No dia do Halloween as bruxas estiveram soltas no Porto de Santos. Resultado do combativo trabalho do portal Portogente, que vem trazendo à tona as entranhas dos portos do Brasil, a Operação Tritão da Polícia Federal chegou ontem à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Em conseqüência, o diretor-presidente, José Alex Botelho de Oliva, e o diretor de Relações de Mercado e Comunidade, Cleveland Sampaio Lofrano, foram presos temporariamente e exonerados. No âmbito da empresa, eles foram substituídos, respectivamente, por Luiz Fernando Garcia e José Alfredo de Albuquerque e Silva.

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Estranhamente, José Alfredo de Albuquerque e Silva era presidente, até ontem, do Conselho de Administração (Consad) e fazia parte da estrutura dos diretores que foram presos para evitar ocultação de provas. No caso dos fortes indícios de superfaturamento dos serviços de dragagem revelados por Portogente, Silva permitiu o pagamento de um serviço não aceito pelo fiscal, sem ter determinado abertura de processo administrativo e garantir com transparência o melhor cumprimento dos fins administrativos.

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O caso policial que se assistiu no Porto de Santos por conta da investigação pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar a atuação de uma organização criminosa na Codesp abrange serviços de digitalização de documentos e dragagem. O primeiro caso, trata-se de assunto relativo à diretoria de Relações de Mercado e Comunidade. No caso dos serviços de dragagem, eles são contratados e fiscalizados pela diretoria de Engenharia. Conforme Portogente apurou, este caso da dragagem envolvendo a Codesp e a Dragabrás é objeto também do processo TCU 015644/2018-9.

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Será oportuno, o novo presidente da Codesp, até ontem assessor do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação (MTPA), iniciar a sua atividade no Porto de Santos explicando a verdadeira razão de terem sido pagos R$ 18 milhões por uma fatura da Dragabrás de pouco menos que R$ 5 milhões. E dar transparência e publicidade das suas justificativas, pois a sociedade aguarda e agradeceria essa explicação.

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Quem comanda com longa manus o Ministério dos Transportes é o ex-presidiário e apenado Valdemar da Costa Neto, do Partido Republicano (PR). O padrinho político de Cleveland Lofrano é o deputado Milton Monti, também do PR. Considerando os altos valores envolvidos nas dragagens, convém estender essa investigação a todos os contratos da SEP e do MTPA desses serviços nos portos brasileiros. Assim, o Procurador da República Thiago Lacerda Nobre, à frente da investigação da Operação Tritão, a partir de Santos vai criar um futuro melhor dos portos do Brasil. As eleições mostraram que eleitores e eleitoras não toleram mais e querem extirpar essas práticas condenáveis da administração pública.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website