Clique aqui para ler a primeira parte deste artigo.

A embarcação transportava 324 passageiros na primeira classe e 204 passageiros na segunda. Tinha estabilizador Denny-Brown, equipamento para diminuir o balanço.

Foi entregue em 1939, ano em que eclodiu a Segunda Guerra Mundial, e de imediato requisitado pelo Almirantado Britânico para servir como navio-transporte de tropas.


Aquarela de Julio Augusto Rocha Paes, retratando o Andes durante
manobra de desatracação em junho de 1953. Ao fundo, notam-se
as torres de alta tensão do Porto de Santos (Reprodução)

No final da Segunda Guerra, em 1945, o ‘Andes’ foi devolvido ao armador e reformado para a primeira viagem comercial rumo à América do Sul, em 1948, a serviço da Royal Mail.

Diga-se de passagem que o ‘Andes’ foi o primeiro navio que me lembro de ter visto na minha vida. A última viagem do ‘Andes’ como navio de passageiros foi em novembro de 1959, com a chegada dos transatlânticos ‘Amazon’, ‘Aragon’ e ‘Arlanza’, que substituíram o ‘Alcantara’ e os quatro ‘Highlands’.


O requinte e o luxo do salão nobre de primeira classe
do belo Andes (Acervo: Laire José Giraud)

Posteriormente, o ‘Andes’ foi transformado em navio de cruzeiro. Veio ao Rio de Janeiro nos anos 60, com turistas de várias nacionalidades. A pintura foi alterada para a cor branca, perdendo um pouco do charme que ostentava – antes era de preto carvão.

O ‘Andes’ foi o maior capitânea da Mala Real e mantinha a reputação de ser um dos navios mais belos que passaram pelo Brasil e por Santos, especificamente.


A imagem diz tudo sobre o aconchegante salão de fumar
(Acervo: Laire J. Giraud)

O interior era luxuoso, principalmente os salões nobre, de fumar, de coquetel e de jantar de primeira classe, além do foyer. Quanto aos camarotes, eram incomparáveis. Apenas o milagre da fotografia pode mostrar o brilho e a pujança deles. Os conveses de passeio (promenades) eram muitos espaçosos.


O majestoso e amplo salão de jantar de primeira classe do navio,
que foi considerado um dos reis da rota sul-americana
(Acervo: Laire José Giraud)

Sem dúvida, uma das instalações de maior destaque era a sedutora e elegante piscina, com o amplo Lido ao redor, que fazia do local um ambiente alegre e colorido, onde era servido um belo bufê com variados pratos e sobremesas dignas dos deuses, segundo Gerson da Costa Fonseca, que já foi prático preferencial da Mala Real Inglesa e praticou o ‘Andes’, bem como outros navios desse armador, incontáveis vezes.

O ‘Andes’ foi planejado e construído para transportar somente passageiros em primeira e segunda classe. Por tal razão, a maior preocupação foi providenciar acomodações espaçosas.


Uma das instalações de maior destaque do transatlântico era a
suntuosa e elegante piscina, com ambiente alegre e colorido. No
local, era servido um excelente bufê. (Acervo: Laire José Giraud)

Antes, porém, devo dizer que este texto surgiu em razão de um e-mail enviado pelo amigo Silvio Roberto Smera, acompanhado de uma bela imagem do porta-contêineres ‘Aliança Andes’, que, em vista do segundo nome, me trouxe à lembrança a imagem do ‘Andes’ e a ideia de escrever este artigo.


Um dos destaques do Andes eram os camarotes, que mostravam
o aconchego e o requinte desses ambientes, como nessa cabine
de primeira classe (Acervo: Laire José Giraud)

Dedico também este texto para o amigo Smera, como agradecimento por – diária e incansavelmente - nos brindar e nos presentear com fotos de navios e da cidade de Santos, todas de rara beleza, além de textos sobre assuntos muito interessantes.

Finalizando, convido os amigos leitores para imaginariamente embarcarem no Andes e fazer uma viagem até onde nossas mentes nos levarem...


Foto do Aliança Andes, clicada pelo amigo Smera em 8 de
outubro de 2006, que me trouxe a ideia de escrever este artigo

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