Em uma recente manhã, ao saborear uma deliciosa xícara de café de coador no centenário Café Paulista, na cidade portuária de Santos, que na verdade é mais santista do que outros da Cidade, veio-me à lembrança a informação de um livro, na qual nunca havia prestado atenção, ou seja, as dificuldades das diversas fases do café para chegar da fazenda ao consumidor. 

Quando tomamos café, que é um hábito internacional, não fazemos ideia de todo o trabalho e tempo exigidos para que a bebida chegue à xícara: derrubada da mata, plantio, trato do cafezal, colheita, beneficiamento, transporte e comercialização.


Carretões com sacas de café, aguardando chamada por parte do feitor
para embarque do produto em um navio - Porto de Santos, 1910. Col. L.J.Giraud

Quando tomamos café, não imaginamos quantas pessoas foram envolvidas, no passado e no presente, com sua produção: escravos, colonos, boias-frias, donos de terra, comerciantes, exportadores, importadores, estivadores e consumidores.

Quando tomamos café, não lembramos que ele trouxe e ainda traz riqueza para o Brasil, que ele foi responsável pelo desenvolvimento do Estado de São Paulo e pela sua industrialização; em outras palavras, que provocou a mudança do centro econômico do Nordeste para o Sudeste.


Publicidade do Café Excelsior; grãos de primeira
qualidade destinados à exportação - 1930. Col. L.J.Giraud

Quando tomamos café, um hábito tão social, nem percebemos que ele foi a essência de uma época – a passagem do século XIX para XX – em que os fazendeiros do café tiveram seu período de glória e o Brasil deixou de ser uma Monarquia para ser uma República, com a mão-de-obra escrava substituída pelo trabalho livre do imigrante.

Quando tomamos café, não atentamos para o fato de que, apesar de sua origem estrangeira (africana), seu papel em nossa terra, nossa sociedade, nossa economia e nossa cultura foi extremamente importante.


Do começo do século até a década de 1950 os cafés eram ponto de encontro. Reprodução

O café se identifica muito com o Brasil. Não só porque nosso país ainda é um dos grandes exportadores do produto como também pelo fato de o café estar sempre presente no nosso cotidiano, sendo considerado símbolo da hospitalidade brasileira.

Conhecer o café é resgatar uma parte da memória brasileira, fazendo com que o passado se transforme em presente e tudo possa ser tão agradável quanto a conversa estimulada por um gostoso cafezinho.


Três cavalheiros tomando café na calçada e sem pressa; eles não faziam
idéia do trabalho exigido para a bebida chegar à xícaras - Início do século XX. Reprodução

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