Quarta, 25 Fevereiro 2026

Editorial | Coluna Dia a Dia

Portogente

Se depender dos 108 minutos da fala “Estado da União” deste ano, proferida dia 23/2 no Capitólio de Washington para impressionar os eleitores que renovarão o Congresso em novembro, a economia dos Estados Unidos sobe como um foguete, mesmo com alguns parafusos soltos deixados pelo presidente anterior — nada que já não esteja sendo consertado, claro.

A imagem do foguete nem foi usada pelo governante: talvez tenha lembrado que ultimamente muitos foguetes estão literalmente explodindo no céu após instantes de ascensão, por falhas bem avisadas, porém negligenciadas…

O fato é que os últimos movimentos da política e da economia do Grande Irmão do Norte estão se traduzindo em bem poucos números positivos frente aos negativos… há perigosas tempestades no ar.

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Antes, isso era bom para os EUA: ao primeiro sinal de tormenta, o mundo corria para o dólar como porto seguro. Agora, os investidores se voltam para economias emergentes, onde podem obter bons resultados com muito mais segurança (sem uma “explosão” esplendorosa por dia e a insegurança a cada segundo), reforçando um indesejável círculo vicioso nos Estados Unidos.

Está impossível planejar qualquer coisa envolvendo aquele país, principalmente em médio prazo. No longo prazo, “todos já estaremos mortos”, como disse um filósofo. No curtíssimo prazo, apenas os especuladores conseguem ganhar rios de dinheiro à custa de quem não tem alta capacidade de processar dados instantaneamente. A China possui essa capacidade computacional e visão estratégica — e consegue ganhar dinheiro em qualquer cenário.

Veja mais: Ibovespa bate novo recorde impulsionado pela entrada de capital estrangeiro no Brasil - Veja Negócios, 24/2/2026

Países com “jogo de cintura”, como o Brasil, também ganham. A B3 continua batendo recordes quase diários, impulsionada pela enxurrada de capital estrangeiro que entra a cada nova palavra de efeito verbalizada em Washington. Claro que os brasileiros, como de costume, muitas vezes perdem o timing: correm para a Bolsa quando os investidores atentos já realizaram seus lucros.

A Europa hesita: sabe o que precisa fazer, mas adia decisões. Dá um passo à frente e outro atrás. A África surge como oportunidade para capitais asiáticos. Há espaço, inclusive, para investimentos árabes em infraestrutura.

Os movimentos internacionais convergem para um entendimento: afugentados pelos EUA, capitais buscam economias alternativas mais previsíveis. Nesse contexto, o Brasil torna-se alvo estratégico — no melhor sentido possível.

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Até a China, que caminha para assumir o posto de maior economia global ainda nesta década, reconhece a vantagem estratégica de investir fortemente no Brasil. Há campo fértil para parcerias em navegação, portos, logística, armazenagem, transportes, tecnologia, meios de pagamento e telecomunicações.

Veja mais: Indústrias chinesas avançam no Brasil e redesenham mapa geoeconômico nacional - Gazeta Mercantil Digital, 20/10/2025

Claro que o Brasil precisa se acautelar para não se tornar excessivamente dependente da nova superpotência. Com boa legislação e parcerias equilibradas, é possível aliar criatividade nacional ao potencial de investimentos externos, diversificando mercados e ampliando horizontes.

O apoio estrangeiro pode contribuir inclusive para o aperfeiçoamento da capacidade produtiva, via qualificação profissional. Trabalhamos muito, mas modelos empresariais arcaicos rendem pouco e cometem erros que o mercado global não perdoa.

Veja mais: Brasil e China firmam novos acordos na educação - Ibrachina, 16/12/2024

Os Três Poderes também precisam de modernização estrutural. O país dispõe de recursos, mas carece de projetos consistentes e planejamento de longo prazo. A estratégia de diversificação de parcerias com Índia, Coreia, países árabes e Europa mostra-se benéfica para atravessar tempestades externas com mais estabilidade.

Assim, enquanto o foguete do Norte tenta manter sua trajetória, o Brasil pinta novos alvos estratégicos para atrair investimentos e consolidar um novo ciclo de desenvolvimento. Talvez poético. Mas profundamente real.

Estado da União 2026

Trump e o “Estado da União” em 24/2/2026. Foto: divulgação – The White House/Gallery

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