Sábado, 14 Março 2026

Editorial | Coluna Dia a Dia

Portogente

Porto é um ponto nodal da cadeia de suprimento

Há décadas que se discute, sem consequência, a implantação das hidrovias como hinterlândia do Porto de Santos. Atualmente, as imagens, interna e externa, da Autoridade Portuária estão fortemente deterioradas, por graves denúncias e cujos ruídos alcançam a campanha do Presidente Lula e exigem do Governo Federal, diante de uma responsabilidade incontornável: agir. A intensa expectativa e a pressão para a efetiva implantação da modernização portuária demandam desenvolvimento estratégico através da tecnologia blockchain na logística.

DaD arquiterura

Imagem gerada por IA

O Porto de Santos já opera no limite de sua infraestrutura terrestre em vários momentos, especialmente no acesso rodoviário e ferroviário. Nesse contexto, as hidrovias da Baixada Santista não devem ser entendidas apenas como um prolongamento físico do porto, mas como a criação de um novo sistema logístico integrado, baseado no uso intensivo das vias aquáticas naturais da região. Nos países do hemisfério Norte, essa lógica é antiga e consolidada.

Sistemas hidroviários são parte estrutural da logística. Exemplos clássicos incluem o eixo do Rio Reno, que conecta os portos do Mar do Norte ao interior industrial da Europa; como também o corredor do Rio Mississipi, fundamental para o transporte de carga nos Estados Unidos. Nesses casos, a hidrovia não é vista como acessório portuário, mas como coluna vertebral da logística nacional. Sistemas hidroviários são parte estrutural da logística.

A Baixada Santista possui condições naturais semelhantes: estuários, canais e rios navegáveis que poderiam formar uma rede hidroviária de distribuição de cargas, conectando retroáreas logísticas, terminais industriais e polos urbanos. Plataformas logística-industriais, nas quais transporte, armazenagem, transformação industrial e distribuição funcionam de forma integrada.

Nesse contexto, o sistema hidroviário regional tem três funções estruturantes: 1- integrar industrial e logisticamente ao complexo portuário de Santos uma extensão de cerca de 200 quilômetros de vias navegáveis, compreendendo rios, canais e braços de mar com potencial para navegação interior; 2- expandir naturalmente o porto, como extensão natural da área operacional portuária e 3 – descongestionar o meio urbano, ao transferir parte do fluxo de cargas pesadas para barcaças e comboios fluviais.

O transporte hidroviário é um dos modais mais eficiente energeticamente. Comparado ao transporte rodoviário, consome menos combustível, emite menos CO2, reduz o impacto ambiental da logística portuária e reforça a agenda porto sustentável. Mais do que transporte, as hidrovias ajudam a reorganizar o território logístico da Baixada Santista. Assim, o sistema hidroviário deixa de ser apenas um modal e passa a funcionar como infraestrutura do novo modelo logístico do Porto de Santos – ampliando a capacidade e reduzindo impactos urbanos, bem como criando as bases para uma logística portuária moderna e sustentável.

Dentro desse cenário e visão, a participação da comunidade portuária é essencial para que o projeto que será proposto realmente potencialize os negócios de importadores e exportadores ligados ao Porto de Santos. São diversos atores que operam de forma interdependente no comércio exterior, como autoridade portuária, terminais, armadores, despachantes aduaneiros, operadores logísticos, transportadores, agências marítimas, retroportos, seguradoras, entidades empresariais e órgãos reguladores.

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*O Dia a Dia é a opinião do Portogente

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