Editorial | Coluna Dia a Dia
Portogente
O sistema de transporte adequado é indício de desenvolvimento econômico
Imagem gerada por IA
São inadequados a intenção e o papel da Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, de projetar obras do Porto de Santos, como exposto no festivo anúncio da concessão do canal de acesso, envolvendo investimento de R$ 23,453 bilhões, divulgado em jornal da cidade. Portogente há seis anos debate estratégia como solução de engenharia avançada e adequada para construção de um porto de águas profundas moderno, bem como a manutenção das profundidades de projeto. Homenagem ao falecido Engenheiro Luiz Alberto Costa Franco, o maior pesquisador do canal de acesso ao Porto de Santos que até hoje se conheceu.
De pronto, dois desafios: devemos ter um porto offshore para receber navios de 20 metros de calado (big ships), tema muito debatido no grupo Portogente News; estabelecer o limite de crescimento sustentável do Porto de Santos continental. Um terminal offshore profundo, com 20 metros, reduz a dependência de dragagem recorrente; diminui impacto urbano; eleva a eficiência ambiental e insere o Brasil no padrão “deep sea global”. É uma decisão patriótica e inadiável.
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O modelo atual depende de dragagem permanente, derrocamentos complexos, janela de maré e gestão de risco ambiental elevada — e o Porto de Santos pode perder a sua posição mundial. Ou seja, o projeto “Santos 20 metros” não é apenas uma obra. É uma redefinição do papel do porto na economia nacional. Um projeto transformador. Também não é um desafio trivial. Entretanto, é o caminho inexorável para o Porto de Santos da modernidade, como foi o advento da Companhia Docas de Santos em 1892.
Em meados da década passada, a campanha Porto de Santos 17 foi intensa e sem resultado. Foi uma iniciativa de muitas reuniões, proposição de um grupo de empresários e agentes portuários entusiasmados, com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, mas sem resultado prático. Entretanto, o Santos 20 trata-se de um projeto de planejamento complexo, uma estrutura para navios de 20 metros de calado, numa abordagem mais ampla, considerando o volume adicional de água pela nova profundidade e o longo prazo de implantação.
A demanda por validação de portos offshore no Brasil cresceu em 2025 e cresce significativamente em 2026, impulsionada pela necessidade de infraestrutura especializada. Para atingir o êxito almejado no Porto de Santos é essencial a competência e participação do governo brasileiro.
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Roterdam no Brasil, como modelagem inspiradora para a instalação do Porto Offshore de Santos, pode se traduzir em um complexo portuário mais competitivo. Em breve, o manifesto para adesão à proposta estará disponível digitalmente neste portal. Em última análise, trata-se da liderança do Atlântico Sul.
Principalmente considerando que este porto enfrenta limitações de retroárea urbana e mantém uma relação porto-cidade com muitos conflitos, já passa da hora de acontecer um estudo sério e robusto do porto-offshore. Sem sombra de dúvida, é imperativa uma solução que ofereça condição para manter o destaque como hub no tempo dos big ships. Um projeto estruturante para a iniciativa privada.








