Não sou noveleiro, mas quando chego em casa após o trabalho, no final da tarde, deparo com a minha esposa assistindo à novela Lado a Lado, da Rede Globo de Televisão, que mostra o Rio de Janeiro em 1910.

Em um dos capítulos da novela, vislumbrei marinheiros no convés de uma belonave, onde havia torres de canhões de grosso calibre. E ouvi um marinheiro, Zé Maria (interpretado pelo ator Lázaro Ramos), dizendo que um marinheiro do Minas Gerais havia levado 250 chibatadas, o que causou revolta entre os praças.


O encouraçado Minas Gerais, da coleção de estampas com ilustrações
de belonaves de várias nações, que vinham junto com barras de
chocolates argentino da marca Estrella. Década de 1920. Col. do autor.

O líder da revolta foi o marinheiro de primeira classe João Cândido, que ficou conhecido como o Almirante Negro.

Esse acontecimento deu-se em 22 de novembro de 1910. Teve como resultado a tomada da belonave e a execução do comandante João Baptista das Neves.

Minas Gerais e a Revolta
No Rio de Janeiro, sete dias após a posse de Hermes da Fonseca, o presidente brasileiro foi surpreendido por uma revolta na Armada.


O Minas Gerais fundeado na Baía da Guanabara, ainda com duas chaminés,
pouco antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Col. do autor.

Cansados dos maus tratos e dos castigos corporais, os marinheiros se rebelaram.

Naquele tempo, permitia-se o açoite e alguns mestres eram extremamente cruéis.

Não satisfeitos de usar chicotes para punir os comandados, aqueles encarregados da manutenção e conservação dos navios utilizavam chibatas com pontas de agulha, que dilaceravam as costas dos marinheiros.

Estes se revoltaram, sob o comando de João Cândido, apelidado como o Almirante Negro.


O encouraçado São Paulo, do tipo Dreadnought, com semelhanças do
Minas Gerais - navegando pelo estuário do Porto de Santos (1912) -, foi
uma das belonaaves participantes da Revolta da Chibata. O São
Paulo chegou no Rio em 1910. Em 1951, após ter sido desativado, foi
vendido como sucata para um estaleiro britânico. Ao passar
rebocado próximo aos Açores, foi surpeendido por forte tempestade
indo a pique. Col. do autor.

Depois de sangrenta luta com os oficiais, os revoltosos tomaram três navios: os encouraçados São Paulo e Minas Gerais e o cruzador Bahia, que estavam fundeados na Baía da Guanabara.

As negociações entre Governo e rebeldes foram demoradas. Os revoltosos ameaçavam bombardear a cidade do Rio de Janeiro, caso não fossem atendidos.

O presidente temia perder a autoridade, se atendesse aos rebeldes.

Os oficiais da Marinha pertenciam às classes mais abastadas, enquanto os marinheiros procediam da camada mais pobre da população.

Clique aqui para ler a segunda parte deste artigo.

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