Sábado, 14 Fevereiro 2026
Opinião | Paulo Schiff
Engenheiro portuário e jornalista. Apresentador do ISFM News na ISFM - 100,7 e na ISTV. No YouTube, radio_isfm.
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A movimentação de cargas no Porto de Santos no ano alcançou a marca recorde de 186,4 milhões de toneladas. O crescimento em relação a 2024 é de 3,6%.

No caso específico dos contêineres, a movimentação também alcançou um patamar recorde: 5,9 milhões de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés). É interessante observar que o crescimento da movimentação de contêineres em relação ao ano anterior é bem mais significativo: 7,7%.

Em termos de peso, a carga conteinerizada movimentada em Santos atingiu 62,3 milhões de toneladas, 33,4% do total. No ano anterior, com 5,4 milhões de TEUs, essa parcela não chegava aos 30%.

O número de navios que atracaram no complexo portuário santista no ano passado foi de 5,7 mil embarcações, crescimento de apenas 2,7%.

Esses números deixam claro as providências e investimentos mais urgentes para manter a competitividade que Santos começa a perder.

Um crescimento do número de navios bem menor que o de cargas (2,7% contra 3,6%) indica claramente navios maiores e mais carregados e traduz a necessidade de aprofundamento do canal do estuário. A necessidade de espera de preamar e de operações especiais para a atracação dos navios maiores só reforça essa indicação.

Vale a pena assinalar que o número absoluto de navios atracados (5,7 mil) significa, em média, considerando entrada e saída, 31 passagens de navios por dia em trajetória transversal à das balsas que transportam veículos entre Santos e Guarujá. Um anacronismo que se espera esteja com os dias contados, já que em janeiro foi finalmente assinado o contrato para a construção de um túnel submarino entre as duas cidades e as duas margens do porto.

O crescimento da participação das cargas em contêineres (de menos de 30% para 33,4%) indica o esgotamento dessa capacidade de operação, que já está bem perto da saturação.

É interessante observar estudos que mostram o aumento do tempo de espera para a atracação de navios de contêineres em Santos por conta dessa saturação.

Os recordes estão sendo batidos à custa de muito sacrifício e desse prejuízo da espera.

A tradução é a urgência da concessão do STS 10. A área que atravessou mais um ano sem ser leiloada (621 mil metros quadrados) tem potencial de desafogar essa saturação e garantir o crescimento da movimentação de contêineres sem o risco de perda de cargas. O início de operações seria rápido e o período necessário para o terminal alcançar gradualmente a plenitude da capacidade de operação se ajusta ao ritmo do crescimento da movimentação.

Mais de uma vez já se disse aqui que a palavra acesso é a que melhor representa os gargalos que desafiam Santos: ferrovia, hidrovia e rodovia. Também são carências e premências angustiantes. Que dependem de planejamento. Que têm prazo de projeto. Aprofundamento e leilão do STS-10, não. São questões de apagar incêndios.

Paulo Schiff
Engenheiro portuário e jornalista. Apresentador do ISFM News na ISFM - 100,7 e na ISTV. No YouTube, radio_isfm.
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