Foto: Rodolfo Stuckert/Agência Câmara
Em recente evento logístico na Capital, opiniões se dividiam naquela animada roda de executivos e parlamentares: “no Congresso falta discussão! Qual nosso projeto nacional?”. “Debatemos demais e, por isso, as implantações demoram” (ecoando o presidente da entidade ao abrí-lo). “Fazemos sem discutir, depois pagamos o preço”.

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Provavelmente, todos têm razão. Pelas horas e número de seminários, audiências públicas, GTs e comissões tem-se a impressão de decisões maturadas. Mas a repetição de temas e ideias em eventos, de “projetos” nos sucessivos planos e orçamentos (compare-se o PAC-2 com o 1, com o “Avança Brasil”, com o “Brasil em Ação” e até com os PNDs do período militar) e a plêiade de GTs infrutíferos denunciam a baixa eficácia/eficiência de nossas discussões. Já escavações em asfaltamentos recém-concluídos são ícones e exemplo de desencontros entre órgãos públicos ou projetos privados.

Algumas hipóteses:

Tratamos como plano/projeto peças que vão pouco além de pleito, proposta ou mera ideia. Eventos nos quais a participação da plateia é inviabilizada e/ou painelistas se sucedem em monólogos autárquicos são chamados de debate. Será que apenas o network justifica organizações tão caras, cujo forte é a veiculação de dados e informações acessíveis na mídia ou na Internet? Muitos são os painéis e GTs que começam sem saber o(s) problema(s) a ser(em) resolvido(s); o objetivo (além de um relatório) a ser alcançado. Aliás, como não temos problemas, e/ou não fica bem aparentá-los, a velha “Problemas Brasileiros” virou “Estudos Brasileiros”!

Conclusões não é o forte dos nossos eventos e GTs. A busca de sínteses é exceção, talvez pela exiguidade dos tempos, por ser contraindicada por nossa “etiqueta”, pela comodidade dos mediadores ou porque, mesmo diante de pontos de vista divergentes, fugimos da metodológica réplica/tréplica, optando pelo “... o que você tem contra mim”; uma fulanização escapista, culturalmente arraigada.

Talvez a revolução da informática e a “sociedade do espetáculo” conspirem contra discussões mais eficazes; sem trocadilhos, em si, uma discussão necessária. Richard Wurman se ocupou de como transformar a informação em compreensão (“Ansiedade de Informação”, best seller dos anos 1990). Precisaríamos ir além: da compreensão à ação.

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