"Qual cisne branco que em noite de lua
Vai deslizando num lago azul..."

(Trecho da Canção do Marinheiro)

Somente por duas vezes cheguei a ver o esplendoroso Navio-Escola Almirante Saldanha da Gama. A primeira foi numa manhã, a partir da famosa amurada da Ponta da Praia, em Santos. Devia ser lá pelos idos de 1958. O belo veleiro foi à Cidade para as comemorações do Dia do Marinheiro (13 de dezembro).

A segunda vez foi de uma das janelas do antigo I.A.P.M - Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos, onde meu pai exercia a profissão de médico. O veleiro estava atracado no cais do Armazém 4 da Companhia Docas de Santos. Confesso que em nas vezes que vi o legendário Saldanha senti certa emoção, própria de quem admira todos os tipos de navios, ainda mais sendo um imponente veleiro branco.  


O Almirante Saldanha, na sua chegada apoteótica no Rio de Janeiro,
em 24 de outubro de 1934. Essa triunfal chegada só pode ser
comparada com a chegada dos escalões da Força Expedicionária
Brasileira, que participaram da Segunda Guerra Mundial, na Itália

Constantemente o Almirante Saldanha era notícia na seção criada por Francisco de Azevedo, Porto & Mar do jornal A Tribuna de Santos. Nos anos 50 vinham notícias sobre a movimentação das nossas belonaves.

Na década de 1950, a Marinha dispunha de dois excelentes veleiros o Navio-Escola Guanabara, que é o atual Sagres da Marinha de Portugal, e o Almirante Saldanha. Construídos respectivamente na Alemanha e Grã-Bretanha. Particularmente não sei dizer qual dos dois era o mais belo.


O Saldanha da Gama passando pela famosa Ponte do Brooklin,
Nova York, durante a viagem de instrução de 1935. Ao fundo,
Manhattan. Acervo do autor

Comparando os dois belos veleiros, o Vice-Almirante Luiz Edmundo Brígido Bittencourt, que foi guarda-marinha a bordo do Saldanha da Gama, conta que este era bem maior e espaçoso, especialmente construído para guarda-marinhas brasileiros, e não para aspirantes alemães. Por conseguinte, era bastante confortável, incluindo sala de estar, praça d’armas, beliches, cabrestante e guinchos elétricos, piloto automático e outras facilidades mais.


O belo veleiro atracado no píer de Manaus, tendo pela sua proa o
Almirante Alexandrino, do Lloyd Brasileiro (1951). Acervo do autor

Construído em 1930 pelo estaleiro Vickers Armstrong, de Barrow-in Furnesse (Inglaterra) ele foi incorporado a Marinha do Brasil em 1932, para substituir o antigo Benjamin Constant, que por muitos anos em grandes viagens preparou várias gerações de oficias de Marinha. Sua chegada ao Rio de Janeiro se deu em 24 de outubro de 1934. A chegada foi apoteótica com escolta de belonaves e embarcações particulares, salva de tiros das fortalezas da barra, desfile aéreo, seguido de grandes acontecimentos.

Clique aqui para ler a segunda parte deste artigo.

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