O contrato de dragagem do canal do estuário do Porto de Santos que se encerra neste mês de março tem o valor de R$ 277 milhões por 24 meses.
A empresa responsável pela manutenção da profundidade em 15 metros é a Van Oord.
A dragagem nos últimos anos não tem trazido problemas para a operação portuária.
Mas nem sempre foi assim. Houve períodos no passado mais ou menos recente marcados por interrupções, dificuldades para acertar contratos e insegurança quanto à manutenção da profundidade necessária para a operação. Entre 2015 e 2018, por exemplo, uma longa disputa judicial envolveu o consórcio Boskalis / Van Oord e a EEL Infraestruturas na licitação da dragagem.
A ideia atual é o aprofundamento do canal para 17 metros e depois, talvez, para 18.
Essa profundidade permitiria a atracação de navios New Panamax, com mais de 366 metros de extensão, sem nenhum esforço logístico adicional, como a interrupção do tráfego de balsas entre Santos e Guarujá ou a espera de horários específicos de preamar.
A dragagem de aprofundamento e, depois, de manutenção da profundidade alcançada certamente vai exigir um contrato bem mais caro e também vai trazer modificações ambientais no entorno mais complexas de administrar.
A dragagem representa uma intervenção drástica em uma situação estabilizada pela natureza. Quanto mais profunda, mais drástica a intervenção. A natureza tende a recompor a condição original e estável, promovendo sedimentação. É por isso que a dragagem de manutenção se torna permanente.
O custo da dragagem de manutenção, somado aos prejuízos ambientais que muitas vezes acabam sendo ignorados, justifica plenamente o estudo de uma solução alternativa.
Esse Plano B surge sob a forma de um píer offshore instalado próximo ao Porto, em local que garanta naturalmente profundidades de 17 a 18 metros, sem necessidade de dragagem constante.
O porto já instalado continuaria operando com navios Panamax, que não exigem profundidades maiores. Já os navios New Panamax e Ultra Large, com capacidades de até 24 mil TEUs, operariam nesse novo píer.
Não seria nenhuma novidade. A Turquia inaugurou no ano passado a extensão para 880 metros do píer offshore East Med Hub. O custo, incluindo dragagem necessária no local e equipamentos — como 32 guindastes — foi de cerca de US$ 455 milhões.
No fim, trata-se essencialmente de uma questão de fazer contas.








