Pernambuco e Bahia reduzem importações diretas
Levantamento da Logcomex aponta centralização logística no Sul e Sudeste, mesmo com crescimento do mercado
• Importações via Suape (PE) caem 62%
• Queda de 35% na ALF Salvador (BA)
• Porto de Itajaí cresce 71%
• Mercado total avança 10,8% em 2025
O mercado brasileiro de artigos carnavalescos segue em crescimento, mas os estados que concentram o consumo e o impacto econômico da festa não são, necessariamente, os principais responsáveis pelas importações diretas. Essa é a principal conclusão de um levantamento da Logcomex, empresa líder em tecnologia para o comércio exterior.
A análise considerou as importações de fantasias, adereços, flores artificiais, penas, lantejoulas e acessórios utilizados em blocos de rua, escolas de samba e carros alegóricos entre janeiro e novembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.
Sul se consolida como hub logístico
Os dados mostram a consolidação de Santa Catarina como principal porta de entrada desses produtos no país. As importações via Porto de Itajaí cresceram 71%, passando de US$ 4,7 milhões para US$ 8,1 milhões. Já o Porto de São Francisco do Sul avançou 12%, alcançando US$ 8,2 milhões.
Embora não seja um grande consumidor final de artigos carnavalescos, o estado concentra a nacionalização dos insumos, que posteriormente são redistribuídos para São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões, reforçando o papel do Sul como hub logístico nacional.
“Os dados indicam uma centralização logística cada vez maior. Santa Catarina funciona como porta de entrada, enquanto os grandes centros consumidores optam por adquirir produtos já internalizados.”
— Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex
Grandes festas, menor importação direta
O contraste fica evidente ao observar Bahia e Pernambuco, estados que sediam algumas das maiores manifestações carnavalescas do mundo. Em Pernambuco, as importações via Porto de Suape recuaram 62%, passando de US$ 4 milhões em 2024 para US$ 1,5 milhão em 2025. Na Bahia, a ALF Salvador registrou queda de 35% no mesmo período.
No Norte do país, as importações via Porto de Manaus também recuaram 8%. A retração pode indicar maior dependência de redistribuição nacional a partir de hubs logísticos do Sudeste e do Sul, abastecendo estados como Roraima, Rondônia e Amapá.
Segundo a Logcomex, o movimento de centralização ocorre em um contexto de expansão do mercado. Entre janeiro e novembro de 2025, o valor total importado de artigos carnavalescos cresceu 10,8%, impulsionado principalmente pelos itens classificados como “artigos para festas e carnaval”, que avançaram 36%.
“O Carnaval continua crescendo, mas a forma como ele é abastecido mudou. Hoje, eficiência logística e antecipação são tão importantes quanto a criatividade.”
— Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex









