Terça, 24 Fevereiro 2026
Quem percorre a Alemanha, França ou Itália costuma ver uma cena inusitada no Brasil: em vez de carretas-cegonha transportando automóveis recém-saídos da fábrica, são vagões em fila quilométrica que carregam esses veículos. A partir daí, começa a descobrir por que o transporte brasileiro vive em permanente crise. E não é só por falta de investimentos, mas também por ausência de uma política que estabeleça uma matriz de transportes menos distorcida.

Nada parece indicar que, a curto prazo, esse quadro possa ser alterado. A malha ferroviária brasileira -27 mil quilômetros- é uma das menores do mundo, se levarmos em conta as dimensões continentais do País. Em número de quilômetros, fica atrás da Alemanha, cuja extensão territorial é semelhante à do Estado de São Paulo. Números do Comitê Ferroviário do Congresso SAE Brasil 2007 mostram que, enquanto a ferrovia estatal alemã dispõe de 4,9 mil locomotivas, 157,3 mil vagões de carga, 9,5 mil carros de passageiros e 213 carros de alta velocidade, o Brasil possui 2.518 locomotivas e 83.733 vagões de carga. E nenhum carro de alta velocidade.

Outros números -da consultoria Megacorp, gestora do projeto para a construção da Ferrovia do Frango em Santa Catarina- provam que o custo do transporte de uma tonelada de carga por quilômetro de ferrovia é de US$ 0,02, enquanto o preço da tonelada por quilômetro pelo modal rodoviário oscila entre US$ 0,10 e US$ 0,12, ou seja, custa de cinco a seis vezes mais. Com a subutilização do modal ferroviário, não é só a produção da indústria e da agricultura que deixa de escoar com rapidez e a custos reduzidos. São também oportunidades de emprego que se perdem: quem mora num raio de 200 quilômetros de São Paulo, muitas vezes, recusa uma oferta de transferência porque prefere não obrigar a família aos inconvenientes de uma mudança de cidade. E não quer perder horas no trânsito caótico, quando num trem de alta velocidade cumpriria em meia hora ou, no máximo, uma hora o trajeto entre seu lar e o local de trabalho.

A rigor, não deveria ser assim. Afinal, recursos não faltam. Por ano, o setor ferroviário gera mais de R$ 450 milhões de impostos com o consumo de combustível, o que significa 25% da arrecadação total. Com uma gestão eficaz, seria possível a construção de uma malha ferroviária de primeiro mundo, com terminais modernos, evitando perda de alimentos e filas gigantescas nas vias de acesso aos portos na época de safra. Com isso, não seria necessário alocar os R$ 10 bilhões por ano estimados para recuperar a malha viária porque, obviamente, haveria menos carretas e automóveis nas rodovias. Afinal, cada vagão pode transportar mais de 100 toneladas, o que equivale à carga suportada por três ou quatro carretas.

Por outro lado, não se pode negar que o transporte ferroviário de cargas, operado pela iniciativa privada desde 1997, vem apresentando bons resultados. Basta ver que, naquele ano, a participação da ferrovia na matriz de transportes era de 20% e hoje chega a 26%. Para 2010, ano em que o governo prevê que a maioria das obras cobertas pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) já estará concluída, espera-se que essa participação esteja em 30%. O ideal seria 35%.

Por enquanto, o que se vê são muitas discussões. Até porque a alternativa para que as ferrovias saiam do papel seriam as parcerias público-privadas (PPP), que, por sua vez, também não saíram dos discursos das autoridades. Por falta de regulamentação, as PPPs não têm garantido, até agora, segurança jurídica aos investidores, o que impede o País de atrair o capital que poderia, finalmente, colocar o modal ferroviário como a melhor opção para o transporte de carga e de passageiros.

Fonte: DCI - 09 AGO 07
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Santos, o maior porto do País, teve novo recorde de cargas no primeiro semestre: 38,88 milhões de toneladas, 10,48% mais que em igual período de 2006.

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Linha ferroviária que dá acesso a Santos terá mais locomotivas e melhorias nos pátios. A América Latina Logística (ALL) vai investir R$ 20 milhões na Portofer, que opera a linha ferroviária dentro do porto de Santos (SP). Os recursos serão usados de 2007 a 2009 na compra de locomotivas e na reforma e melhorias nos cinco pátios de acesso (quatro na margem direita) e um na esquerda (Guarujá). A Portofer, que passou a ser controlada pela ALL com a compra da Brasil Ferrovias em maio do ano passado, deve fechar o ano com um crescimento de 20% em relação a 2006, com a movimentação de 13 milhões de toneladas, segundo Sandro Silveira Souza, coordernador de relacionamento com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e institucional. Em junho, a Portofer obteve o melhor resultado em sete anos, com o transporte de 1,103 milhão de toneladas. Do volume total, 70% são de cargas da própria América Latina Logística. O restante chega ao porto pela MRS Logística e a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela Vale do Rio Doce (CVRD). A Portofer administra 80 quilômetros de via férrea dentro do terminal santista e presta serviços para as outras duas empresas, que pagam à empresa por tonelada movimentada. De acordo com Souza, uma das principais mudanças na operação da Portofer foi a gestão de contratos, que, segundo ele, passaram a estabelecer regras mais claras de ambas as partes."Fechamos um novo contrato operacional com a MRS no início do ano e estamos em fase final com a FCA", diz Souza. O objetivo, segundo o coordenador da Codesp, é crescer 20% ao ano para alavancar rapidamente a participação do modal ferroviário em Santos, que hoje está em 35% em cargas do agronegócio (contra 60% nos portos da região sul). No total movimentado, incluindo todos os segmentos, a participação é de 16%. A Codesp projeta uma movimentação de 80 milhões de toneladas em 2007 em Santos.

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Decidido a brigar pelo cargo a todo custo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofreu ontem três golpes. O primeiro e mais grave foi a quebra de sigilo bancário e fiscal determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Três dias após um novo escândalo vir à tona - o uso de parentes como laranjas na compra de duas rádios - e 24 horas após a abertura de inquérito no Supremo, foi autorizada uma devassa no Banco Central e na Receita, a pedido de Ricardo Lewandowski, relator do caso.O segundo revés foi na própria Casa que preside. Além do processo que já enfrenta no Conselho de Ética, acusado de ter contas pessoais pagas por um lobista, Renan viu a Mesa contrariar parecer da Advocacia-Geral do Senado e pedir nova investigação. O foco é a suposta interferência do senador em favor da Schincariol, que comprou uma fábrica do clã Calheiros com sobrepreço de mais de 500%.A oposição também desferiu o seu golpe. DEM e PSDB entraram com representação no conselho, pelas suspeitas ligadas à compra das emissoras de rádio, avaliadas em R$ 2,5 milhões. Apesar do desgaste, Renan não ficou calado. Em discurso inflamado, ele negou as acusações, dizendo-se um inocente alvejado por “impiedoso e irresponsável ataque” da mídia e queixando-se de “adversários rancorosos”.Temendo que a crise atrapalhe projetos de seu interesse, como a prorrogação da CPMF e DRU, o presidente Lula advertiu, em Honduras: “Nenhum caso individual pode atrapalhar as votações de interesse do País.” Enquanto isso, no Planalto, a queda do aliado é dada como praticamente certa - o processo no STF aumenta a cada dia as chances de cassação.

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