Imagem aera de Nova York, mostrando as águas abrigadas da ilha

Rever Projeto de Porto (1)

Port ou harbor (havre - porto ou abrigo)?

Port do Inglês significa porto em Português, tradução direta. Harbor (do Inglês), embora comum, não deve ser entendido diretamente como sendo porto no sentido restrito da palavra. Mais adequado seria entender harbor como abrigo marítimo, local mais protegido das ondas e dos ventos para todas as embarcações. Um porto compreende uma cidade, um bairro local frequentado por marítimos e toda a estrutura que faz desse empreendimento o local correto para carga e descarga de navios sob a supervisão de autoridades. Um porto sempre estará abrigado, mas um abrigo em si não é necessariamente um porto com todas as suas funcionalidades. A autoridade portuária, por sua vez, tem jurisdição sobre as áreas do porto e do abrigo. Como exemplo, podemos citar a demarcação das áreas de fundeio, onde os navios na condição de espera permanecem ancorados. Todavia, as áreas de fundeio não são uma parte do projeto de porto que dependa necessariamente de obras de engenharia.

(Leia também Autoridades Portuárias)

Portos naturais

São lugares banhados por águas no globo terrestre cuja formação geográfica favorece a ausência de grandes ondas, ventos impetuosos e fortes correntes, além de possuírem área e profundidade suficientes para permitirem a separação de tráfego, realização de manobras de atracação, giro e fundeio, espaço para operações de carga e descarga, bem como dispensam maiores obras de engenharia para a manutenção dessas condições. Alguns bons exemplos de portos naturais: Rio de Janeiro no Brasil; Nova York nos Estados Unidos da América; Hong Kong na China, Sydney na Austrália, Brindisi e Taranto na Itália e Le Havre na França. O elemento perturbador da tranquilidade dos portos naturais é necessidade de aumentar a profundidade do lugar face ao crescimento do calado e das dimensões dos navios modernos. Naturalmente, esses navios carregam mais carga e tem dimensões muito superiores às permitidas para as condições desses locais. A solução para atender a essas circunstâncais estará contemplada no projeto de porto

Portos artificiais

São lugares banhados por águas cuja formação geográfica sofre alterações inteiramente realizadas pelo homem por meio das obras de engenharia. Nesse quesito, cabe observar que o círculo de convergência e o círculo de desenvolvimento estarão intimamente ligados às obras da Engenharia Civil Costeira e Portuária nos momentos em que o empreendedorismo e os investimentos no setor sejam vultuosos. Um dos melhores exemplos de porto artificial é o Porto de Tianjin na China que se destaca por suas dimensões faraônicas.
Na antiga Grécia, se destaca o porto artificial de Pireu, construído pelos próprios gregos (famosos por sua relevante arquitetura) e que ainda hoje está ativo e vem sendo alvo de investimentos dos chineses desde 2014. A China em harmonia com o círculo de desenvolvimento, tem elevado interesse estratégico nesse porto grego.
Os romanos também desenvolveram a arte portuária e foi no século I a.C. que Marcus Vitruvius Pollio escreveu 10 volumes dedicados à construção e à arquitetura, abrangendo a construção de portos e de outras edificações.
Na idade média, ocorreu um aparelhamento peculiar nos portos: canhões e muralhas os transformaram em fortalezas a fim de inibir os ataques de navios piratas. O porto francês de Nice, em 1250, foi o primeiro a receber esse tipo de adaptação.
Historicamente, os esforços para construir portos artificias se incrementaram mundialmente a partir da segunda metade do século XVIII, principalmente pelo governo britânico que na pessoa de John Smeaton (o “pai da Engenharia Civil”), coordenou a reconstrução do Farol de Eddystone.

Desenho em seção do Novo Farol de Eddystone


Portos comerciais

São portos naturais ou artificiais, caracteristicamente construídos e aparelhados para a realização das operações de carga e descarga, embarque e desembarque de materiais, mercadorias e tipos de carga (com suas especificidades) e tipos de navios; devidamente organizados e subdividos para atender às pessoas envolvidas nas operações portuárias; abrigar as embarcações auxiliares e de passeio; armazenar cargas temporariamente; fornecer água, energia elétrica e combustíveis; oferecer serviços de reparos e combate a incêndios; dispor de um sistema de comunicação, preservação ambiental, controle e segurança das operações; e que contam com uma malha viária composta de rodovias, ferrovias e dutovias para recebimento e entrega de cargas. No que tange ao espelho d’água, dispõe de separação de áreas de manobras intituladas áreas de evolução, esquema de separação de tráfego com balizamento e sinalização de perigos e do canal de acesso ao mar. No projeto de porto constarão as vias de acesso para interligação da partes do porto com a áreas vitais da comunidade que o cerca.
Nas áreas adjacentes ao porto forma-se a hinterlândia que costuma acompanhar o desenvolvimento do porto no mesmo compasso em que as operações portuárias evoluem, tanto nas atividades primárias, diretamente relacionadas ao porto, quanto nas secundarias. No caso brasileiro, tal fenômeno sócio econômico por região portuária, pode ser constatado nos registros da CNAE – Classificação Nacional das Atividades Econômicas, da CBO – Classificação Brasileira de Ocupações e do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

(Leia também Área do Porto Organizado)

Portos Militares

Estão localizados em pontos estratégicos e servem para abastecer, reparar e distribuir as forças navais de uma nação, facilitando a cobertura, varredura e alcance das áreas vitais do país, garantindo a defesa das águas territoriais. As instalações mais complexas recebem a designação de base naval e de arsenal de marinha, onde se desenvolvem atividades de treinamento e capacitação das tropas, bem como a construção e reparação das embarcações navais de pequeno, médio e grande porte, incluindo submarinos e porta-aviões. O porto de Toulon na França, cumpre as duas funções, comercial e militar.

Portos de Apoio

Estão localizados nas proximidades dos polos de exploração petrolífera em águas profundas e servem para acostagem e amarração da embarcações de apoio marítimo que dão suporte ao fornecimento de materiais de subsistência no mar, apoio às tripulações e insumos para as plataformas de Offshore.

(Continua ...)

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