Com satisfação reapresento o artigo publicado no dia do aniversário da cidade de Santos – no último 26 de janeiro , no Caderno Especial do Jornal A Tribuna. Trata-se da lembrança do mais belo ônibus urbano que a Cidade já teve.

Eis o texto:

Após a Segunda Guerra Mundial, a influência dos Estados Unidos no mundo – em especial no Brasil – era grande e a Cidade de Santos não fugiu à regra do estilo de vida americano. Ou como diziam, american way of life.

Produtos com novas tecnologias surgiram no mercado, como liquidificadores, aspiradores de pó, batedeiras de bolo e máquinas de lavar roupa, que tornavam mais suaves os trabalhos das donas de casa.


O ônibus Coach Gostosão passando em pleno Gonzaga.
À esquerda, o antigo Parque Balneário Hotel. Ambos foram
duas maravilhas da Cidade de Santos - 1952. Col. do autor

Para vender os produtos, surgiram em Santos lojas de eletrodomésticos, amplas e com ambientes modernos, como a Discopa, a Sears e a Casa do Rádio.

Diante de tantas inovações, o transporte urbano santista chegou também à modernidade, por intermédio do empresário Manoel Diegues, na época proprietário do Expresso Brasileiro Viação Ltda. (EBVL), que importou 45 ônibus urbanos do modelo Coach GM TDH-4008 (hidramáticos) e circularam de 1948 até 1955, quando o serviço de ônibus foi transferido para o Município, a exemplo do que havia acontecido com os bondes em 1951. Vale lembrar que o EBVL possuía linhas rodoviárias para São Paulo e outras cidades. Sua agência ficava na Praça Mauá, próximo ao Café Carioca.

Apesar da origem, aqueles ônibus transmitiam uma sensação de brasilidade, porque foram pintados de verde e amarelo. Eram idênticos aos que circulavam nas principais metrópoles americanas.

O Coach, que também era chamado pelos santistas de Cóche, recebeu o apelido de Gostosão no Brasil – por ser bonito, elegante, vistoso, macio, confortável e arejado. Seu visual externo é considerado moderno até os dias de hoje.


O Coach GM TDH 4008, idêntico ao que circulava em Santos.
T = Transit  (urbano), D = Combustível Diesel e
H = Hidramático. Os números 40 (passageiros sentados)
e 08 (série de fabricação). Acervo do Museu
de Birmingham - Alabama - USA

Ser visto dentro do Gostosão era sinônimo de status. As pessoas chegavam até a fazer pose, ao subir ou descer daqueles maravilhosos ônibus.

Além da beleza e do design moderno, chamava muito a atenção o ronco do motor GM marítimo, que era inconfundível, bem como o característico som produzido pelo freio, de ar comprimido.

Vale lembrar que os motoristas e cobradores usavam uniformes impecáveis de cor caqui, além de quepe e gravata, o que contribuía para uma ótima impressão. O Gostosão pedia elegância!

Várias linhas de ônibus foram agraciadas com o Gostosão, entre elas a 3, a 4 e a 5. Também havia uma que servia São Vicente.

Uma curiosidade: a garagem dos Coachs Gostosão ficava no local onde hoje é o conhecido Super Centro Comercial do Boqueirão, na Rua Oswaldo Cruz com a Rua Lobo Vianna.

Com certeza, a frota de Coach fez com que Santos tivesse o melhor transporte do Brasil naquele tempo...

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