Caso a minha memória esteja certa, na temporada de cruzeiros de 2008/2009, ao desembarcar, procedente do Porto de Santos, do transatlântico MSC Armonia no Píer Mauá, na Cidade Maravilhosa, resolvi descer a famosa Avenida Rio Branco, que já foi palco – e continua a ser – de importantes acontecimentos do Brasil. Caminhei pelas calçadas da Rio Branco centenas de vezes


Cartão-postal mostrando a Av. Rio Branco da Praça Mauá em direção
à Cinelândia. Na imagem aparece o famoso Edifício A Noite e ao fundo
o mundialmente conhecido Pão de Açúcar - o verdadeiro postal da
Cidade Maravilhosa - 1940. Col. do autor

Com o passar das décadas, testemunhei grandes modificações em lojas, cafés, cinemas e hotéis tradicionais. Os imóveis foram vendidos e surgiram novos estabelecimentos comerciais.

Me lembro perfeitamente das Casas Garçon, do Cineac e do Hotel Avenida. Neste último, existia uma famosa galeria, além do sempre lembrado Café Nice, muito frequentado por artistas e cantores do passado.


Trecho da sempre movimentada Av. Rio Branco, com seus 1800 metros
de comprimento e 33 de largura. Sua construção iniciou-se em 1904.
O  nome anterior era Av. Central - 1940.

Voltando ao descontraído passeio pela Rio Branco, verdadeira higiene mental, deparei com uma conhecida livraria e, como se lá houvesse um ímã, fui atraído para o interior dela. Ali fiquei a admirar as belas capas de livros expostos, quando notei uma interessante obra ilustrada, com textos objetivos e sucintos, intitulada "Álbum Carioca 1920, 1930, 1940 – Energia Elétrica e Cotidiano".

Ao folhear a obra, li que o Álbum Carioca era uma iniciativa da memória da eletricidade em prol da divulgação da história da indústria da energia elétrica no Brasil, no contexto da trajetória política, econômica, social e cultural do País do final do século XIX. Resumindo: o livro ressalta a importância da energia elétrica no dia-a-dia dos cariocas entre as décadas de 1920 e 1940.


A Confeitaria Cavé, embora não seja na Av. Rio Branco, mas 
nas proximidades - Rua Uruguaiana com Sete de Setembro -, ficou
conhecida pelos seus deliciosos doces. Reprodução.

Entre os maravilhosos textos, um despertou a minha curiosidade, o que contava coisas dos cinemas naquelas distantes décadas:

"Quando as sessões eram à tardinha, depois do cinema as famílias mais chiques podiam desfrutar do chá com doces portugueses na Casa Cavé, na Rua Sete de Setembro, ou do famoso “chá das cinco” na Confeitaria Colombo, na Rua Gonçalves Dias, onde se deliciavam com os biscoitos casadinhos com recheio de doce de leite, baba de moça, goiabada e damasco, o petit-four com massa de castanha de caju ou nozes e o Rivadávia, feito de pão de ló recheado com doce de leite.


O Cineac era um cinema de sessão corrida e exibia películas mescladas
como jornais, documentários, comédias e desenhos. Foi uma referência
da famosa Avenida. Década de 1940. Reprodução.

"No verão fazia sucesso na Colombo o sorvete “Cup Fio de Ouro”, decorado com fios de ovos. Na saída, as crianças levavam para casa as latas de biscoitos leque e as balas de ovo e queimadas, embaladas em papel colorido.

"Em 1942, foi inaugurada a Confeitaria Manon, na Rua do Ouvidor, que servia doces portugueses e o tradicional pão doce espanhol – e chegou a ser frequentada pelo então presidente Getúlio Vargas".


O esplendoroso interior da Confeitaria Colombo. Uma das grandes atrações
do Rio de Janeiro, visitada por turistas do mundo inteiro. Os espelhos do
salão foram importados da Belgica. A Colombo é um dos poucos
estabelecimentos que ultrapassou os 100 anos. Reprodução.

No texto, o que mais me chamou a atenção foram as confeitarias, que, quando menino eu frequentava, amiúde na companhia dos meus familiares – eles moravam no Rio de Janeiro.

A Cavé tinha o melhor doce folheado que já provei! Na Colombo, tudo era bom, principalmente os doces!


À esquerda, o prédio onde funcionou o Hotel Avenida, demolido no
início da década de 1960. Nota-se que Avenida Rio Branco era de
mão dupla. Reprodução.

Já a Manon era detentora dos melhores e mais gostosos pães doces de todos os tipos do Rio!

O Álbum Carioca me trouxe ótimas e doces recordações...


 O simpático MSC Armonia, da MSC Cruises, lembrado no início do artigo,
deixando a Cidade de Santos para um cruzeiro. Foto do autor.

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