A reserva de petróleo e gás do chamado pré-sal foi descoberta no Campo de Tupi, na Bacia de Santos, ao final de 2007. Desde lá muito se fala sobre os benefícios que o pré-sal poderá trazer para a região da Baixada Santista. Entretanto, a área do pré-sal é extensa, indo do Espírito Santo a Santa Catarina, passando pela Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, que era até os tempos de pré-sal, a responsável por metade da produção brasileira de petróleo e derivados.

Por este fato, é normal que a exploração da camada pré-sal encontre melhores condições na Bacia de Campos, que, consequentemente, já possui serviços estruturados para atender a demanda do pré-sal. Um destes serviços é o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que vem crescendo com a descoberta da camada pré-sal. Segundo dados do dia 07/03/2010 do jornal O Estado de São Paulo, a Petrobrás e a Universidade Federal do Rio de Janeiro concentram esforços para fazer do chamado campus da Ilha do Fundão, da UFRJ, um “Vale do Silício” do pré-sal, atraindo investimentos financeiros públicos e privados (Um ‘Vale do Silício’ para o pré-sal).

Atualmente, a UFRJ mantém o COPPE - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia, que vem trabalhando no desenvolvimento de tecnologias de manuseio de cargas e um Laboratório Oceânico, que simula as condições marítimas; além de ser sede do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (CENPES). E agora, com vasta área ainda para construir, vem tornando-se uma pólo agregador de conhecimento na área de petróleo e gás, sediando os centros de pesquisa das empresas da área. Ou seja, o estado do Rio de Janeiro está cada vez mais se tornando referência na pesquisa tecnológica de petróleo e gás, formando quadros ultra-especializados.

Qual o sentido de chamar atenção para este assunto? Pelo fato de que desde que descobriram a camada pré-sal no Campo de Tupi, o que se escuta na Baixada Santista é o desenvolvimento que isto trará, gerando empregos, estabilidade econômica, pesquisa tecnológica, etc. Entretanto, o que vimos e, principalmente, o que fizemos neste sentido? Podemos dizer que muito pouco. Surgiram alguns cursos de graduação e pós-graduação na área de petróleo e gás, a Petrobrás já começou a reforma do prédio para futuras instalações e só. Nem a iniciativa privada nem o poder público investiram além do necessário.

Quando comparamos o quadro da Baixada Santista nesta área com o que está acontecendo na UFRJ, podemos aventar duas hipóteses: a primeira refere-se ao fato de que ainda não se sabe o quanto de riqueza do pré-sal realmente será agregada a região da Baixada Santista, o que leva a medo de investir; e a segunda, que há uma falta de vontade da iniciativa privada, pelo medo de investir e não ter o retorno falado, e um descaso do poder público, que não investe em suas universidades da Baixada Santista, para torná-las pólos concentradores de P&D na área.

Acredito na primeira hipótese, mas tenho mais convicção na segunda. Isto, pois, mesmo que talvez o pré-sal tenha sua riqueza distribuída, podemos gerar riqueza a partir dele, investindo no desenvolvimento de pesquisa tecnológica e na especialização de serviços, que terão um valor agregado muito maior do que os oferecidos atualmente na região da Baixada Santista. Para isto, há de ter uma vontade da iniciativa privada, tanto na área da educação e pesquisa quanto na área da indústria e serviços, em investir na formação de quadros e na produção de bens (materiais e imateriais) que possam tornar a Baixada Santista não somente pólo de passagem do pré-sal, mas local agregador das riquezas geradas direta e indiretamente por ele. Também é preciso que o poder público, principalmente o Governo do Estado, invista nas universidades que estão sobre sua gestão, para que elas possam desenvolver ciência e tecnologia na área de petróleo e gás. Afinal, o que faz a Unesp em São Vicente neste sentido? A FATEC Santos está preparada para atender a demanda do pré-sal?

Ou seja, o que quero chamar a atenção é que não podemos esperar as glórias do pré-sal chegarem sem fazermos nada por isto. O desenvolvimento falado aos quatro ventos só acontecerá se houver vontade de todas as partes em investir para que este desenvolvimento aconteça. Se universidades, empresas de serviços, indústrias e poder público ficarem apenas esperando a riqueza com a mão no chapéu sem colocá-la na massa, sinto que o pré-sal não chegará a ser maré alta, mas somente uma marolinha, quase imperceptível.

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