Editorial | Coluna Dia a Dia
Portogente
“O porto deve prover sistemas de informação amplos, planejados para satisfazer toda a comunidade portuária.” (UNCTAD)
A expansão do Porto Organizado de Santos em 56% de suas áreas terrestre e marítima, conforme diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos, não é um ato administrativo comum. É uma decisão estratégica que projeta o futuro do principal porto do Hemisfério Sul e, por consequência, do comércio exterior brasileiro. Exige reflexão técnica, responsabilidade política e maturidade institucional.
E é nessa convergência que reside a verdadeira inteligência portuária.
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Não se trata apenas de ampliar limites em um mapa. Trata-se de definir o espaço geográfico onde se organizarão fluxos de riqueza, empregos, tecnologia e integração logística. A poligonal portuária é, antes de tudo, instrumento de planejamento. Sua redefinição precisa estar alicerçada em critérios espaciais rigorosos, sustentabilidade ambiental e racionalidade econômica.
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É pertinente, nesse contexto, a posição do presidente da Associação Comercial de Santos, Mauro Sammarco, ao afirmar que a nova poligonal não deve ser encarada como disputa de território, mas como pacto de desenvolvimento regional. O debate precisa ser qualificado, envolvendo os diversos segmentos da sociedade da Baixada Santista, para que o processo não se fragilize por ruídos políticos ou interesses circunstanciais.
A Autoridade Portuária de Santos dispõe de um corpo técnico concursado e capacitado, fundamental para assegurar que essa expansão seja orientada por inovação modernizante. Modernizar não é apenas incorporar tecnologia; é reorganizar o espaço, otimizar fluxos logísticos, elevar a produtividade e criar condições para que o capital investido gere resultados consistentes e sustentáveis.
Cada etapa de modernização do Porto de Santos representa uma nova síntese entre economia, sociedade e território. Ao longo de sua história — inclusive nos 94 anos de administração privada da antiga Companhia Docas de Santos — o porto demonstrou que eficiência decorre, sobretudo, da qualidade da gestão. A tecnologia é instrumento; a administração é o fator determinante.
O desafio contemporâneo é claro: equilibrar expansão econômica com responsabilidade social e ambiental. O porto está inserido em cidades vivas e dinâmicas, que também precisam crescer com qualidade urbana, mobilidade e inclusão. Não há prosperidade portuária sustentável se houver desequilíbrio na relação porto-cidade.
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Em um cenário de comércio global cada vez mais competitivo, a capacidade de decisão ágil e responsável será determinante. Sem governança eficiente, qualquer infraestrutura — por mais moderna que seja — corre o risco de se tornar espectadora da própria irrelevância.
A nova poligonal, portanto, deve ser compreendida como projeto de futuro. Se conduzida com planejamento técnico, participação pública qualificada e visão de longo prazo, poderá fortalecer o Porto de Santos como motor do desenvolvimento nacional. Não como território em disputa, mas como território de convergência.








