Quinta, 19 Fevereiro 2026

Editorial | Coluna Dia a Dia

(A despeito de casos como o de um navio que em 16/2 entrou no porto de Santos para atracar num terminal de contêineres, mas estranhamente o comprimento do cais disponível era insuficiente e ele teve de voltar à área de fundeio na barra, não sem antes colidir – sem vítimas humanas – com dois ‘ferry-boats’ da travessia Santos-Guarujá. Nada de mais, na verdade, e até o mar estava bem tranquilo, validando a expressão deste título...)

Veja mais: O porto dos ventos uivantes – Portogente, 11/2/2026

Voltemos ao tema das alternativas para obtenção e fornecimento de energia aos navios que demandam o porto santista, especialmente no contexto da já necessária criação de um porto ‘offshore’ (longe da praia) para receber navios de maior porte.

Lembremos que se trata de manter um dos fatores que ajudou este porto a se firmar por mais de um século como o maior em carga geral na América Latina: a disponibilidade de energia elétrica para as suas operações.

Veja mais: Porto de Santos leva energia gerada pela própria hidrelétrica até o cais - Anatel/Gov.br/MPor, 12/3/2025

Enquanto o leitor se recupera do investimento energético feito nas folias que antecederam o início do ano prático nacional, Portogente reune aqui alguns argumentos mais para engenheiros e especialistas em logística analisarem.

Eles têm a complexa tarefa de planejar o porto de que precisamos para continuar competindo nos próximos anos, em que cada vez mais os navios atracados são imediatamente ligados na tomada do cais e esse cais já precisa avançar mar a dentro, até onde os supernavios conseguem chegar.

Veja mais: 10 Tendências Futuras no Setor de Energia Eólica do Brasil – Editorialge/Índia-Reino Unido, 24/4/2025

Embora Santos tenha sua própria fonte de eletricidade renovável, estando também conectado ao sistema elétrico nacional, formando uma das maiores matrizes ‘verdes’ do mundo, em termos de sustentabilidade ambiental e empresarial, precisará oferecer este novo ‘produto’ aos navios que chegam.

A primeira alternativa, a não ser que alguém queira estender um longo cabo até o terminal em alto mar, poderia ser o uso da energia dos ventos, lembrando que a evolução da tecnologia é muito rápida; esqueça as torres com pás de ventilador, afetando o ambiente com seu forte ruído, as microturbinas de eixo vertical já são uma realidade para residências e podem ganhar escala na capacidade nos próximos anos. Existem também ganhos substanciais em baterias e manutenção preditiva, a serem considerados.

Veja mais: O guia definitivo para projetos de construção offshore - OUCO/Portugal, 7/2/2025

Resta, claro, verificar a “qualidade” dos ventos que sopram no local escolhido para o porto ‘offshore’, o mesmo valendo para a energia cinética do mar, de que trataremos a seguir.

E, da mesma forma como, mundo afora, portos controlam subsidiariamente aeroportos, retroportos, transportes, talvez seja economicamente viável a instalação em alto mar de um parque gerador de energia renovável que possa levar sua produção excedente para uso em terra firme. Hipótese a verificar. Pense grande!

Veja mais: Marco Legal das Eólicas Offshore - Gov.br, 12/11/2025

Até recentemente, projetos envolvendo energia que movimenta a água do mar eram utopia, pois a quantidade gerada era quase equivalente ao esforço para gerá-la, além da força das ondas danificar equipamentos.

Isso já mudou, e como em outros setores, a evolução altera o panorama quase que a cada instante. Dividindo-se em campos como as energias ondomotriz, maremotriz e de correntes, as pesquisas começaram ainda no século XIX e já resultaram em aplicações experimentais no Japão e na Europa, notadamente em França, Portugal, Reino Unido, Noruega e Grécia.

Veja mais: Energia Maremotriz, Ondomotriz e das Correntes – Faculdade Pitágoras, s/data

Nos EUA, o porto de Los Angeles está buscando agora desbravar a tecnologia ondomotriz. Primeiro, “na praia”, mas resultados positivos poderão animar futuros empreendimentos, usando novos materiais e aperfeiçoamentos. E, neste século, os portos cearenses (ondomotriz/Pecém) e maranhenses (maremotriz/Turiaçu) fazem estudos semelhantes.

Veja mais: Nova onda: Força marítima transformada em energia no porto de Los Angeles – The Green Amazon, 3/9/2025

O mesmo vale para a captação de energia solar: já se estuda até usar satélites coletores-transmissores dessa energia. Se o Brasil não se anima a investir mais em pesquisa e desenvolvimento, pelo menos deve ficar atento ao que o resto do mundo está fazendo. O impossível de hoje vira rotina amanhã.

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Captação da energia das ondas em teste pela Eco Wave Power nos EUA
Foto: divulgação/Eco Wave Power (https://www.ecowavepower.com/gallery/photos/)

Portogente

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