Com frequência, recebo e-mails muito interessantes de amigos que apreciam navios. Alguns contam passagens por eles vivenciadas, dignas de um artigo, como a narrada por Leonardo Bloomfield, residente na bela Petrópolis.


O navio de passageiros Eugenio "C", posteriormente rebatizado de Eugenio
Costa, sendo rebocado no Porto de Santos. Foi um dos navios mais 
populares da Linea "C". Media 217 metros, deslocava 30.567 toneladas,
velocidade 27 nós e tinha capacidade para 1.636 passageiros. Navegou 
na rota da América do Sul entre 1966 e 1996. Foto J.C. Rossini.

Leonardo, na mensagem, cita três navios, Austral, Eugenio C e Federico C, muito lembrados no cais santista. Principalmente pelos que já estão com mais de 40 anos de idade.

O Austral é lembrado em um texto extraído do livro de José Carlos Rossini, "Sinistros Marítimos – Costa do Estado de São Paulo 1900-1999", lançado em 1999.

Primeiro, vamos ver o que Bloonfield reservou para nossa leitura:

Viagem do Chile para o Brasil
Até meados de 1966 trabalhei na Cepal/ONU [Comissão Econômica para a América Latina / Organização das Nações Unidas], em Santiago do Chile, no Setor Ferroviário, do Departamento de Transportes.


O notável Eugenio "C" no canal de acesso do Porto de Santos, na 
altura da linha das balsas do Guarujá - anos 1970. Col. do autor.

Tinha como colega e amigo o Comandante Sepúlveda, já falecido, da Marinha de Guerra Chilena.

Este senhor, com quem mantinha excelentes conversas sobre assuntos marítimos, vendo meu interesse nesta área, se ofereceu para me conseguir, junto a um amigo seu (diretor de uma companhia chilena de navegação), uma viagem de cortesia no navio Austral, que sairia de Valparaíso para o Rio de Janeiro, via Estreito de Beagle e Patagônia.
 
Esse navio era um ex-alemão, construído no pós-guerra, com excelentes acomodações, melhor dizendo, verdadeiros apartamentos, para um reduzido número de passageiros. Creio que somente 12.


O Federico "C", navio em que Leonardo Bloomfield viajou de Buenos 
Aires para o Rio de Janeiro. Construído em 1957, transportava 
1279 passageiros. Aqui visto em manobra de atracação, em 1960. 
Foto: José Dias Herrera - Acervo do autor.

Como esse navio zarpou antes de obter minha dispensa do trabalho, algo burocrático, mesmo num órgão internacional, perdi a viagem, e o próximo só depois de um mês, e não era um navio dos melhores, e eu tinha prazo para me apresentar na RFFSA [Rede Ferroviária Federal S/A], meu emprego oficial, e acabei nem voltando para a RFFSA, pois fui logo requisitado para o Geipot [Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes], um órgão interministerial criado em 1965, em condições profissionais e financeiras bem melhores.

Clique aqui para ler a segunda parte deste artigo.

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