Foto: Tadeu Nascimento

Vista aérea da área que deverá ser revitalizada

A caminhada para a integração porto-cidade, focando a revitalização de antigas áreas portuárias, tem sido longa e repleta de obstáculos. Especialmente em Santos, onde há décadas fala-se de melhorias na área do cais Valongo-Paquetá. Não se trata apenas de aumentar a profundidade do canal de navegação, alargar avenidas, eliminar gargalos rodoferroviários, construir instalações modernas, equipar o local com instrumentos inteligentes e implantar uma logística eficaz ao incremento dos movimentos de importação-exportação. Sim, é tudo isto, considerando também que o maior porto da América Latina ainda guarda uma forte relação cultural com a sua cidade-mãe.

Grande parte das famílias santistas possuem um ou mais membros que trabalham em atividades portuárias. Porto e cidade, porém, não andavam felizes de mãos dadas. Até o final do século XX, a idéia predominante, no entendimento da autoridade portuária, era que o desenvolvimento da cidade veio a conturbar o crescimento do porto.

O fato de não se proceder à reserva das áreas necessárias ao seu (do porto) futuro desenvolvimento resultou nos estrangulamentos que se observam, principalmente no trecho Valongo-Paquetá, o que ensejou a elaboração de estudos visando ao alargamento desse trecho do cais (“A evolução dos Planos Diretores” – Jornal do Porto, n. 43. Ano V. Santos: CODESP. Dez.1997).

A área da costa marítima, que se estende desde a avenida Conselheiro Nébias, no bairro do Paquetá, até o prolongamento da rua São Bento (ou Largo Marquês de Monte Alegre), na divisa dos bairros do Valongo com o Centro, pode ser denominada de “Porto Urbano de Santos”. Trata-se de um trecho de cais subutilizado, com mais de dois quilômetros de extensão.


Aspecto de um dos armazéns degradados

No ano de 1996, A Prefeitura de Santos havia elaborado um projeto de reurbanização desta zona portuária que, se tivesse sido implantado, teria transformado não apenas o Centro Histórico como todo o entorno e região. Mas como disse o saudoso jornalista, na época assessor da Prefeitura para Assuntos do Porto, “...lá vem um momento em que o atraso é atropelado por fatos novos para que a história siga o seu curso.”  O Zé Rodrigues estava, no ano de 1995, falando da Lei de Modernização dos Portos, mas hoje vamos pedir licença para transferir suas palavras para a versão século XXI do plano de revitalização: Porto Valongo Santos. 

O atual secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino, considera que Santos traçou o caminho certo para elaborar o projeto de revitalização portuária e integração urbana. Foi buscar os exemplos bem-sucedidos em vários países para esboçar o seu próprio plano. No último dia 26 de abril, alguns casos foram apresentados no “Seminário Internacional: Revitalização de Áreas Portuárias e Integração Urbana”. 

Vamos continuar este tema na próxima semana.

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