Terça, 24 Fevereiro 2026
Autoridades dos quatro países do Mercosul e dos seus associados - Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela - tentarão selar um acordo para evitar que as respostas unilaterais à crise financeira internacional gerem uma escalada protecionista na região.

O compromisso será discutido em uma reunião em Brasília de chanceleres, ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais desses dez países amanhã, 11 dias depois de o governo de Cristina Kirchner ter reeditado a clássica reação argentina a situações de crise econômica, à adoção de barreiras contra uma suposta avalanche futura de produtos importados no mercado local.

A precaução contra uma onda de proteção interessa especialmente ao Brasil, que acumula, entre janeiro e setembro deste ano, um superávit de US$ 10,8 bilhões no comércio com esses vizinhos. "Temos de discutir como evitar que o patrimônio da integração não se perca, às vezes por uma reação a problemas que vêm de outros lugares", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "A nossa expectativa é fazer com que, no futuro, haja uma ação coordenada, transparente e que não prejudique as relações entre os países da América do Sul."

Esse primeiro encontro sul-americano desde que a crise financeira se acirrou não deve gerar medidas conjuntas específicas. Amorim advertiu que nem mesmo a cúpula do G-20, convocada pela Casa Branca para novembro, deverá gerar uma resolução comum. Mas a iniciativa de expor receitas individuais e de trocar idéias, para o chanceler, pode evitar a repetição de uma das soluções nacionais mais desastradas da Crise de 1929 - a escalada protecionista.

Secretário de Comércio Exterior da Argentina entre 1998-1999, o consultor Félix Peña concorda que uma guinada protecionista dos países do Mercosul e de seus associados tenderia a agravar a situação econômica da região. Mas adverte que o bloco e seus associados devem manter-se atentos ao possível desvio para o mercado sul-americano de exportações da Ásia - sobretudo, da China - antes endereçadas para os Estados Unidos e a Europa. Daí a relevância, em seu ponto de vista, do encontro extraordinário do CMC.

A reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC), instância máxima de decisão do Mercosul, havia sido solicitada no dia 9 de outubro pelo precavido governo argentino ao Brasil, o país que preside o Mercosul neste semestre. No dia seguinte, Cristina Kirchner declarou à imprensa que lançaria mão de "todos os instrumentos necessários que temos no Mercosul para manter o superávit do país no comércio global" para "defender o trabalho dos argentinos e também os investimentos".

No dia 15, o governo Kirchner cedeu às pressões protecionistas de sindicalistas e industriais e anunciou que a alfândega intensificaria a aplicação do critério de valoração aduaneira sobre 21.660 itens importados. Entre esses itens estão os tecidos de algodão e os calçados - produtos exportados pelo Brasil e que foram alvos de barreiras da Argentina em 1999 - e a linha branca e outros eletrodomésticos - que sofreram restrições em 2004. As medidas foram adotadas com a ressalva de que o comércio com o Brasil não seria afetado.

Diante da desvalorização de mais de 30% do real desde o início de setembro, fontes de Brasília acreditam que itens brasileiros serão pegos pela malha fina da valoração aduaneira argentina. Na semana passada, as pressões de empresários por uma depreciação mais forte do peso, para acompanhar o movimento do real, foram intensificadas.

Para o economista Fábio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), essas pressões refletem a "dificuldade mental" da sociedade e do governo argentinos em entender que a desvalorização do real se deve à flutuação da taxa de câmbio e que, no Brasil, "o presidente da República não telefona ao presidente do Banco Central para dizer em que ponto quer o câmbio naquele dia".

Na mesma ocasião, a presidente Cristina advertiu que seu governo pode vir a aplicar o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), as medidas de salvaguardas no comércio Brasil-Argentina, criado em 2006. O governo Kirchner também sinalizou sua intenção de obter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao aumento da Tarifa Externa Comum (TEC), que é aplicada pelos sócios originais do Mercosul, a produtos mais vulneráveis à concorrência externa, sobretudo da Ásia. O Brasil resiste à idéia. Para não contaminar o encontro do Mercosul e associados, o Itamaraty teve o cuidado de agendar uma reunião paralela de argentinos e brasileiros para discutir essas iniciativas.
O Itamaraty anotou o cuidado inédito do governo argentino de notificá-lo sobre as novas medidas adotadas e a opção por um tom menos agressivo que o do passado. O pior dos mundos seria uma guerra comercial. "Nesse caso, a Argentina será tão prejudicada quanto o Brasil, uma vez que o mercado brasileiro é o principal destino de suas exportações", afirma um técnico do governo.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que ninguém precisa temer uma onda de estatização de bancos no Brasil, apesar de a Medida Provisória 443, assinada por ele na semana passada, autorizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar ativos de bancos que estiverem em dificuldades. Para Lula, a exemplo do que está ocorrendo na Inglaterra, União Européia e Estados Unidos, não será dado dinheiro público para os bancos. Ativos poderão ser comprados e, quando a instituição voltar a uma situação segura, serão revendidos para ela própria."Ninguém pretende estatizar banco. Agora, ninguém vai dar dinheiro para banco. Portanto, ou nós emprestamos com garantia, e uma das garantias pode ser o que está sendo feito pela Inglaterra, pode ser aquilo que o presidente Nicolas Sarkozy (da França) propôs: em vez de dar dinheiro para banco, sem garantia, você compra ações daquele banco e quando se recuperar, você revende as ações para banco", disse Lula, ontem, após votar, no Colégio Estadual João Fermino, em São Bernardo do Campo.Lula anunciou também que fará hoje, em São Paulo, reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, para definir quais são os setores econômicos que estão necessitando de crédito. "Temos recursos para isso e vamos disponibilizá-los", afirmou o presidente. "O que nós precisamos é saber o conjunto dos setores econômicos que estão necessitando de crédito neste momento". A fórmula para irrigar o crédito, segundo Lula, é a redução no compulsório para que bancos usem o dinheiro para emprestar à construção civil e às pequenas indústrias. Nos dois setores, disse Lula, é preciso haver atenção especial do governo. "Temos de cuidar do capital de giro para que essas empresas possam funcionar."Lula falou por várias vezes sobre a crise global e fez críticas a bancos e a quem especulou no mercado financeiro. Por isso, segundo ele, não é possível dar o dinheiro para quem entrou na ciranda financeira. "O que não dá é para a gente dar dinheiro para bancos ou outras empresas que apostaram em ganhar dinheiro fácil, ou seja, transformar a economia real em jogatina. Quiseram ganhar dinheiro sem produzir nada." Para Lula, o governo tem de ter responsabilidade com o dinheiro público. "Não vamos dar o dinheiro do Estado, que ganhamos com tanta delicadeza, com tanto carinho, para ajudar quem tentou praticar fraude no sistema financeiro." Mas, apesar das críticas, Lula procurou não condenar o sistema financeiro. "Sabemos da importância do setor financeiro. Então, se for preciso irrigar o crédito, pode ter certeza que vamos irrigar, porque queremos que a economia brasileira continue crescendo, para que o povo brasileiro tenha possibilidade de emprego e de consumir."O presidente disse que o Brasil ainda tem muito a produzir, independentemente da crise. "A verdade é que ainda temos capacidade produtiva a explorar. O Brasil não está metido no subprime, portanto não havia razão para problemas internos de crédito. O que não sabíamos é que as empresas estavam investindo em derivativos, em coisas muitas vezes feitas no balcão, que não passavam sequer pelo BC."

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Greenspan, 82, foi nas últimas décadas o maior defensor do livre mercado e da auto-regulamentação das instituições financeiras, com o mínimo de intervenção do Estado. Depois de ler um texto preparado previamente, Greenspan foi inquirido pelos congressistas. O deputado democrata Henry Waxman, da Califórnia, que preside da comissão na qual se deu o depoimento, argumentou que Greenspan tinha autoridade para interromper as práticas de empréstimos irresponsáveis que alimentaram o mercado de empréstimos imobiliários subprime (de baixa qualidade), mas rejeitou os apelos para que interviesse.

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A Deconav, empresa fluminense especializada em fabricação de móveis e serviços de montagem de acomodações de navios e plataformas de exploração de petróleo, vai criar com o empresário pernambucano Alexandre Valença a Decoship, uma joint venture (empreendimento conjunto) que será fornecedora do Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A nova empresa vai gerar em torno de 100 postos de trabalho, incluindo desde a fabricação do mobiliário à montagem dos móveis nos navios.

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O gerente-geral da Unidade de Negócio Exploração e Produção da Bacia de Santos (UM-BS) da Petrobras, José Luiz Marcusso, afirmou ontem que os contratos que já estão assinados para a exploração do pré-sal na Bacia de Santos, e que somam aproximadamente US$ 12 bilhões, serão cumpridos pela empresa. As ações de médio e longo prazo deverão ser repriorizadas pela estatal em função de sua rentabilidade. Dentre os projetos assegurados estão a construção da Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, a produção nos campos de Mexilhão, Uruguá e Tambaú, e os testes e projeto piloto de Tupi, cuja reserva pode alcançar até 8 bilhões de barris. Somados, esses contratos são responsáveis pela aplicação de US$ 9 bilhões no período 2010-2012."O adiamento que o presidente Gabrielli divulgou pode ser um replanejamento da empresa. Já assinamos os contratos e não haverá surpresas. Há os testes de longa duração e o projeto piloto de Tupi, pilotos de Iara e Guará que iremos fazer, pode ter certeza", afirmou Marcusso com veemência. "Acho que pode haver repriorizações de projetos no médio prazo", complementou.Para o executivo, a Petrobras atua dessa forma para reduzir os riscos dos projetos. "Esse adiamento é uma forma mais ter menor risco e mais rentabilidade. Trata-se de um cuidado adicional", reforça.Para ratificar a posição da empresa, Marcusso cita a área já alugada pela empresa para a futura construção de Floating Production, Storage and Offloading (FPSO), que são navios transformados para a exploração de petróleo e gás. De um total de 10 unidades que deverão ser fabricados no Rio Grande do Sul, a Petrobras flexibilizou o uso de equipamentos nacionais nos dois primeiros, mas os outros oito serão feitos com índice de nacionalização mínimo de 65%.Preço mínimoAté o momento, a Petrobras já encomendou dois, de menor capacidade de armazenamento, que estão em processo de fabricação pela norueguesa BW Technologies e pela japonesa Mondec para os testes e o piloto de Tupi, respectivamente. Esta última, diz Marcusso, deverá definir o estaleiro em breve, que deverá ficar entre China ou Cingapura.Segundo o executivo, serão esses projetos que apontarão o patamar mínimo de preço do petróleo para que a exploração das reservas do pré-sal seja viável. Ele reitera que a empresa opera de forma conservadora no preço de referência em seu plano de negócios para evitar riscos na exploração. Mesmo assim, Marcusso não acredita que o preço continue a cair por muito tempo. "Acho que tem muito analista fazendo projeção se nem o projeto piloto nos temos ainda. Ele entra em operação em março de 2009 para realizar o teste de longa duração que pode levar de seis a 15 meses."OpepO desenvolvimento dos campos de petróleo em águas profundas na plataforma continental do Brasil deverá ser adiado, num momento em que a crise do crédito dificulta o financiamento de projetos, disse Chakib Khelil, presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep)."O desenvolvimento dos campos petrolíferos brasileiros em águas profundas deverá envolver um investimento de US$ 100 bilhões, para o qual é necessário obter financiamento de bancos estrangeiros", disse ontem em Viena Khelil, que é também ministro do Petróleo da Argélia. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse, na segunda-feira, que parte dos projetos da empresa deverá ser adiada devido à crise internacional do crédito. "Muitas empresas não vão obter financiamento para desenvolver campos", disse Khelil. "Os preços do petróleo bruto se reduziram a menos da metade desde seu recorde, de US$ 147,27 o barril, alcançado a 11 de julho, e essa queda deve também afetar alguns projetos. Os projetos canadenses de extração de petróleo do arenito betuminoso exigem preços de US$ 90 o barril e as prospecções em águas profundas, a cotação de US$ 70 o barril para serem viáveis", afirmou Khelil.A Petrobras disse, em novembro, que o campo de Tupi deve encerrar até 8 bilhões de barris de petróleo, o que o torna a maior descoberta já ocorrida nas Américas desde a descoberta, em 1976, do campo mexicano de Cantarell. Se confirmada sua capacidade, Tupi e o campo vizinho de Iara poderão quase duplicar as reservas brasileiras comprovadas de petróleo, de 12,6 bilhões de barris. "A Petrobras pretende contar com 11 plataformas de petróleo operando no conjunto de campos da camada pré-sal, perto de seu campo de Tupi, até 2017", disse José Formigli Filho, diretor de exploração e produção da Petrobras, em setembro.

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