A partir de reunião deliberativa com representantes de sindicatos ligados à Federação Nacional dos Portuários (FNP), a categoria dos trabalhadores nos portos brasileiros entrou em estado de greve. O anúncio pressiona o presidente Michel Temer (MDB), que há duas décadas mina a eficiência da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) com indicações políticas inexplicáveis, em detrimento à escolha de profissionais técnicos para compor a direção do Porto de Santos, o mais importante do País. Caso a paralisação das atividades não seja evitada, o desgaste de Temer com a greve dos caminhoneiros irá se agravar junto à sociedade. Ele vem batendo sucessivos recordes de presidente mais impopular da história brasileira.

O presidente da FNP, Eduardo Guterra, declarou ao Portogente que as companhias docas estão recebendo sucessivos ataques, ressaltando recentes demissões, acordos coletivos irregulares e o aumento substancial da contribuição do Portus para os trabalhadores. Para a Federação, há quatro pontos a combater: a privatização dos portos públicos, as demissões de trabalhadores e sindicalistas, o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2017/2018 - que ainda está em aberto - e uma possível liquidação do Portus, o instituto de seguridade social da categoria.

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A administração portuária no Brasil tem sido dilapidada desde sempre, com a indicação política de diretores sem qualificação para os cargos que ocupam. Essas cadeiras não passam de moeda política de negociação entre os caciques dos principais partidos do País. Não há, também, uma definição clara sobre como essas companhias devem ser geridas. Os métodos de trabalho variam de acordo com o pensamento das pessoas que estão momentaneamente na administração, causando grande insegurança jurídica e afugentando investimentos essenciais para o aprimoramento da infraestrutura da movimentação de cargas no Brasil.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website