Dá esperança a atitude do ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas de dialogar com os setores relacionados à sua pasta. De formação técnica e profissional incontestável, bem como extensa experiência na administração pública com resultados positivos, Freitas poderá colher bons frutos na incumbência de aprimorar a integração logística nacional. Fazer-se entender é indispensável à legitimação das finalidades. Sua tarefa de reconstruir um ministério que vem sendo há muito deteriorado pelo PR de Valdemar Costa Neto é um desafio hercúleo.

trilhos descarrilar

Ao analisar as logísticas brasileiras a partir dos portos, percebemos que o principal complexo portuário do Hemisfério Sul, o de Santos, está à deriva. Comandado por um presidente sem perfil nem experiência, o porto santista talvez não consiga quórum estatutário para deliberação da sua diretoria executiva. Acrescente-se a isso o fato de que a maioria da sua diretoria ter sido retirada de suas funções pelas mãos da Polícia Federal. Os portos são origens e destinos dos principais e mais valorosos fluxos de carga movimentados por meio dos múltiplos modais de transportes. A partir deles são pensadas soluções e prioridades.

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Em LesChemin de fer (1981), Geoffrey F. Allen relata a crise que abalou a ferrovia francesa e a europeia como um todo, com o desenvolvimento dos transportes rodoviário e aéreo. O autor vê sinais da recuperação ferroviária. No caso das ferrovias nacionais, esta visão também pode ter sentido na determinação do novo ministro convocar, por meio do diálogo, os segmentos afetados pela difícil situação em que se encontra aproximadamente 30 mil quilômetros de ferrovias. Na sua secular história do modal, há fatos abomináveis como o recente caso da construção da Norte-Sul sob a direção do ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha. Certamente, só haverá produtividade nos portos com acesso ferroviário com mínimo de resistência e máximo de sustentabilidade. E não falta competência nacional para realizar tal missão.

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Historicamente no Brasil, a navegação interior permitiu a expansão de fronteiras para o Oeste, servindo também como via de acesso e transporte de pessoas para regiões de estados como Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas. Atualmente, os portos do Arco Norte são palco de soluções logísticas geradoras de trabalho e atraentes de capital. Trata-se de uma perspectiva alentadora, cujo sucesso vai depender muito, e não pouco, da capacidade de sustentação dos três pilares das ações do novo Ministério da Infraestrutura: planejamento, gestão e regulação. O modal aquaviário irá desempenhar um papel importante, principalmente para garantir margem por unidade de produto na agricultura do Cerrado, na era tecnológica. Significa reverter a afirmação corrente de que o problema da produção agropecuária é da porteira até os portos. Por conta da logística deficiente.

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Desnecessário abordar a capacidade do transporte aquaviário para deslocar grandes volumes por grandes distâncias. No entanto, nossa cabotagem ao longo de quase 8 mil quilômetros de costa ainda se mantém, no mínimo, cinquenta anos atrasada. Decerto que, para desenhar um mapa inovador para os fluxos brasileiros de produtos e pessoas, Freitas precisa promover uma logística produtiva que "converse" com todos os modais. Pois, a ruptura política ocasionada pela eleição do presidente Jair Bolsonaro pode se traduzir em uma oportunidade para promover preços e produtos mais competitivos. E, assim, promover desenvolvimento econômico e social.

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