Caros leitores,
Hoje, falaremos da importância da evolução do número de locomotivas diesel no Brasil.
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Locomotiva diesel elétrica GE da Ferronorte
Os investimentos feitos pelas concessionárias a partir de 1997, primeiro ano após a privatização da operação ferroviária no Brasil, foram realmente significativos. O ano de 2002 foi um pouco atípico, devido as eleitos presidenciais, mas a partir de 2003 os valores passaram da marca do bilhão de reais, tendo se aproximado dos 2 bilhões em 2004.
Apesar desses investimentos o transporte ferroviário no Brasil ainda é pequeno, dada as nossas grandes extensões territoriais, mas já estamos começando a sair da decadência e do abandono ocorrido durante as décadas de 80 e 90.
Como cerca de 50 % dos investimentos têm se concentrado na aquisição de material rodante (locomotivas e vagões), a frota brasileira de locomotivas em 2004 ultrapassou as 2.500 unidades, representando um crescimento total de 86,2 % desde 1997. Apesar das discrepâncias entre os dados de fontes distintas, apresentadas no artigo anterior, é evidente o crescimento do número de locomotivas em circulação acrescido também pelas locomotivas restauradas aqui mesmo no Brasil.
Como resultado de um maior número de locomotivas em circulação, a produção do transporte de carga nas ferrovias, tonelagem vezes distância, tem evoluído também desde o início da privatização em 1997, tendo ultrapassado a marca de 200 bilhões de toneladas quilômetros em 2004. Como resultado positivo para as concessionárias ferroviárias a receita bruta cresceu no mesmo período 213 %, sinalizando que os investimentos em material rodante estão sendo adequados garantindo o retorno financeiro para as ferrovias.
O aumento de locomotivas em circulação nas ferrovias brasileiras aproximou-nos da condição das ferrovias de classe 1 (as grandes linhas) americanas, pois em 1996 elas já tinham o índice de 90 locomotivas por 1.000 quilômetros de linha, enquanto no Brasil o nosso era de 60 quando considerávamos as ferrovias da Cia. Vale do Rio Doce, que sempre foram bem equipadas, e caia para 40 quando foi considerado o total das ferrovias. Em 2005 atingimos o índice de 85 locomotivas/km, próximo do índice americano de 1996, com 10 anos de defasagem.
País/ano |
Índice |
condições |
Estados Unidos/1996 |
90 locomotivas/1000 km |
Ferrovia Classe 1 |
Brasil / 2000 |
60 locomotivas/1000km |
Todas as ferrovias |
Brasil / 2000 |
40 locomotivas/1000km |
Excluindo o minério |
Brasil /2005 |
85 locomotivas/1000km |
Todas as ferrovias |
Referências bibliográficas