Sou leitor assíduo do Diário Oficial do Município de Santos, devido às informações interessantes que a publicação oferece aos munícipes, bem como relatos do passado da Cidade e imagens antigas que são publicadas em alguns dias da semana.

Imagem ilustrativa do encouraçado República, que em 19 de setembro de
1893 abriu fogo contra as fortalezas santistas da Barra e de Forte Augusto

No último dia 19 de setembro, saiu na Seção Memória Santista um artigo contando um fato ocorrido em Santos em 1893, envolvendo a Revolta da Armada. Somado a isso, vi em um livro antigo uma pintura óleo sobre tela mostrando um confronto entre o cruzador República e as fortalezas da Barra e a do Forte Augusto. A partir dessa leitura entendi o que representa a referida tela. Por achar digno de ser lido pelos leitores, peço licença e reproduzo o referido texto.

Santos resiste ao ataque da Revolta da Armada

19 de setembro de 1893. Havia alguns dias o país mergulhava num clima de forte intranquilidade por conta da eclosão, no Rio de Janeiro, da Segunda Revolta da Armada, conflito originado dentro de setores da Marinha e do Exército, por conta das divergências que ambas as instituição militares tinham acerca do comando da recém-criada Republica (1889).

A capital do país, Rio de Janeiro, era bombardeada pela frota da Marinha, liderada pelos almirantes Custódio de Melo e Saldanha da Gama, que não aceitavam a posse de Floriano Peixoto em substituição ao Marechal Deodoro da Fonseca. O velho presidente havia renunciado ao cargo após denúncias de atos ditatoriais.

Assim era o Porto de Santos, na época da Revolta da Armada. Pintura de Benedito Calixto

Os revoltosos, além de manter a artilharia contra os fortes sob o comando de Floriano, resolveram descer o litoral para ocupar pontos estratégicos no sul do país. No caminho, o mais importante a ser conquistado era o Porto de Santos que, na idade dos revolucionários, haveria de ser o ponto sede da revolta. O que eles não contavam era com o poderio de resistência do sistema defensivo santista, que contava com a Fortaleza da Barra Grande e do Forte Augusto (onde fica atuando o Museu de Pesca).

Assim, em 19 de setembro de 1893, o encouraçado “ República ” fundeava ao lado da Ilha das Palmas, para estudar a situação antes da “ invasão ” ao canal do Estuário. Na orla santista, em plena areia da praia, um contingente de homens armados, enviados a mando do então presidente do Estado de São Paulo, Bernardino de Campos, a pedido de Floriano, esperava para revidar.

O encouraçado, então, para intimidar os santistas, disparou seus canhões contra o exército e na direção das duas fortalezas, que prontamente revidavam.

A Fortaleza da Barra Grande, na Barra de Santos. Pintura de Benedito Calixto

Vários habitantes, assustados com o conflito e a possibilidade da invasão, fugiram para São Paulo pelas composições da São Paulo Railway. Porém, dos que ficaram, muitos assistiram, do alto do Monte Serrat, os bravos santistas resistirem ao ataque dos revoltosos da Marinha. As velhas fortalezas, ainda que enferrujadas, deram um bom caldo e impediram a vitória dos invasores, que desistiram e rumaram para os lados de Santa Catarina. Santos festejou, orgulhosa, mais uma vitória de resistência, lembrando o tempo em que os seus primeiros habitantes rechaçavam os piratas do período colonial.

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