Já não se fazem portos (e hidrovias) como antigamente! É o que se depreendeu do 7º Congresso dos “Green Port”, realizado no início do mês, em Marselha, na França. Além das novas tecnologias, equipamentos, sistemas, concepções e normativas, dentre tantas contribuições, quatro podem ser particularmente úteis para os desafios brasileiros do momento:

1) Um projeto integrado de desenvolvimento portuário e requalificação urbana (480 hectares), apresentado pelos anfitriões: o Euroméditerranée, que chama atenção por três aspectos: i) Algo como um não-preconceito em relação a portos-urbanos; rompendo com a falsa verdade de que portos precisam, inexoravelmente, abandonar o meio urbano (e Marseille não foi caso isolado!). ii) O uso tranquilo (inclusive apresentado como benéfico para o meio ambiente!) da solução de ocupação de espelhos d’água, avançando-se o “waterfront” e redesenhando-se a linha de costa (também tendência geral). iii) A articulação construtiva entre diversas esferas de governo; destas com a iniciativa privada; e com outras áreas, como cultura. Bom exemplo para vários portos e cidades brasileiras, em particular o Rio de Janeiro. Em tempo: Marselha será capital cultural europeia em 2013.

Foto: Autoridade Portuária de Marselha

Marselha é o principal porto francês e está entre os maiores da Europa

2) A postura participativa das “autoridades ambientais” na concepção e desenvolvimento dos projetos (ao invés de meros expectadores e autorizadores finais) e a efetiva prática da abordagem tridimensional: ambiental, econômico e social.

3) O estabelecimento de índices para aferir, tanto o desempenho ambiental portuário, como o das cadeias logísticas. Falou-se até de corredores “super green”!

4) Mas, certamente, o ponto alto do evento foi o lançamento do “Green Guide” pela European Sea Ports Organisation (ESPO). Está já havia lançado, ano passado, o resultado de uma pesquisa sobre governança portuária, que, de certa forma, aponta para um potencial “renascimento” das Autoridades Portuárias europeias ao longo deste século. Agora o “Green Guide”, essencialmente um guia de boas práticas, reúne informações e orientações de forma objetiva para Autoridades Portuárias, operadores, os diversos “stakeholders” e a sociedade em geral.

Para o Brasil, cujos portos voltaram a ser gargalos ao comercio internacional, à cabotagem e ao desenvolvimento, em geral, mas que tem dificuldades para se desvencilhar das impedâncias para concepção e implementação de ações e projetos para enfrentar tais gargalos, a boa notícia é que há caminhos possíveis para compatibilizar o porto, a cidade e a região; o econômico, o social e o ambiental.

Reparafrazeando Paulinho da Viola: “As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender...”

Próximo: “Caos no trânsito: E eu com isso?

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