Na década de 1920, o Cap Polonio realizou vários cruzeiros de lazer pelo Atlântico Sul, visitando a Terra do Fogo e o litoral de Brasil, Argentina e Uruguai. Famoso ficou o Cruzeiro de Inverno ao Brasil e Uruguai, realizado em julho de 1923, a partir de Buenos Aires, num itinerário de 21 dias, com escala de 12 horas em Florianópolis, de três dias em Santos e de uma semana no Rio de Janeiro.

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Num prospecto a companhia advertia: "Os excursionistas não terão que preocupar-se com vagas em hotéis nem com as refeições, já que o preço da passagem inclui o uso contínuo do Cap Polonio como hotel flutuante e porque as autoridades brasileiras facilitarão o cômodo atraque do vapor nos cais. No Rio de Janeiro, o Cap Polonio permanecerá fundeado frente à Avenida Rio Branco".


O Cap Arcona, com suas três chaminés nas cores vermelho e
branco, atracado no Porto de Hamburgo, na Alemanha, por volta
de 1930. Acervo: João Emilio Gerodetti

No litoral de Santa Catarina, os vapores Anna e Max, da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke, realizavam o transbordo dos passageiros para terra, já que o Cap Polonio fundeava nas proximidades de Anhatomirim, a uma hora de distância por navio de Florianópolis.

Em Santos, os excursionistas recebiam tíquetes que permitiam participar de "caravanas" subindo a terra e dirigindo-se até São Paulo, pela São Paulo Railway, com almoço no Hotel Esplanada ou Rôtisserie Sportsam; passagem ferroviária para Guarujá, com almoço no Grande Hotel, e Five O’ Clock Tea no Hotel Parque Balneário, de Santos. No Rio de Janeiro, os passageiros tinham direito a uma excursão ao Pão de Açúcar pelo bondinho, ascensão ao Corcovado pela estrada de ferro, passeio a Petrópolis pela Leopoldina Railway e a Niterói por ferryboat e lá passeio no tramway elétrico.


O Cap Arcona deixando Santos, na altura da Ponta da Praia. Na época
existia um antigo trampolim de madeira, anos mais tarde substiuído
por outro de alvenaria - 1925. Acervo: João Emilio Gerodetti

Em 1931, as acomodações para passageiros do Cap Polonio foram modernizdas, mas o luxuoso navio ficou inativo no Porto de Hamburgo devido à grande depressão econômica mundial (1929), acabando por ser vendido para demolição em 1935.

O Cap Polônio foi constuido no estaleiro Blohm & Voss, de Hamburgo. Sua armadora era a Hamburg-Sud. Media 201,8 metros de comprimento, deslocava 21.000 toneladas. Sua tripulação era composta de 460 elementos. Transportava 356 passageiros na primeira classe, 250 na segunda e 949 na terceira. Foi lançado ao mar em 25 de março de 1914.


Grupo de brasileiros a bordo do Cap Polonio, em 15 de fevereiro
de 1926, durante viagem à Europa. Acervo: João Emilio Gerodetti

Durante a primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), foi convertido a cruzador auxiliar da Marinha germânica. Em 1921 fez sua primeira viagem na linha Hamburgo-Buenos Aires, passando por portos brasileiros. 

O presente texto faz parte do magistral livro Navios e Portos do Brasil – Nos cartões-Postais e Álbuns de Lembranças (2006) de autoria de João Emilio Gerodetti e Carlos Cornejo.

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