano para a transição. Em princípio, não há nenhum problema em adiar. Estamos analisando a idéia", contou um dos negociadores da equipe brasileira.Atualmente, a TEC está sendo concretamente aplicada para 85% dos produtos. Os 15% restantes estão em lista de exceção nacional ou nas listas de convergência, sujeitos a regras específicas e cujas tarifas variam de 20% a 35% até o final de 2008. Em janeiro do ano que vem a lista deveria ser reduzida em 25%, mais 25% em agosto, até chegar a 100% de liberação em dezembro. Se o pedido for aceito por todos os países membros, a TEC única só começará a valer em 2010.Quando foram criadas, as listas de exceção deveriam ser extintas no final 2006, quando todos os países membros do Mercosul deveriam se adequar à concorrência internacional e usar apenas a TEC. Foi dado um novo prazo de mais dois anos para que os paises se adequassem ao regime único. A negociação agora é por um novo prazo de mais um ano."O cronograma está muito apertado. Não conseguiremos cumprir a meta de usar a TEC única em 2009. Temos ainda muitas exceções, dois regimes especiais (informática e de bens de capital), fatores que atrasam a criação da união aduaneira perfeita", disse o presidente da Associação de Empresas Brasileiras para Integração no Mercosul (Adebim), Michel Alaby. "Livre comércio no Mercosul só depois de 2014", disse.Também pessimista, a gerente sênior de Comércio Exterior do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), Silvia de Toledo Fagnani, acredita que o livre comércio só virá depois de 2010. "O setor empresarial não acredita que saia em 2009 porque existem ainda muitas questões a serem definidas: como será a distribuição da rede aduaneira, onde será a sede do Banco (do Sul), que formato ele terá, quais países farão parte dele, entre outras. Pelo que sentimos, são muitas indefinições para pouco tempo. Acontecerá mesmo em 2010 ou 2011".Desde 1995, os países que compõem o Mercosul adotam a Tarifa Externa Comum. A TEC estabelece alíquotas comuns para a importação de bens de países fora do bloco. Por exemplo, se a TEC de um determinado produto é de 12%, qualquer um dos países do Mercosul que compre este produto de fora do bloco cobrará a alíquota de 12% sobre a importação.Todos os países membros têm direito a uma lista de exceção à TEC. O Brasil tem direito a cem produtos, que podem apresentar alíquota diferenciada (maior ou menor) da adotada pelos demais membros do Mercosul. Ou seja, para estes cem produtos o Brasil não adota a TEC. A cada seis meses, o Brasil tem o direito de revisar sua lista, podendo alterar, nesta ocasião, até 20% dos itens listados, desde que para a entrada de um, outro seja retirado, permanecendo cem os produtos na Lista de Exceção. O Ministério do Desenvolvimento explica que a lista é composta por itens que o Brasil tem interesse em atrair para o mercado interno "e por isso sua alíquota é inferior à TEC, como forma de estimular sua importação" e outros produtos que o Brasil tem a necessidade temporária de restringir sua entrada no País, e por isso aplica uma alíquota superior à TEC.Lista brasileiraNa última alteração da lista brasileira, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) incluíu quatro novos itens da lista de exceção à TEC e mais sete sub-itens (chamados de ex-tarifários). A lista revisada inclui barrilhas, matérias-primas para a produção de vidro, cerâmica, detergentes, xampus e sabões. As barrilhas tinham tarifa de importação de 10% e entraram para a lista com tarifa zero de importação uma vez que existe uma demanda não atendida de 250 mil toneladas para consumo no mercado brasileiro. Também entraram para a lista a resina ABS, um plástico utilizado na produção de eletrodomésticos, que tinha TEC de 14% e passa a ser taxada com 2% para a importação.Na época, sete medicamentos tiveram sua alíquota reduzida de 8% para zero, sendo incluídos como subitens de posições que já faziam parte da lista. Os medicamentos foram incluídos por solicitação do Ministério da Saúde.Atualmente, a lista da Argentina tem 200 itens, e o Paraguai e o Uruguai têm 400 produtos.