Pontos-chave:
1) É sincero e profundo o desejo/processo de “passar a limpo” o País? Para que ele seja consistente e sustentável muita negociação; muita discussão será necessária no futuro próximo.
2) Opinião; sim! Mas, por favor: Conteúdo e método!
3) Menos seminários (que se auto bastam); e mais audiências públicas (com ponto de partida, abertura, debates focados e busca da construção dos mais amplos consensos: ponto de chegada).

 

“... se você pretende sustentar opinião
e discutir por discutir
só para ganhar a discussão...”
[“Discussão” – João Gilberto]


“do sincrético;
pelo analítico;
ao sintético”
[Nicéa – minha mãe; pedagoga]

 

Cabem discussões sobre a extensão e a profundidade do atual processo de “passar a limpo” o País. Mas o certo é que ele já está em curso; possivelmente ultrapasse 2015 e, como os movimentos tectônicos (02, 03), que geram tsunamis, deve irradiar ondas reformistas para áreas/setores/temas cada vez mais distantes do epicentro institucional – hoje o (principal?) foco.

E, quanto mais amplas as reformas, quanto mais as desejamos consequentes e sustentáveis, é de se imaginar que mais e mais “concertación” (conceito consagrado entre os ibéricos) será necessária. Ou seja: Negociação; discussão.

Mas não o discutir por discutir... (seja para “ganhar a discussão”; seja para fazer a mímica do dever cumprido ou, como as indulgências, para tranquilizar consciências).

Que somos um povo opinativo (com ou sem informação; com ou sem conhecimento); já o sabemos. Que as redes sociais potencializaram esse traço brasileiro; já o constatamos. Mas a discussão necessária, para que trilhemos novos rumos, precisa ser fundamentada, transparente, democrática e buscando a construção dos mais amplos consensos. Ou seja: Conteúdo e método!

Desconsideremos as rodas informais nos cafés, bares, clubes, praias ou encontros familiares. Quantos eventos estruturados (seminários, workshops, convenções, congressos, etc.) ocorrem, a cada dia, nesse grande Brasil: Dezenas; centenas; milhares? Que resultados, concretos, práticos, transformadores... eles têm viabilizado? Em contrapartida, quanto é despendido para que eles ocorram? Quais as relaçôes benefício/custo? Quanto do nosso PIB é dedicado/comprometido com tais atividades?

Em relação a custos, consultei alguns amigos(as) organizadores(as) sobre um evento-tipo: Realizado em SP, de 2 dias, período integral, sem atividades sociais paralelas. Para 100 pessoas, 50% delas vindas de outros estados. Deslocando-se por avião, comprando passagem com 1 mês de antecedência, hospedando-se em hotéis 3 e 4 estrelas (preferencialmente nos locais dos eventos), fazendo refeições em restaurantes congêneres. Utilizando taxi para as movimentações na cidade.

Entre custos da realização do evento e despesas dos participantes (sem considerar suas horas de trabalho!) as estimativas ficaram entre R$ 130 e próximo a 200 mil. Ou seja: i) Entre R$ 10.800,00 e R$ 16.700,00 por hora de evento (considerando-se um máximo de 12 horas “liquidas” – normalmente é menos que isso!). ii) Entre R$ 1.300,00 e R$ 2.000,00 per capita. iii) Ou seja; entre R$ 108,00 e R$ 167,00/per capita/h de evento!

Tais recursos poderiam ser mais HYPERLINK "https://portogente.com.br/colunistas/frederico-bussinger/discussao-demais-ou-de-menos-41792"bem aproveitados se os temas das palestras/exposições definidos fossem norteados pelo “qual o problema a ser resolvido”? Se os palestrantes se ativessem aos temas/títulos propostos. Se não fizessem palestras/intervenções autárquicas (sem considerar a dos demais palestrantes/painelistas). Se não gastassem a maior parte do tempo fornecendo dados/informações perfeitamente possíveis de serem obtidos na internet (a um custo infinitamente menor!). Se os horários fossem cumpridos. Se o tempo previsto para perguntas & respostas; para debates fosse efetivamente cumprido. Se os coordenadores conduzissem as sessões para conclusões (ainda que parciais). Se os resultados fossem compartilhados com um público maior. Se os organizadores/coordenadores (ou alguém!) tivessem preocupação de fazer o follow-up dos encaminhamentos.

Ou seja se, ao invés de eventos com formato do se convencionou caracterizar como “seminários,” eles tivessem mais a linha de audiências públicas!

Qual a diferença?

Certamente há audiências públicas realizadas quase que só pro forma. Para “cumprir tabela”. Onde o promotor, contrariando o espírito/título, mais fala que ouve.... Mas, de qualquer forma, a maioria delas parte de um diagnóstico do problema (ao menos seu esboço); apresenta/submete uma proposta básica; há tempo/canais para intervenções, debates e apresentação de alternativas (e, posteriormente, formalização das manifestações).

Nesses casos, há maior transparência, possibilidade de participação (agora ampliado com os recursos da internet), conclusões, encaminhamentos ... bem na linha do que aprendi na juventude: “do sincrético, pelo analítico, ao sintético”. Ou do método de aproximação sucessiva; caro a nós engenheiros. Também tão dialético: Debates podem ser retomados em estágio superior; até que as instâncias decisoras tomem suas decisões (democraticamente, se espera, no caso das públicas!).

Um exemplo interessante é o do processo de consulta, em curso, sobre “gestão de canais” dos portos (dragagem) - cujo prazo foi prorrogado, pelo Ministro, na recente audiência pública presencial (agora, até 9/MAI/2015). Também prometida uma 2º AP. Processos desse tipo, para temas mais abrangentes ou pontuais, podem contribuir decisivamente para a “concertación” da qual necessitamos:

Ah! O busílis não é o título; a designação: Seminários são instrumentos centenários. Já prestaram relevantes serviços à ciência, à academia, à organização da sociedade, à política... mas foram, no caso brasileiro, sendo progressivamente desfigurados. O importante é a metodologia; o modelo:

Menos seminários (que se auto bastam)! Mais audiências públicas (com ponto de partida, abertura, debates focados e busca da construção de consensos: ponto de chegada).

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