Uma das praças mais conhecidas da cidade de Santos é a José Bonifácio, conhecida por abrigar a Catedral, o Teatro Coliseu, o Fórum, a Sociedade Humanitária dos Empregados no Comércio de Santos e o Monumento ao Soldado Constitucionalista (homenagem de Santos aos seus filhos que se sacrificaram na campanha constitucionalista de 1932). 

Cartão-postal da década de 1980, onde é vista a Praça José
Bonifácio (arborizada), o Teatro Coliseu, a Catedral, o Fórum e a
Sociedade Humanitária. Acervo do autor

No passado, era um tanto mais agitada, pois lá funcionava um posto do Sindicato dos Estivadores, igreja evangélica, inúmeros cafés, lojas, floricultura, lavanderia, pastelaria, fotógrafos, consultórios médicos e dentários, escritórios de advogacia e de contabilidade.

Tive um contato muito próximo com a tradicional Praça, a começar pelo meu batismo que foi na Catedral. Vale lembrar que dos anos 1950 aos 1960, meu pai, Dr. Laire Giraud, médico clínico geral, dentre várias entidades, dava consultas no Sindicato dos Carris urbanos, entidade de classe dos motorneiros e cobradores de bondes, bem como o pessoal dos troleibus e até do bondinho do Monte Serrat.

A Praça José Bonifácio por volta de 1947, ao lado da Catedral. Ainda não
existia o Fórum (na época ficava na Praça dos Andradas).
Acervo do autor

Por essa razão, quase todas as tardes lá comparecia para tomar um lanche com meu pai e seus amigos, mais precisamente os irmãos Almeida da famosa Casa Almeida de materiais e acessórios elétricos. Naquele tempo, o Santos Futebol Clube mantinha um bolão esportivo, onde os acertadores dos placares levavam um prêmio em dinheiro, e uma das listas ficava lá. Meu pai sempre colocava seus palpites na referida lista.

Geralmente íamos no Café D´Óeste, que além da melhor coxinha de galinha da Cidade, servia um ótimo cafezinho.

Vista da Praça, tendo ao fundo o famoso Monte Serrat com seus
estabelecimentos comerciais. O Café D´Oeste ficava na
esquina
da Av. São Francisco. No canto esquerdo, é vista a
edificação da antiga Santa Casa. Anos 40 - Acervo do autor

A Praça José Bonifácio era um mundo à parte, bem diferente dos demais locais. Lá todos se conheciam. Assim conversávamos com os Mathuk (Flora São José), os Indes (camisaria) e os irmãos Mahfuz, que tinha o slogan “Adão não se vestia porque Mahfuz não existia”, os Bechara (Casa do Rádio), e com o médico João Paulino (irmão do Dr. Oswaldo Paulino).

Por lá passavam a caminho do Fórum juízes e advogados de renome, como Adhemar de Figueiredo Lyra, Nicanor Ortz, Ariosto Guimarães, Archmed Bava, Cleóbulo Amazonas Duarte, Cyro Atahyde Carneiro e Antonio Ablas Filho, entre outros.

A bela Catedral de Santos é um dos pontos
altos da Praça - 1950.
Acervo do autor

Naquele época, existia o Foto Oriental, de propriedade de uma família japonesa. Assim, lembranças da primeira comunhão, batizados, casamentos e fotos 3x4 eram lá clicadas.

Li num determinado livro, cujo título não recordo, que nos anos 1930 e 1940 as moças faziam o “footing” (passeio a pé para espairecer), onde procuravam flertar com algum rapaz, na esperança de um futuro casamento.

Monumento do Soldado Constitucionalista, 
erguido em homenagem aos combatentes santistas

E você sabe o motivo de a Praça José Bonifácio ter sido denominada de "Praça da Vida"? Eis a resposta: ela sediava o Cartório de Paz para registrar nascimentos, casamentos e atestados de óbitos; Catedral para batizar e realizar casamentos; Humanitária para promover lazer, inclusive bailes em seus belos salões. Café D´Oeste com seu famoso bife e cafezinho servido na mesa, farmácia do conhecido farmacêutico Vahia de Abreu; floricultura para enfeitar festas e fazer coroas; lojas diversas dos Indes, dos Mahfuz e de outros e, finalmente a Casa Rosário para venda de caixões. Era ou não a verdadeira praça da vida?

 

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